PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

13/12/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXXI

 

PULMÃO CIENTÍFICO
 
O explorador francês Jacques-Yves Cousteau, que morreu em junho passado [em 1997, N.B.] aos 87 anos, escreveu oitenta livros e realizou setenta filmes sobre o mundo subaquático. Mas a maior contribuição tecnológica do ex-oficial da Marinha francesa foi o aqualung, aquele cilindro de ar comprimido que o homem-rã carrega nas costas.
 
Até 1943, só era possível mergulhar mais fundo com um escafandro ligado a uma bomba de ar na superfície. E ele não dava liberdade de movimentos para os especialistas em explosivos durante a Segunda Guerra Mundial. Então, querendo desarmar minas e atacar o inimigo, Cousteau bolou um equipamento autônomo com válvulas capazes de regular a pressão do ar, de modo que ela fosse se ajustando à profundidade a cada instante. Sem esse mecanismo, o pulmão do mergulhador entraria em pane.
 
Cousteau, na época, só pensou na guerra. Mas a ciência é que saiu ganhando, porque o aqualung fez a pesquisa submarina ir bem mais fundo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 119. São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1997. p. 98.
 
* * *
 
UMA BELA TACADA
 
O químico americano John Wesley Hyatt (1837-1920) queria inventar alguma coisa para ganhar dinheiro. Pensou, então, em criar bolas de bilhar baratas. Em sua época, o jogo fazia o maior sucesso, mas as bolas de marfim eram tremendamente caras.
 
Hyatt passou cinco anos pesquisando até que, em 1870, chegou a um material que, aquecido, podia ser moldado na forma de bolas. Ele era à base de nitrato de celulose, polpa de papel, serragem, álcool e cânfora. Só tinha um problema: o nitrato de celulose, um dos componentes da dinamite, provocava tacadas explosivas.
 
Não aconteceu nenhum acidente sério, mas, mesmo assim, Hyatt foi ridicularizado nos jornais americanos. Ele não se deixou abater. Pelo sim, pelo não, patenteou sua invenção com o nome de celulóide. O material serviu para a fabricação de filmes, embalagens e canetas, abrindo o caminho para o desenvolvimento da indústria de plásticos. Hyatt morreu milionário.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 120. São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1997. p. 126.
 
* * *
 
FILHO NA HORA CERTA
 
No início do século, a enfermeira americana Margareth Sanger (1883-1966) cunhou o termo controle da natalidade. Fez tanto barulho por essa causa que acabou presa por trinta dias em 1917. Mas não desistiu.
 
Com o dinheiro levantado por várias organizações ao longo dos anos, ela se apresentou em 1951 ao biólogo americano Gregory Goodwin Pincus (1903-1967).
 
Foi uma escolha feita a dedo. Formado na Universidade Harvard, Pincus havia estudado como poucos a fisiologia da reprodução. Margareth o convenceu a abandonar qualquer outra pesquisa para desenvolver um contraceptivo eficaz e seguro. Assim, o cientista provou que os hormônios femininos progesterona e estrógeno podiam impedir a ovulação feminina.
 
Em 1953, apresentou à sua patrocinadora a primeira versão da pílula anticoncepcional. Os testes com mulheres foram realizados no final dos anos 50, no Haiti e em Porto Rico. De lá para cá, a pílula sofreu ajustes na dosagem, mas ainda é o método mais eficiente para evitar a gravidez.
 

FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1997. p. 98.

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6/12/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXX

 

HERANÇA ANTECIPADA
 
Nos tempos de estudante do bioquímico suíço Johann Friedrich Miesscher (1844-1895), seus professores já sabiam que os genes tinham a ver com a hereditariedade. Mas não faziam a menor idéia de como eles transmitiam características de pai para filho, até porque não sabiam do que eram feitos.
 
Em 1868, estudando o pus de feridas, o jovem Miescher isolou uma substância que chamou de nucleína, porque desconfiava que era proveniente do núcleo das células. Cinco anos mais tarde, o cientista mostrou que ela era, na verdade, um ácido, hoje conhecido por ácido desoxirribonucléico, o popular DNA, que forma os genes.
 
Apesar de ter conseguido prestígio na carreira, Miescher morreu aos 51 anos, muitos anos antes de ver a substância descoberta por ele ser responsabilizada pelas características herdadas.
 
Afinal, isso só ficou provado em 1946 por cientistas americanos do Instituto Rockfeller em Nova York.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 116. São Paulo: Editora Abril. Maio de 1997. p. 98.
 
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BOMBEIRO DO AR
 
Tudo o que o engenheiro francês Louis-Sebastien Lenormand (1757-1839) queria era criar um dispositivo antiincêndio para as pessoas escaparem de edifícios em chamas. Ele sonhava vê-las saltando pelas janelas e chegando sãs e salvas ao chão. Por isso, em 1783 Lenormand se dedicou a estudos de aerodinâmica.
 
Chegou à conclusão de que algo como um guarda-chuva gigante poderia vencer a força da gravidade e resolveu provar sua tese. Por garantia, usou dois guarda-chuvas desses, um em cada mão, para pular do alto de uma árvore diante de outros cientistas. Como a experiência deu certo, decidiu ousar mais. Em dezembro do mesmo ano, saltou de uma altura de 4,3 metros do Observatório de Montpellier. Lenormand aterrissou sem nenhum arranhão.
 
Isso entusiasmou a Academia de Ciências da França a investir em sua invenção, o pára-quedas, que, no final, acabou não sendo usado em incêndios, mas foi incorporado ao avião, inventado mais de 100 anos depois.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 117. São Paulo: Editora Abril. Junho de 1997. p. 106.
 
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RÁDIO PIRATEADA
 
Em 1939, o americano Edwin Armstrong (1890-1954) gastou suas economias construindo uma emissora experimental só para provar a qualidade do rádio de freqüência modulada, ou FM, que havia inventado seis anos antes.
 
Na época, uma música ou uma voz só eram transmitidos em ondas de rádio que variavam de amplitude ou força. É o sistema das emissoras AM, sujeito a ruidosas interferências. Para produzir um som de alta fidelidade, Armstrong mostrou que o melhor era variar a freqüência, o número de ondas por segundo.
 
Ninguém se interessou, a não ser o Exército, que usou as ondas de Armstrong durante a Segunda Guerra Mundial. Depois disso, o rádio FM se popularizou nos anos 50 sem que seu inventor recebesse um tostão. Sua família acabou faturando 20 milhões de dólares, graças a uma longa briga judicial com as emissoras de FM.
 
Armstrong, porém, não viu a cor do dinheiro porque, desgostoso com a pirataria, se suicidou em 1954.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Julho de 1997. p. 106.
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29/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXIX

 

DENTRO DO ARMÁRIO
 
Em 1930, o físico americano Chester Carlson (1906-1968) estava endividado. Não conseguia emprego em sua área. Até porque tinha sido um dos piores alunos de sua turma. Vivia sonado porque passava os dias fazendo faxina para sustentar os pais tuberculosos.
 
Sem saída, aceitou a vaga de auxiliar de escritório em uma firma de eletrônica nova-iorquina. Então, percebeu a necessidade de um aparelho para copiar documentos. Na época, os textos eram copiados com papel carbono ou eram fotografados por meio de um processo caro.
 
Motivado, Carlson transformou o armário embutido de seu apartamento de um cômodo em um laboratório reduzido. Ali, criou a máquina xerográfica em 1939, mas ficou até 1944 tentando convencer alguma grande empresa a fabricá-la. Até que uma pequena firma, a Companhia Haloid, deu crédito para a engenhoca.
 
Mesmo assim, como os jornais chamavam o invento de brinquedo, a primeira fotocopiadora só seria lançada em 1947.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 113. São Paulo: Editora Abril. Fevereiro de 1997. p. 90.
 
* * *
 
TIJOLOS CELULARES
 
O jovem advogado alemão Matthias Jacob Schleiden (1804-1881) andava deprimido com a sua profissão. Tentou o suicídio com um tiro. Como sobreviveu, decidiu mudar de carreira. Aos 27 anos, começou a estudar ciências naturais. Acabou se tornando um eminente botânico descobrindo que os vegetais são constituídos de células.
 
Hoje isso parece óbvio. Em 1838, quando Schleiden anunciou o fato, foi o maior auê. As células eram conhecidas desde o século XVII, mas achava-se que elas só faziam parte dos animais. Os cientistas diziam que as plantas eram formadas por tecidos contínuos. Schleiden contestou essa idéia, afirmando que os vegetais são inteiramente formados por tijolos microscópicos, as células.
 
Muitos botânicos duvidaram. A turma a favor de Schleiden passou duas décadas fazendo pesquisas até provar que ele tinha razão. Esses estudos foram o embrião da Citologia, a área da ciência que investiga as células.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 114. São Paulo: Editora Abril. Março de 1997. p. 90.
 
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CÉREBRO A PRESSÃO
 
Na época do engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858-1913), o motor a vapor simbolizava o progresso. Mas só 10% do calor liberado na queima do carvão virava energia mecânica para uma máquina trabalhar.
 
Desde 1878, quando estudava na Escola Técnica de Munique, Diesel ficou obcecado pela idéia de criar um motor que aproveitasse quase 100% do calor. Passou a dormir só três horas por noite. Apesar da dedicação absurda, só em 1897 foi que ele chegou ao protótipo do motor que leva o seu nome, o diesel.
 
Foi um sucesso. Nele, o ar é comprimido em um cilindro até alcançar temperatura suficiente para provocar a ignição do combustível injetado ali. A queima desse combustível faz o ar se expandir novamente, movimentando o pistão do motor.
 
Depois dessa vitória, Diesel passou quase um ano em uma casa de repouso. Foi a primeira de cinco internações, já que sempre parava no sanatório depois de um ou outro aperfeiçoamento em sua invenção.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 115. São Paulo: Editora Abril. Abril de 1997. p. 98.
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22/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXVIII

O RESUMO DA FAMA
 
George Papanicolaou (1883-1962) nasceu em Coumi, uma vila grega, mas formou-se médico em Munique, na Alemanha.
 
Resolveu refazer as malas em 1910, porque achava que os Estados Unidos eram a terra das oportunidades. Mas, ao chegar a Nova York, só conseguiu vender tapetes.
 
Levou um ano até arrumar trabalho como assistente de laboratório na Universidade Cornell. Ali, Papanicolaou acabou professor.
 
Em 1923, ele estudava as mudanças provocadas pelos hormônios no útero. Para isso, analisava as secreções uterinas de pacientes. Foi então que viu uma amostra diferente, cheia de células deformadas. Ela pertencia a uma voluntária com câncer. O pesquisador grego fez o mesmo exame em outras doentes e concluiu que aquele tipo de análise diagnosticava tumores. Escreveu mais de 100 páginas sobre o assunto e distribuiu o texto durante um encontro médico, em 1928. Mas nenhum colega se entusiasmou com a leitura.
 
Papanicolaou só despertou o interesse dos médicos para o exame que leva o seu nome — e que até hoje é considerado o melhor jeito de prevenir o câncer de colo uterino — quando resumiu o trabalho para oito páginas, em 1943.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 110. São Paulo: Editora Abril. Novembro de 1996. p. 90.
 
* * *
 
INVENTOR NUMA FRIA
 
O médico americano John Gorrie (1803-1855) trabalhava em Apalachicola, cidade portuária da Flórida, onde o clima era escaldante. Para melhorar as condições de marinheiros com febre amarela, ele pendurava sacos de gelo nas enfermarias. Mas o produto, retirado de lagos distantes congelados no inverno, era caríssimo. Por isso, o médico resolveu usar seus conhecimentos de físico amador.
 
Em 1850, aos 47 anos de idade, ele criou um reservatório de água ligado a um pistão que, comprimindo e descomprimindo o ar, roubava o calor interno. Assim, em uma só tacada, Gorrie criou o sistema de refrigeração que daria origem ao ar-condicionado e à geladeira.
 
No entanto, nenhum banco financiou o seu projeto. Os principais jornais americanos ridicularizavam o inventor. Gorrie morreu pobre e desacreditado em 1855.
 
Cinco anos mais tarde, seu equipamento foi instalado com sucesso em navios, para transportar carne da Austrália até a Inglaterra.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 111 São Paulo: Editora Abril. Dezembro de 1996. p. 90.
 
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PINCEL E BISTURI
 
Em 1917, o artista inglês Henry Tonks (1862-1937) era professor da Escola Slade de Belas Artes, em Londres.
 
Ele instruía um de seus alunos, o pintor irlandês William Open (1878-1931), que mais tarde se tornaria um dos maiores retratistas da Grã-Bretanha, quando recebeu uma visita inusitada. Era um comitê do Queen’s Hospital lhe propondo uma troca de emprego.
 
 Tonks havia se formado em cirutgia 29 anos antes. Mas logo largou a medicina para se dedicar à arte. O objetivo do hospital, porém, era fazê-lo acompanhar o cirurgião neozelandês Sir Harold Gillies, que estava inventando técnicas cirúrgicas para reparar danos em soldados mutilados durante a I Guerra Mundial. A função de Tonks seria traçar desenhos dos pacientes deformados e de como eles poderiam ficar depois da ação do bisturi.
 
Tonks topou. Seus retratos orientaram Gillies. A dupla é considerada a criadora da cirurgia plástica moderna.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 112 São Paulo: Editora Abril. Janeiro de 1997. p. 90.
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15/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA” XXVII

 

ALTA VELOCIDADE
 
No final de 1976, o físico e matemático americano John Smoot, da Universidade da Califórnia, media as diferenças de radiação cósmica em vários pontos do Universo com os dados de meia dúzia de vôos do avião U-2. Então, desconcertado, concluiu que não só toda a nossa galáxia está em rotação como se move a cerca de estonteantes 600 quilômetros por segundo.
 
Em 1977, mais confiante nos resultados, o cientista apresentou a descoberta durante a reunião da Sociedade Americana de Física, mas só teve 5 minutos para falar e ninguém lhe deu muita bola. Seis meses depois, insistiu em mostrar os mesmos dados para a Sociedade Americana de Astronomia, que também não o levou a sério.
 
Dez anos mais tarde, em 1986, sete pesquisadores — cinco americanos, um inglês e um argentino —, apelidados de os Sete Samurais, “descobriram” que, de fato, a nossa galáxia se desloca a 2,2 milhões de quilômetros por hora. Smoot estava certo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 107 São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1996. p. 90.
 
* * *
 
GUERRA NA COZINHA
 
Em 1939, ingleses e americanos fabricaram os primeiros radares de longo alcance graças ao aparecimento do magnétron.
 
Esse dispositivo eletrônico, capaz de gerar microondas, começou a ser estudado pelas indústrias de guerra e talvez se restringisse a esse campo se o engenheiro eletrônico americano Percy Lebaron Spencer (1894-1970) não adorasse chocolate.
 
Fabricante de equipamentos bélicos, Spencer passou uma manhã de 1946 trabalhando em uma sala onde havia um magnétron. Deixou seus bombons ao lado do equipamento e, quando bateu a fome, viu que o chocolate estava derretido, apesar de a temperatura ambiente ser fria. Intrigado, no dia seguinte Spencer trouxe milho. Minutos depois, havia pipoca por todo o laboratório.
 
O engenheiro fez várias experiências culinárias até criar os fornos de microondas em 1952. Mas o lançamento encalhou nas lojas. As donas de casa não acreditavam que algo usado na guerra fosse inofensivo na cozinha.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 108 São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1996. p. 90.
 
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SEDA NO CHÃO
 
Hilaire Chardonnet (1839-1924) era um estudante de Química em Paris quando, em 1865, auxiliou ninguém menos do que Louis Pasteur em um estudo sobre as doenças do bicho-da-seda.
 
Na época, Chardonnet comentou que seria ótimo se a seda pudesse ser substituída por um tecido artificial.
 
— Se isso fosse fácil, meu caro, não estaríamos perdendo tanto tempo com a saúde desses bichinhos — respondeu Pasteur.
 
 O rapaz teria esquecido o assunto se, treze anos depois, enquanto revelava filmes em uma sala escura, não tivesse derrubado no chão um vidro com colódio, ingrediente de lacas e vernizes. Não quis interromper a tarefa na hora e quando foi limpar a sujeira o líquido já tinha evaporado. No lugar dele ficaram uns fios sedosos.
 
A partir do incidente, Chardonnet passou seis anos desenvolvendo a seda artificial, que mais tarde chamaria raiom. Só em outubro de 1891, porém, é que convenceu as indústrias a fazer roupas com o tecido sintético.
 

FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 109 São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1996. p. 90.

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8/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXVI

 

DEMISSÃO INJUSTA
 
Em 1860, em uma das alas da maternidade do Hospital Geral de Viena, na Áustria, 30% das grávidas morriam de febre. Em outra ala, porém, a taxa de mortalidade era dez vezes menor.
 
O médico húngaro Ignaz Semmeloweis, que trabalhava ali, matou a charada quando examinou o corpo de um colega, que havia morrido depois de ter se cortado em uma autópsia.
 
Semmelweis lembrou que a ala problemática era atendida por estudantes, que iam para lá depois de dissecarem cadáveres. Concluiu que eles traziam consigo algum agente de doença. Então, obrigou que lavassem as mãos antes de visitarem as grávidas.
 
Os casos de febre diminuíram e Semmelweis, entusiasmado, passou a exigir a desinfecção dos instrumentos, algo que nenhum hospital praticava. Foi demitido.
 
Voltou para a Hungria, onde morreu de infecção após cortar o dedo, aos 47 anos, em 1865, ano em que o cientista francês Louis Pasteur provou a importância da assepsia para evitar contaminações.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 104 São Paulo: Editora Abril. Maio de 1996. p. 90.
 
* * *
 
BERROS DE EINSTEIN
 
Georges Lemaître (1894-1966) era um padre e físico belga que em 1925 foi estagiar nos Estados Unidos.
 
De volta ao seu país, em 1927, criou uma fórmula para calcular a velocidade de afastamento das galáxias, expostas em uma conferência em Bruxelas. No final dessa apresentação, o gênio alemão Albert Einstein, que estava presente, gritou:
 
— Sua Física é abominável.
 
Sem desanimar, Lemaître continuou na carreira, estudando a origem do universo.
 
Três anos depois, formulou a hipótese de que todas as galáxias já tinham estado unidas em um único ponto, chamado átomo primordial. A explosão desse átomo seria o Grande Barulho. Foi outra vez ridicularizado por colegas que apelidaram sua teoria de Big Bang. Hoje ela é uma dos pilares da Cosmologia.
 
Em 1933, ao ouvir uma nova palestra de Lemaître, Einstein aplaudiu de pé.
 
— Belo trabalho — berrou da platéia.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 105 São Paulo: Editora Abril. Junho de 1996. p. 90.
 
* * *
 
RÃS DE CUECAS
 
Entre os séculos XVII e XVIII surgiram vários estudos sobre a reprodução das espécies. Mas, para os cientistas da época, o esperma do macho era um reles coadjuvante no processo. Ele no máximo detonaria o crescimento do embrião já existente no óvulo da fêmea, liberando cheiros fortes e vapores.
 
Quem desfez a confusão foi o fisiologista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-1799). Em 1770, ele próprio costurou cuecas de couro preto sob medida para rãs. A vestimenta retinha o esperma dos machos que tentavam fecundar as fêmeas. Com essas amostras, o cientista realizou a primeira fecundação artificial.
 
Nos cinco anos seguintes, Spallanzani tentou fecundar outras rãs com várias substâncias com cheiro forte. Testou desde suco de laranja até essência de açafrão. E concluiu que nada, a não ser o esperma, causava a reprodução. E não bastava o esperma estar por perto, liberando supostos odores, mas era preciso o contato direto entre ele e o óvulo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 106 São Paulo: Editora Abril. Julho de 1996. p. 106.
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1/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXV

FALTOU AR
 
O químico Carl Wilhelm Scheele (1742-1786), morando no interior da Suécia e trabalhando sozinho no fundo de uma farmácia, descobriu, em poucos anos de vida, dezenas de substâncias importantes, como a vitamina C, o ácido lático e a glicerina.
 
Mandava seus trabalhos para a Real Academia de Ciências, em Estocolmo, mas publicou apenas um livro. Nele, fica claro que Scheele havia chegado muito perto de uma outra descoberta fundamental.
 
Em 1772 ele desenvolveu um gás que, colocados em um recipiente fechado junto com uma madeira, tornava possível queimá-la. E, quando o gás acabava, o fogo se extinguia.
 
Dois anos depois, trabalhando sem conhecimento das experiências de Scheele, o físico inglês Joseph Priestley identificou o tal gás como sendo nada menos que o oxigênio.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 101. São Paulo: Editora Abril. Fevereiro de 1996. p. 90.
 
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E DARWIN NEM LEU…
 
O monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884) observou que, cruzando um pé de ervilha alto com outro alto, o resultado era uma planta grande. Já plantas baixas geravam pés pequenos. Mas a combinação dos dois tipos criava ora descendentes baixos, ora descendentes altos.
 
A partir disso, ele afirmou que as características eram herdadas por dois fatores, masculino e feminino. No caso, um dos fatores seria dominante, inibindo o outro que chamou de recessivo.
 
Hoje o conceito de genes recessivos e dominantes é uma das bases da Genética mas, em sua época, Mendel foi solenemente ignorado. Ele escreveu até para Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies, e recebeu a resposta de que o naturalista inglês estava “ocupado para examinar suas idéias”.
 
O monge publicou o artigo em 1865. Ninguém deu atenção. O trabalho só voltou à tona em 1910, graças ao biólogo americano Thomas Morgan, que o usou para explicar sua teoria de que os cromossomos eram os responsáveis pela hereditariedade.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 102. São Paulo: Editora Abril. Março de 1996. p. 90.
 
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RAIOS QUE O PROVEM
 
O físico e químico dinamarquês Hans Christian Oersted (1777-1851) descobriu que uma corrente elétrica criava um campo magnético como o dos ímãs. Em sua época, achava-se que a eletricidade não tinha nada a ver com o magnetismo. Mas, no final de 1820, Oersted passou a duvidar disso.
 
 Sua suspeita começou quando dava uma aula na Universidade de Copenhague. Ele queria ensinar como provocar eletricidade juntando dois pólos opostos. Mal fez isso, viu mexer o ponteiro magnético de uma bússola que estava na mesa por acaso.
 
A reação dos outros professores foi de zombaria quando Oersted lhes contou o ocorrido. Mas, curioso, o cientista repetiu a experiência, tirando proveito das tempestades, freqüentes no inverno e seu país. Várias vezes, saiu na chuva com uma bússola e sempre que caía um raio — que é uma corrente elétrica — o ponteiro se movia.
 
Assim, provou a existência de campos eletromagnéticos.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 103 São Paulo: Editora Abril. Abril de 1996. p. 90.
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25/10/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXIV

 

GÊNIO DESNUTRIDO
 
A miséria não sufocou a genialidade do matemático Srinivasa Ramanujan.
 
Ele nasceu em 1887 em Erode, uma cidade paupérrima da Índia e, sem acesso à escola, aprendeu a calcular por conta própria.
 
Aos 15 anos, ganhou um livro com 6.000 teoremas. A partir dele, desenvolveu várias idéias.
 
Aos 24 anos, mandou uma carta para Godfrey H. Hardy, o mais célebre matemático britânico da época. Impressionado, o professor ofereceu ao jovem indiano uma bolsa de estudos na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Lá, Ramanujan, que mal sabia escrever, propôs importantes teoremas, que hoje são muito usados em computação.
 
Seu talento foi reconhecido pela Royal Society de Londres, uma das mais antigas sociedades científicas do mundo.
 
Mas, desnutrido, o sábio indiano contraiu tuberculose, morrendo em 1920.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 98 São Paulo: Editora Abril. Novembro de 1995. p. 90.
 
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BERÇO AFRICANO
 
No início deste século, não se imaginava que a África era o berço da humanidade.
 
Acreditava-se que os primeiros homens teriam surgido na Ásia. Um erro que fez o arqueólogo e antropólogo Louis Leakey comprar muitas brigas.
 
Filho de missionários ingleses, ele nasceu em 1903, no Quênia e, pequeno, só conversava na língua da tribo kikuyu. Aos 14 anos, foi morar nunca cabana de barro, que ele mesmo havia construído. Em 1924, depois de estudar na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Leakey regressou à África, para fazer escavações no leste do continente. Em 1959, desenterrou o esqueleto do Homo habilis, que viveu há 1.750.000 anos.
 
Como Leakey era famoso por defender a África e ter imaginação fértil, demorou quinze anos até aceitarem sua teoria de que aquele hominídeo era o ancestral mais antigo do homem moderno.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 99 São Paulo: Editora Abril. Dezembro de 1995. p. 90.
 
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PARA INGLÊS NÃO VER
 
Em 1982, a equipe do cientista inglês Joe Farman estava na Baía de Halley investigando o clima da Antártida.
 
De repente, os pesquisadores notaram que o ozônio na atmosfera havia diminuído em 20%.
 
Era inacreditável. Afinal, desde 1978 os americanos monitoravam esse gás com o satélite Nimbus 7 e nunca haviam percebido grandes alterações.
 
Atônitos, os ingleses culparam o velho espectrofotômetro, medidor da concentração de gases, que já estava em uso havia muito tempo. Fizeram outra medição com um instrumento novo em folha e o resultado se repetiu.
 
 No entanto, a fabulosa descoberta demorou três anos para ser divulgada. Os ingleses continuavam em dúvida sobre a existência de um tremendo buraco de ozônio não detectado pelo Nimbus 7.
 
Depois vieram a saber que o problema era ignorado pelos americanos simplesmente porque seus computadores não estavam programados para registrar baixas quantidades daquela substância.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 100 São Paulo: Editora Abril. Janeiro de 1996. p. 90.
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18/10/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXIII

DA ENXADA AO CÉU
 
No dia 15 de janeiro de 1929, o astrônomo americano Vesto Slipher, diretor do Observatório Lowell, em Flagstaff, Estados Unidos, foi à estação da cidade receber um jovem que gostava de observar as estrelas. Nome: Clyde Tombaugh.
 
Aos 22 anos, filho de agricultores pobres, ele não tinha esperança de um dia chegar à universidade. Mas era obstinado. Entrou em contato com Slipher para pedir emprego no observatório, dizendo que estava disposto a fazer qualquer coisa para aprender com os profissionais.
 
Admirado, o diretor aceitou a proposta. Encarregou o jovem esforçado das tarefas mais simples, como cuidar do aquecimento, tirar a neve da cúpula que protege os telescópios ou acompanhar visitantes do observatório. Feito isso, podia usar os instrumentos para adquirir o treinamento básico.
 
Um ano e um mês depois de chegar a Flagstaff, Tombaugh descobriu Plutão, o nono planeta do sistema solar, transformando-se numa celebridade mundial.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 95. São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1995. p. 90.
 
* * *
 
O PIONEIRO ESPERTO
 
O brasileiro Euryclides de Jesus Zerbini poderia ter sido o primeiro cirurgião a realizar um transplante cardíaco em seres humanos.
 
A partir de 1960, oito equipes ao redor do planeta treinavam em cães para a façanha.
 
O acordo era de só transplantar humanos quem tivesse na mesa de operação um paciente condenado e encontrasse, em poucas horas, um doador com morte cerebral.
 
A oportunidade surgiu, em fevereiro de 1967, no Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde Zerbini trabalhava. Mas ele foi proibido de fazer a cirurgia pela direção do hospital que, cautelosa, não se contentava com os 125 cachorros transplantados por sua equipe.
 
Dez meses mais tarde, o médico sul-africano Christiaan Barnard foi o pioneiro. Tendo realizado ainda menos cirurgias caninas que Zerbini, ele operou Lois Washkansky, que não era um paciente condenado.
 
Graças a Zerbini, o Brasil acabou sendo o terceiro país do mundo a realizar um transplante cardíaco, em maio de 1968.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 96. São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1995. p. 90.
 
* * *
 
PINTANDO O CÉREBRO
 
O biólogo alemão Paul Ehrlich (1854-1915) descreveu, em 1877, algumas das principais características das células de defesa do corpo.
 
Em 1889, Ehrlich, tentava saber se existiam células defensoras alojadas nos vários órgãos internos de um indivíduo. Para localizá-las, ele injetava um corante azul em cobaias. A tinta cobria os tecidos mas não as células protetoras, de modo que estas últimas podiam ser identificadas ao microscópio.
 
Para sua surpresa, quando abria os animais, todos os seus órgãos estavam tingidos de azul, menos o cérebro. Curioso, o cientista trocou o corante por outros mais fortes e, mesmo assim, a cor da massa cinzenta permanecia inalterada. Diante disso, Ehrlich propôs a teoria de que o cérebro era protegido por uma espécie de muralha biológica.
 
Ele estava certo. Dez anos depois, outros cientistas comprovaram que, de fato, existe a chamada barreira de sangue cerebral, um mecanismo imprescindível de preservação da saúde.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 97 São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1995. p. 90
criado por André Marcon    20:06 — Arquivado em: ciência — Tags:, , ,

11/10/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXII

DA BOMBA À PANELA
 
Um Jovem químico americano, Roy Plunkett, trabalhava há dois anos em uma fábrica de produtos químicos quando descobriu o teflon.
 
Plunkett estava pesquisando o uso de gases na produção de refrigerantes. Ao abrir um tanque de metal que deveria estar cheio de gás, no dia 6 de abril de 1938, encontrou em seu lugar um pó branco. Depois de várias experiências, percebeu que o polímero, uma substância formada pela reunião de várias moléculas do gás original, era praticamente inerte, não reagia com quase nada. Mas o pó era também caro demais.
 
A descoberta não teria dado em nada se o general Groves, comandante militar do projeto de construção da bomba atômica, não tivesse ouvido histórias sobre a descoberta. O plástico serviu para fazer a bomba, ao vedar os tubos por onde passava um gás altamente corrosivo.
 
Hoje é usado na cozinha e na medicina, para revestir panelas ou em trajes espaciais.
 
Plunkett tinha 28 anos.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 92. São Paulo: Editora Abril. Maio de 1995. p. 90.
 
* * *
 
JARROS NA CAVERNA
 
Em uma manhã de inverno de 1947, um pastor, Jum’a Muhammed, procurando uma cabra nas encostas rochosas de Qumran, ao norte do Mar Morto, encontrou uma caverna.
 
Jogou uma pedra para assustar a cabra e fazê-la aparecer. Ouviu só um barulho de algo se quebrando. Teve medo, e voltou à caverna alguns dias depois, com um amigo. Acharam vários jarros, dentro dos quais haviam textos escritos em uma língua estranha.
 
Os pergaminhos foram vendidos a um sacerdote, que os entregou a John Trever e William Brownlee, dois arqueólogos americanos que perceberam a importância da descoberta.
 
Mais tarde, o conteúdo dos jarros ficaria famoso como os Manuscritos do Mar Morto, escritos pelos essênios, uma antiga seita judaica.
 
Foram escondidos nas grutas no primeiro século da era cristã, quando os romanos dominavam a Palestina. Revelam a história da região na época em que Jesus viveu (sic).
 
Hoje estão guardados no Santuário do Livro, em Jerusalém.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 93. São Paulo: Editora Abril. Junho de 1995. p. 90.
 
* * *
 
ESTRANHA PARTÍCULA
 
No dia 18 de janeiro de 1932, os franceses Frederic Joliot e sua mulher Irene Curie (filha do famoso casal de cientistas Pierre e Marie Curie) bombardearam um bloco de parafina com radiação e observaram o surgimento de uma partícula subatômica que não sabiam identificar.
 
Na dúvida, afirmaram que era um próton, então o único componente conhecido do núcleo do átomo.
 
Embora o comportamento da partícula fosse inédito, Joliot e Curie preferiram justificar a presença do próton com uma explicação complicada e, na verdade, errada, como se verificou depois.
 
Não quiseram acreditar que tivessem descoberto algo fundamentalmente novo.
 
Menos de um mês depois, no dia 17 de fevereiro, ao observar a mesma partícula numa experiência parecida, o inglês James Chadwick declarou que se tratava de um componente do núcleo ainda desconhecido e sem carga elétrica: o nêutron.
 
A descoberta valeu a Chadwick o Prêmio Nobel de Física de 1935.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 94. São Paulo: Editora Abril. Julho de 1995. p. 90.
criado por André Marcon    14:14 — Arquivado em: ciência — Tags:, , , , ,
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