6/12/08
FIM DE EXPEDIENTE

29/11/08
NAS GALERIAS

22/11/08
A IGREJA DESCONHECIDA
15/11/08
O VIGÁRIO PEDÓFILO
8/11/08
BELEZA INTERIOR

1/11/08
O ÚLTIMO QUADRO

25/10/08
A PEQUENA PRETENDENTE

18/10/08
DUAS MULHERES

DUAS MULHERES Parte 1

Tadeu conheceu Bianca no colégio. Pouco tempo depois, começaram a namorar.
No começo, tudo parecia bem. Casal jovem, bonito, cheio de vida e esperanças pro futuro. Ele, de porte atlético e aplicação nos estudos, gentil, educado e filho de boa família. Ela, delicada, porém, sem afetação, de personalidade forte e força de vontade a toda prova, filha caçula de uma família humilde, mas batalhadora.
Depois de alguns meses, veio a notícia: Bianca estava grávida de Tadeu.
A revelação causou uma tremenda mudança no comportamento de Tadeu. Antes calmo e seguro de si e possuindo um forte senso de justiça, de repente se tornou ao mesmo tempo temeroso, desesperado e violento.
Segurando Bianca pelos braços a ponto de machucá-la, ele falou com ódio:
— Você vai tirar essa criança!
Surpresa com tal atitude por parte do namorado, Bianca respondeu, pálida de susto:
— Você ficou louco, Tadeu? É o seu filho! O nosso filho! Como pode dizer essa barbaridade?
Mais irritado ainda, Tadeu retrucou:
— Não interessa! Filho tem que ser planejado! Tem hora certa pra ser feito. E o que aconteceu conosco foi acidente! Isso não é nosso filho, foi apenas um acidente!
Bianca ficou pasma com as palavras de Tadeu. Este continuou a falar:
— Eu sou jovem ainda! Tenho que estudar, me formar, começar uma carreira! Tenho objetivos a cumprir antes de pensar em filho e família! Pense em você também! Você está na mesma situação que eu! É jovem e tem muito que fazer! E com filho no colo, tudo isso se torna impossível! Por isso, trate de procurar um meio de se livrar desse acidente! Aproveite que ainda está nas primeiras semanas!
Bianca reconheceu que, em parte, Tadeu tinha razão. Um filho a essa altura seria muito inoportuno para quem ainda é jovem e tem sonhos a se realizar. Mas mesmo assim não justificava a idéia de abortar a criança.
Bianca relutou quanto pôde às investidas de Tadeu. Este, furioso, se limitou a dizer:
— Pois bem, se quer ter essa criança, que tenha! Mas eu aviso que, sendo assim, estou fora! Acabou nosso namoro! E nunca mais venha me procurar, pois não tenho mais nada a ver com isso! Adeus!
Dito isso, Tadeu foi embora, deixando Bianca sozinha com seu infortúnio.
Os meses se passaram e Bianca enfrentou uma gravidez cheia de complicações em sua maior parte devido ao trauma por que passou por ser rejeitada por aquele que considerava como o homem de sua vida e que também era o pai de seu filho e também devido à discriminação que sofria por parte de alguns familiares e aqueles que consideravam suas amigas e haviam a abandonado depois que souberam do ocorrido. Bianca deixara a escola e nunca mais soube de Tadeu que, segundo uma das poucas amigas que não tinham lhe virado a cara, também deixara a escola.
Enfim, depois de muita angústia, a criança nasceu. Apesar das dificuldades, era uma linda e saudável menina, sem qualquer traço das dores sofridas pela mãe durante sua gestação. Parecia que ela já havia nascido imune a todas as agruras da vida, pois se mostrava alheia ao vale de lágrimas à sua volta.
Bianca decidiu que a menina se chamaria Vitória, pois não foram poucas as vezes que ela pensou que sua angústia causaria mal ao bebê e o mataria. Isso senão ela mesma morresse de desgosto antes disso.
A serenidade e vitalidade de Vitória preencheram o imenso vazio que se tornara a vida de Bianca. Tendo recobrado o ânimo, ela decidiu batalhar um emprego e concluir os estudos. Ela estava decidida a dar tudo de si para que nada faltasse a sua querida filha.
Mas Bianca pensou melhor e decidiu que deveria procurar Tadeu e exigir-lhe pensão para a filha. Afinal, o emprego poderia demorar a surgir e ele também tinha responsabilidade sobre a criança. Bianca não poderia aceitar arcar sozinha com as conseqüências.
Por isso, Bianca procurou saber sobre o paradeiro de Tadeu e descobriu onde estudava. Após se informar sobre os horários da escola, Bianca foi até lá e surpreendeu Tadeu no portão do colégio. Bianca carregava Vitória no colo e foi logo interpelando Tadeu:
— Olha aqui o que você quis que eu jogasse fora como se fosse lixo. Olhe bem nos olhos dessa criança e repita o que me disse aquele dia, se tiver coragem. Cachorro, canalha!
Tadeu sentiu o chão fugir-lhe aos pés e a vista escurecer. Só não caiu de quatro porque um amigo que estava ao lado o amparou a tempo. Recobrando os sentidos, Tadeu olhou para a ex-namorada e a criança em seu colo e balbuciou:
— Não pode ser…
(Continua)
Leia a conclusão desta crônica AQUI.

criado por André Marcon
15:50 — Arquivado em: 

