13/12/08
“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXXI
PULMÃO CIENTÍFICO
O explorador francês Jacques-Yves Cousteau, que morreu em junho passado [em 1997, N.B.] aos 87 anos, escreveu oitenta livros e realizou setenta filmes sobre o mundo subaquático. Mas a maior contribuição tecnológica do ex-oficial da Marinha francesa foi o aqualung, aquele cilindro de ar comprimido que o homem-rã carrega nas costas.
Até 1943, só era possível mergulhar mais fundo com um escafandro ligado a uma bomba de ar na superfície. E ele não dava liberdade de movimentos para os especialistas em explosivos durante a Segunda Guerra Mundial. Então, querendo desarmar minas e atacar o inimigo, Cousteau bolou um equipamento autônomo com válvulas capazes de regular a pressão do ar, de modo que ela fosse se ajustando à profundidade a cada instante. Sem esse mecanismo, o pulmão do mergulhador entraria em pane.
Cousteau, na época, só pensou na guerra. Mas a ciência é que saiu ganhando, porque o aqualung fez a pesquisa submarina ir bem mais fundo.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 119. São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1997. p. 98.
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UMA BELA TACADA
O químico americano John Wesley Hyatt (1837-1920) queria inventar alguma coisa para ganhar dinheiro. Pensou, então, em criar bolas de bilhar baratas. Em sua época, o jogo fazia o maior sucesso, mas as bolas de marfim eram tremendamente caras.
Hyatt passou cinco anos pesquisando até que, em 1870, chegou a um material que, aquecido, podia ser moldado na forma de bolas. Ele era à base de nitrato de celulose, polpa de papel, serragem, álcool e cânfora. Só tinha um problema: o nitrato de celulose, um dos componentes da dinamite, provocava tacadas explosivas.
Não aconteceu nenhum acidente sério, mas, mesmo assim, Hyatt foi ridicularizado nos jornais americanos. Ele não se deixou abater. Pelo sim, pelo não, patenteou sua invenção com o nome de celulóide. O material serviu para a fabricação de filmes, embalagens e canetas, abrindo o caminho para o desenvolvimento da indústria de plásticos. Hyatt morreu milionário.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 120. São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1997. p. 126.
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FILHO NA HORA CERTA
No início do século, a enfermeira americana Margareth Sanger (1883-1966) cunhou o termo controle da natalidade. Fez tanto barulho por essa causa que acabou presa por trinta dias em 1917. Mas não desistiu.
Com o dinheiro levantado por várias organizações ao longo dos anos, ela se apresentou em 1951 ao biólogo americano Gregory Goodwin Pincus (1903-1967).
Foi uma escolha feita a dedo. Formado na Universidade Harvard, Pincus havia estudado como poucos a fisiologia da reprodução. Margareth o convenceu a abandonar qualquer outra pesquisa para desenvolver um contraceptivo eficaz e seguro. Assim, o cientista provou que os hormônios femininos progesterona e estrógeno podiam impedir a ovulação feminina.
Em 1953, apresentou à sua patrocinadora a primeira versão da pílula anticoncepcional. Os testes com mulheres foram realizados no final dos anos 50, no Haiti e em Porto Rico. De lá para cá, a pílula sofreu ajustes na dosagem, mas ainda é o método mais eficiente para evitar a gravidez.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1997. p. 98.
criado por André Marcon
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