PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

13/12/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXXI

 

PULMÃO CIENTÍFICO
 
O explorador francês Jacques-Yves Cousteau, que morreu em junho passado [em 1997, N.B.] aos 87 anos, escreveu oitenta livros e realizou setenta filmes sobre o mundo subaquático. Mas a maior contribuição tecnológica do ex-oficial da Marinha francesa foi o aqualung, aquele cilindro de ar comprimido que o homem-rã carrega nas costas.
 
Até 1943, só era possível mergulhar mais fundo com um escafandro ligado a uma bomba de ar na superfície. E ele não dava liberdade de movimentos para os especialistas em explosivos durante a Segunda Guerra Mundial. Então, querendo desarmar minas e atacar o inimigo, Cousteau bolou um equipamento autônomo com válvulas capazes de regular a pressão do ar, de modo que ela fosse se ajustando à profundidade a cada instante. Sem esse mecanismo, o pulmão do mergulhador entraria em pane.
 
Cousteau, na época, só pensou na guerra. Mas a ciência é que saiu ganhando, porque o aqualung fez a pesquisa submarina ir bem mais fundo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 119. São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1997. p. 98.
 
* * *
 
UMA BELA TACADA
 
O químico americano John Wesley Hyatt (1837-1920) queria inventar alguma coisa para ganhar dinheiro. Pensou, então, em criar bolas de bilhar baratas. Em sua época, o jogo fazia o maior sucesso, mas as bolas de marfim eram tremendamente caras.
 
Hyatt passou cinco anos pesquisando até que, em 1870, chegou a um material que, aquecido, podia ser moldado na forma de bolas. Ele era à base de nitrato de celulose, polpa de papel, serragem, álcool e cânfora. Só tinha um problema: o nitrato de celulose, um dos componentes da dinamite, provocava tacadas explosivas.
 
Não aconteceu nenhum acidente sério, mas, mesmo assim, Hyatt foi ridicularizado nos jornais americanos. Ele não se deixou abater. Pelo sim, pelo não, patenteou sua invenção com o nome de celulóide. O material serviu para a fabricação de filmes, embalagens e canetas, abrindo o caminho para o desenvolvimento da indústria de plásticos. Hyatt morreu milionário.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 120. São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1997. p. 126.
 
* * *
 
FILHO NA HORA CERTA
 
No início do século, a enfermeira americana Margareth Sanger (1883-1966) cunhou o termo controle da natalidade. Fez tanto barulho por essa causa que acabou presa por trinta dias em 1917. Mas não desistiu.
 
Com o dinheiro levantado por várias organizações ao longo dos anos, ela se apresentou em 1951 ao biólogo americano Gregory Goodwin Pincus (1903-1967).
 
Foi uma escolha feita a dedo. Formado na Universidade Harvard, Pincus havia estudado como poucos a fisiologia da reprodução. Margareth o convenceu a abandonar qualquer outra pesquisa para desenvolver um contraceptivo eficaz e seguro. Assim, o cientista provou que os hormônios femininos progesterona e estrógeno podiam impedir a ovulação feminina.
 
Em 1953, apresentou à sua patrocinadora a primeira versão da pílula anticoncepcional. Os testes com mulheres foram realizados no final dos anos 50, no Haiti e em Porto Rico. De lá para cá, a pílula sofreu ajustes na dosagem, mas ainda é o método mais eficiente para evitar a gravidez.
 

FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1997. p. 98.

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6/12/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXX

 

HERANÇA ANTECIPADA
 
Nos tempos de estudante do bioquímico suíço Johann Friedrich Miesscher (1844-1895), seus professores já sabiam que os genes tinham a ver com a hereditariedade. Mas não faziam a menor idéia de como eles transmitiam características de pai para filho, até porque não sabiam do que eram feitos.
 
Em 1868, estudando o pus de feridas, o jovem Miescher isolou uma substância que chamou de nucleína, porque desconfiava que era proveniente do núcleo das células. Cinco anos mais tarde, o cientista mostrou que ela era, na verdade, um ácido, hoje conhecido por ácido desoxirribonucléico, o popular DNA, que forma os genes.
 
Apesar de ter conseguido prestígio na carreira, Miescher morreu aos 51 anos, muitos anos antes de ver a substância descoberta por ele ser responsabilizada pelas características herdadas.
 
Afinal, isso só ficou provado em 1946 por cientistas americanos do Instituto Rockfeller em Nova York.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 116. São Paulo: Editora Abril. Maio de 1997. p. 98.
 
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BOMBEIRO DO AR
 
Tudo o que o engenheiro francês Louis-Sebastien Lenormand (1757-1839) queria era criar um dispositivo antiincêndio para as pessoas escaparem de edifícios em chamas. Ele sonhava vê-las saltando pelas janelas e chegando sãs e salvas ao chão. Por isso, em 1783 Lenormand se dedicou a estudos de aerodinâmica.
 
Chegou à conclusão de que algo como um guarda-chuva gigante poderia vencer a força da gravidade e resolveu provar sua tese. Por garantia, usou dois guarda-chuvas desses, um em cada mão, para pular do alto de uma árvore diante de outros cientistas. Como a experiência deu certo, decidiu ousar mais. Em dezembro do mesmo ano, saltou de uma altura de 4,3 metros do Observatório de Montpellier. Lenormand aterrissou sem nenhum arranhão.
 
Isso entusiasmou a Academia de Ciências da França a investir em sua invenção, o pára-quedas, que, no final, acabou não sendo usado em incêndios, mas foi incorporado ao avião, inventado mais de 100 anos depois.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 117. São Paulo: Editora Abril. Junho de 1997. p. 106.
 
* * *
 
RÁDIO PIRATEADA
 
Em 1939, o americano Edwin Armstrong (1890-1954) gastou suas economias construindo uma emissora experimental só para provar a qualidade do rádio de freqüência modulada, ou FM, que havia inventado seis anos antes.
 
Na época, uma música ou uma voz só eram transmitidos em ondas de rádio que variavam de amplitude ou força. É o sistema das emissoras AM, sujeito a ruidosas interferências. Para produzir um som de alta fidelidade, Armstrong mostrou que o melhor era variar a freqüência, o número de ondas por segundo.
 
Ninguém se interessou, a não ser o Exército, que usou as ondas de Armstrong durante a Segunda Guerra Mundial. Depois disso, o rádio FM se popularizou nos anos 50 sem que seu inventor recebesse um tostão. Sua família acabou faturando 20 milhões de dólares, graças a uma longa briga judicial com as emissoras de FM.
 
Armstrong, porém, não viu a cor do dinheiro porque, desgostoso com a pirataria, se suicidou em 1954.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Julho de 1997. p. 106.
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29/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXIX

 

DENTRO DO ARMÁRIO
 
Em 1930, o físico americano Chester Carlson (1906-1968) estava endividado. Não conseguia emprego em sua área. Até porque tinha sido um dos piores alunos de sua turma. Vivia sonado porque passava os dias fazendo faxina para sustentar os pais tuberculosos.
 
Sem saída, aceitou a vaga de auxiliar de escritório em uma firma de eletrônica nova-iorquina. Então, percebeu a necessidade de um aparelho para copiar documentos. Na época, os textos eram copiados com papel carbono ou eram fotografados por meio de um processo caro.
 
Motivado, Carlson transformou o armário embutido de seu apartamento de um cômodo em um laboratório reduzido. Ali, criou a máquina xerográfica em 1939, mas ficou até 1944 tentando convencer alguma grande empresa a fabricá-la. Até que uma pequena firma, a Companhia Haloid, deu crédito para a engenhoca.
 
Mesmo assim, como os jornais chamavam o invento de brinquedo, a primeira fotocopiadora só seria lançada em 1947.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 113. São Paulo: Editora Abril. Fevereiro de 1997. p. 90.
 
* * *
 
TIJOLOS CELULARES
 
O jovem advogado alemão Matthias Jacob Schleiden (1804-1881) andava deprimido com a sua profissão. Tentou o suicídio com um tiro. Como sobreviveu, decidiu mudar de carreira. Aos 27 anos, começou a estudar ciências naturais. Acabou se tornando um eminente botânico descobrindo que os vegetais são constituídos de células.
 
Hoje isso parece óbvio. Em 1838, quando Schleiden anunciou o fato, foi o maior auê. As células eram conhecidas desde o século XVII, mas achava-se que elas só faziam parte dos animais. Os cientistas diziam que as plantas eram formadas por tecidos contínuos. Schleiden contestou essa idéia, afirmando que os vegetais são inteiramente formados por tijolos microscópicos, as células.
 
Muitos botânicos duvidaram. A turma a favor de Schleiden passou duas décadas fazendo pesquisas até provar que ele tinha razão. Esses estudos foram o embrião da Citologia, a área da ciência que investiga as células.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 114. São Paulo: Editora Abril. Março de 1997. p. 90.
 
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CÉREBRO A PRESSÃO
 
Na época do engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858-1913), o motor a vapor simbolizava o progresso. Mas só 10% do calor liberado na queima do carvão virava energia mecânica para uma máquina trabalhar.
 
Desde 1878, quando estudava na Escola Técnica de Munique, Diesel ficou obcecado pela idéia de criar um motor que aproveitasse quase 100% do calor. Passou a dormir só três horas por noite. Apesar da dedicação absurda, só em 1897 foi que ele chegou ao protótipo do motor que leva o seu nome, o diesel.
 
Foi um sucesso. Nele, o ar é comprimido em um cilindro até alcançar temperatura suficiente para provocar a ignição do combustível injetado ali. A queima desse combustível faz o ar se expandir novamente, movimentando o pistão do motor.
 
Depois dessa vitória, Diesel passou quase um ano em uma casa de repouso. Foi a primeira de cinco internações, já que sempre parava no sanatório depois de um ou outro aperfeiçoamento em sua invenção.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 115. São Paulo: Editora Abril. Abril de 1997. p. 98.
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22/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXVIII

O RESUMO DA FAMA
 
George Papanicolaou (1883-1962) nasceu em Coumi, uma vila grega, mas formou-se médico em Munique, na Alemanha.
 
Resolveu refazer as malas em 1910, porque achava que os Estados Unidos eram a terra das oportunidades. Mas, ao chegar a Nova York, só conseguiu vender tapetes.
 
Levou um ano até arrumar trabalho como assistente de laboratório na Universidade Cornell. Ali, Papanicolaou acabou professor.
 
Em 1923, ele estudava as mudanças provocadas pelos hormônios no útero. Para isso, analisava as secreções uterinas de pacientes. Foi então que viu uma amostra diferente, cheia de células deformadas. Ela pertencia a uma voluntária com câncer. O pesquisador grego fez o mesmo exame em outras doentes e concluiu que aquele tipo de análise diagnosticava tumores. Escreveu mais de 100 páginas sobre o assunto e distribuiu o texto durante um encontro médico, em 1928. Mas nenhum colega se entusiasmou com a leitura.
 
Papanicolaou só despertou o interesse dos médicos para o exame que leva o seu nome — e que até hoje é considerado o melhor jeito de prevenir o câncer de colo uterino — quando resumiu o trabalho para oito páginas, em 1943.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 110. São Paulo: Editora Abril. Novembro de 1996. p. 90.
 
* * *
 
INVENTOR NUMA FRIA
 
O médico americano John Gorrie (1803-1855) trabalhava em Apalachicola, cidade portuária da Flórida, onde o clima era escaldante. Para melhorar as condições de marinheiros com febre amarela, ele pendurava sacos de gelo nas enfermarias. Mas o produto, retirado de lagos distantes congelados no inverno, era caríssimo. Por isso, o médico resolveu usar seus conhecimentos de físico amador.
 
Em 1850, aos 47 anos de idade, ele criou um reservatório de água ligado a um pistão que, comprimindo e descomprimindo o ar, roubava o calor interno. Assim, em uma só tacada, Gorrie criou o sistema de refrigeração que daria origem ao ar-condicionado e à geladeira.
 
No entanto, nenhum banco financiou o seu projeto. Os principais jornais americanos ridicularizavam o inventor. Gorrie morreu pobre e desacreditado em 1855.
 
Cinco anos mais tarde, seu equipamento foi instalado com sucesso em navios, para transportar carne da Austrália até a Inglaterra.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 111 São Paulo: Editora Abril. Dezembro de 1996. p. 90.
 
* * *
 
PINCEL E BISTURI
 
Em 1917, o artista inglês Henry Tonks (1862-1937) era professor da Escola Slade de Belas Artes, em Londres.
 
Ele instruía um de seus alunos, o pintor irlandês William Open (1878-1931), que mais tarde se tornaria um dos maiores retratistas da Grã-Bretanha, quando recebeu uma visita inusitada. Era um comitê do Queen’s Hospital lhe propondo uma troca de emprego.
 
 Tonks havia se formado em cirutgia 29 anos antes. Mas logo largou a medicina para se dedicar à arte. O objetivo do hospital, porém, era fazê-lo acompanhar o cirurgião neozelandês Sir Harold Gillies, que estava inventando técnicas cirúrgicas para reparar danos em soldados mutilados durante a I Guerra Mundial. A função de Tonks seria traçar desenhos dos pacientes deformados e de como eles poderiam ficar depois da ação do bisturi.
 
Tonks topou. Seus retratos orientaram Gillies. A dupla é considerada a criadora da cirurgia plástica moderna.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 112 São Paulo: Editora Abril. Janeiro de 1997. p. 90.
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EVOLUÇÃO EM DESTAQUE XXVII

 

EUA: encontradas as pegadas mais antigas do mundo
 
Cientistas americanos encontraram as pegadas fossilizadas de patas de um pequeno animal de 570 milhões de anos, as mais antigas descobertas até hoje, informa um estudo divulgado neste domingo nos Estados Unidos.
 
As pegadas fossilizadas, deixadas por um animal aquático sobre uma camada de sedimentos em Nevada, mostram que animais com patas caminhavam sobre o planeta pelo menos 30 milhões de anos antes do que se estimava, destaca Loren Babcock, professora de Biologia na Universidade de Ohio.
 
Babcock é a coordenadora do estudo apresentado na conferência da Geological Society of America, que acontece este fim de semana em Houston, Texas.
 
Os cientistas acreditavam que os organismos que viviam na terra durante o período Pré-Cambriano eram principalmente micróbios e simples animais multicelulares.
 
As pegadas são vistas como duas fileiras paralelas de pequenas marcas de 2 mm de diâmetro cada um e datam de 570 milhões de anos, que corresponde ao período do Ediacariano (-630 milhões a -542 milhões de anos) que precede o Cambriano.
 
Este último período marcou a aparição e evolução da maioria dos principais grupos de animais.
 
"Continuamos vendo a possibilidade de que existiam animais mais complexos durante o período Ediacariano como corais brandos e vermes chatos, mas os indícios não são de todo convincentes", disse Babcock.
 
"No entanto, a descoberta de indícios como as pegadas de um animal com patas torna esta possibilidade muito mais provável", acrescentou.
 
A cientista se disse "razoavelmente segura" de que o fóssil é de uma espécie de centopéia ou um verme de patas cujo corpo devia medir 1 cm de largura. Um fóssil de tal animal seria uma prova irrefutável da existência, durante este período, de animais biologicamente complexos, destacou.
 
Badcock, que afirmou ter feito a descoberta por acaso, seguirá rastreando a região do oeste de Nevada.
 
Segundo ela outros locais potencialmente propícios para a descoberta de fósseis de animais da era Ediacariana seriam a região do Mar Branco na Rússia, o sul da Austrália e a Namíbia, onde fósseis de organismos simples do mesmo período já foram encontrados.
 
Fonte:
 
 
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Estudo: bactéria dá pista sobre vida fora da Terra
 
Cientistas americanos descobriram na África do Sul um minúsculo organismo que vive inteiramente isolado, sem oxigênio e na escuridão total das profundezas da Terra. Acredita-se que a descoberta da bactéria, descrita na edição desta sexta-feira da revista científica Science, tenha identificado a criatura mais solitária do planeta e forneça pistas sobre como seria possível haver vida em outros planetas.
 
A bactéria foi batizada de Candidatus desulforudis audaxviator, em referência a uma citação em latim contida no livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne. A referência encontrada pelo personagem-herói, um "viajante audaz" (audax viator), termina inspirando-o a empreender a jornada.
 
A C. d. audaxviator foi encontrada imersa em água em uma mina de ouro na África do Sul por uma equipe do Laboratório Nacional de Berkeley, da Califórnia (Estados Unidos). Cientistas dizem que a bactéria é "completamente auto-suficiente" - é composta dos elementos que a circundam, incluindo carbono e nitrogênio, retira energia do hidrogênio e do sulfato e se reproduz dividindo a si mesma.
 
"Isso é algo que sempre especulamos. Mas encontrar isso aqui na Terra é a confirmação da idéia de que se pode, na verdade, condensar os elementos originais de todo um ecossistema em um único genoma", afirmou um dos pesquisadores, Dylan Chivian.
 
Primórdios
 
Os cientistas afirmam que a bactéria compõe 99,9% dos organismos que habitam a falha na qual foi encontrada - ou seja, vive completamente isolada de outras criaturas, em um ambiente quente, escuro e com oxigênio rarefeito.
 
Chivian diz que a descoberta pode dar pistas sobre como eventuais organismos vivos poderiam sobreviver em planetas que, diferente da Terra, não contêm grande oferta de oxigênio. "Em seus primórdios, a Terra e outros planetas não possuíam muito oxigênio, e a vida evoluiu para encontrar maneiras de obter energia", afirmou Chivian.
 
"Se um dia descobrirmos a vida em outros planetas, pode muito bem ocorrer de (os organismos) viverem sem oxigênio, extraindo sua energia de elementos químicos como o sulfato."
 
Fonte:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3248556-EI8147,00-Estudo+bacteria+da+pista+sobre+vida+fora+da+Terra.html

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15/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA” XXVII

 

ALTA VELOCIDADE
 
No final de 1976, o físico e matemático americano John Smoot, da Universidade da Califórnia, media as diferenças de radiação cósmica em vários pontos do Universo com os dados de meia dúzia de vôos do avião U-2. Então, desconcertado, concluiu que não só toda a nossa galáxia está em rotação como se move a cerca de estonteantes 600 quilômetros por segundo.
 
Em 1977, mais confiante nos resultados, o cientista apresentou a descoberta durante a reunião da Sociedade Americana de Física, mas só teve 5 minutos para falar e ninguém lhe deu muita bola. Seis meses depois, insistiu em mostrar os mesmos dados para a Sociedade Americana de Astronomia, que também não o levou a sério.
 
Dez anos mais tarde, em 1986, sete pesquisadores — cinco americanos, um inglês e um argentino —, apelidados de os Sete Samurais, “descobriram” que, de fato, a nossa galáxia se desloca a 2,2 milhões de quilômetros por hora. Smoot estava certo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 107 São Paulo: Editora Abril. Agosto de 1996. p. 90.
 
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GUERRA NA COZINHA
 
Em 1939, ingleses e americanos fabricaram os primeiros radares de longo alcance graças ao aparecimento do magnétron.
 
Esse dispositivo eletrônico, capaz de gerar microondas, começou a ser estudado pelas indústrias de guerra e talvez se restringisse a esse campo se o engenheiro eletrônico americano Percy Lebaron Spencer (1894-1970) não adorasse chocolate.
 
Fabricante de equipamentos bélicos, Spencer passou uma manhã de 1946 trabalhando em uma sala onde havia um magnétron. Deixou seus bombons ao lado do equipamento e, quando bateu a fome, viu que o chocolate estava derretido, apesar de a temperatura ambiente ser fria. Intrigado, no dia seguinte Spencer trouxe milho. Minutos depois, havia pipoca por todo o laboratório.
 
O engenheiro fez várias experiências culinárias até criar os fornos de microondas em 1952. Mas o lançamento encalhou nas lojas. As donas de casa não acreditavam que algo usado na guerra fosse inofensivo na cozinha.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 108 São Paulo: Editora Abril. Setembro de 1996. p. 90.
 
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SEDA NO CHÃO
 
Hilaire Chardonnet (1839-1924) era um estudante de Química em Paris quando, em 1865, auxiliou ninguém menos do que Louis Pasteur em um estudo sobre as doenças do bicho-da-seda.
 
Na época, Chardonnet comentou que seria ótimo se a seda pudesse ser substituída por um tecido artificial.
 
— Se isso fosse fácil, meu caro, não estaríamos perdendo tanto tempo com a saúde desses bichinhos — respondeu Pasteur.
 
 O rapaz teria esquecido o assunto se, treze anos depois, enquanto revelava filmes em uma sala escura, não tivesse derrubado no chão um vidro com colódio, ingrediente de lacas e vernizes. Não quis interromper a tarefa na hora e quando foi limpar a sujeira o líquido já tinha evaporado. No lugar dele ficaram uns fios sedosos.
 
A partir do incidente, Chardonnet passou seis anos desenvolvendo a seda artificial, que mais tarde chamaria raiom. Só em outubro de 1891, porém, é que convenceu as indústrias a fazer roupas com o tecido sintético.
 

FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 109 São Paulo: Editora Abril. Outubro de 1996. p. 90.

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EVOLUÇÃO EM DESTAQUE XXVI

Hobbit
 
21/09/2007 - 10h30
 
Osso da mão confirma status de "hobbit", homem-anão da Indonésia
 
GIOVANA GIRARDI
Colaboração com a Folha de S.Paulo
 
A história do "hobbit", o hominídeo-anão que foi encontrado na ilha de Flores, na Indonésia, está cada vez mais digna de Tolkien –autor que imortalizou os pequeninos na série "O Senhor dos Anéis".
 
Assim como os personagens da saga, ele já foi e voltou diversas vezes. O vaivém aqui se refere às discussões em torno da sua classificação. Originalmente identificado como uma espécie nova –Homo floresiensis–, ele chegou a ser rebaixado por alguns a humano moderno com alguma malformação. Agora, um novo estudo vem lhe confirmar o status de espécie.
 
A partir da análise de três ossos do punho esquerdo de um dos esqueletos achados há quatro anos, uma equipe internacional de pesquisadores afirma ter encontrado evidências para dizer que se trata mesmo de um novo tipo de hominídeo.
 
Segundo a equipe, liderada por Matthew Tocheri, do Instituto Smithsonian, o formato do pulso do "hobbit" é bem mais primitivo que o dos humanos modernos, assemelhando-se mais ao de grandes macacos e primeiros hominídeos. Essas características, de acordo com o grupo, não são observadas em neandertais e no Homo sapiens. Os cientistas dizem que essa é uma evidência de que os dois últimos compartilham um ancestral que o primeiro não teve.
 
A equipe, que publica seu trabalho na revista "Science" (www.sciencemag.org), inovou nas análises que vinham sendo feitas até então ao deixar de lado o crânio do pequeno hominídeo –objeto de estudo dos trabalhos anteriores.
 
"Os ossos do punho oferecem uma visão nova e são bastante úteis, uma vez que essa área anatômica é muito diferente em humanos modernos e nos mais antigos, como o Australopithecus (o melhor exemplo é Lucy) e o Homo habilis", explicou Tocheri à Folha.
"Além disso, não é conhecida nenhuma deformação ou doença que seja capaz de transformar o pulso de um humano moderno no de um chimpanzé", complementa, justificando por que essa característica é um indicativo de que se trata de uma espécie diferente.
Fim de caso?
 
Tocheri deu essa resposta para rebater os trabalhos que propõem a malformação. O principal defensor dessa idéia é o paleoantropólogo indonésio Teuku Jacob, que diz que o "hobbit" era apenas um homem moderno com microcefalia.
 
"Enquanto a equipe de Jacob argumenta isso, eles não oferecem nenhuma explicação para o pulso primitivo do hobbit. Ele tinha um crânio pequeno e um pulso primitivo porque era de uma espécie primitiva de hominídeo. Para mim, a controvérsia acabou", disse Tocheri.
 
Não é o que pensa Robert Eckhardt, que escreveu com Jacob um artigo na "PNAS" com evidências da sua teoria. "O trabalho de Tocheri e colegas segue o mesmo padrão que caracterizou a publicação de Peter Brown [o descobrir da ossada]. Eles pegam um aspecto da anatomia que é único e usam isso para justificar que é uma nova espécie. Mas quando uma evidência é derrubada, eles ignoram isso e buscam uma nova característica", disse à Folha.
 
* * *
 
Grupo encontra rochas de quase 4,3 bilhões de anos no Canadá
 
Se confirmada, data será a mais próxima até agora do nascimento do planeta
 
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL
 
Pesquisadores acharam na baía de Hudson, no interior do Canadá, aquelas que podem ser as rochas mais velhas da Terra -ou ao menos, o pedaço mais antigo da crosta do planeta derivado de outra parte antiga, com quase 4,3 bilhões de anos.
 
Se confirmada, a data é a mais próxima até agora da origem não só da crosta rochosa da superfície da Terra, como do próprio nascimento do planeta. Os pesquisadores estimam que a Terra tenha em torno de 4,6 bilhões de anos.
 
"Essas rochas do norte de Québec ou têm 4,2 bilhões ou 4,28 bilhões de anos, ou são derivadas de um manto que é realmente antigo -por assim dizer, o "manto perdido" que nós achamos que deveria estar lá, e que nós agora encontramos, caso sejam mais jovens que 4,2 bilhões de anos", diz o pesquisador Jonathan O’Neil, da Universidade McGill, de Montréal, Canadá. O manto é a camada do interior do planeta entre a crosta e o núcleo.
 
O cinturão rochoso de Nuvvuagittuq foi primeiro observado como potencialmente antigo em 2001. Quatro pesquisadores do Canadá e dos EUA analisaram agora a composição de isótopos (variantes com diferentes massas atômicas) dos elementos químicos samário e neodímio das rochas para checar sua idade, e descreveram o achado na edição de hoje da revista científica "Science".
 
O estudo envolveu uma "radiatividade extinta", de vida curta, no caso do isótopo samário-146, que não existe mais na Terra, tendo "decaído" (perdendo a radiação e se transformado) em neodímio-142.
 
 "Se a idade aparente de 4,28 bilhões de anos é geologicamente significativa, o material formador dessa rocha passa a ser o mais antigo conhecido. Até o presente a rocha mais antiga datada é o gnaisse acasta, também do Canadá, com 4,03 bilhões de anos. Só que o gnaisse acasta foi datado com método mais robusto", afirma o pesquisador brasileiro Umberto Cordani, da Universidade de São Paulo, e também especialista em rochas antigas.
 
"O importante não é a idade, e sim o conhecimento sobre o que aconteceu nos primórdios do planeta", afirma Cordani.
 
Rochas com quase 4 bilhões de anos são raras. No Brasil, as mais antigas estão no interior da Bahia e têm em torno de 3,5 bilhões, diz o professor da USP.
 
Fonte: Folha de S. Paulo, 26 de setembro de 2008
 
* * *
 
Grupo acha dinossauro com sistema respiratório de ave
 
DA REUTERS
 
Cientistas anunciaram ontem a descoberta do fóssil de um dinossauro carnívoro com um sistema respiratório semelhante ao de aves modernas. O animal fortalece a ligação evolutiva entre os dois grupos e ajuda a explicar por que pássaros respiram de maneira tão diferente dos outros vertebrados.
 
Ossos fossilizados do animal de 85 milhões de anos foram encontrados às margens do rio Colorado, na província de Mendoza, na Argentina. Os argentinos e americanos autores da descoberta batizaram o dinossauro com o nome científico Aerosteon riocoloradensis. Um estudo na revista "PLoS One" descreve o fóssil em detalhes.
 
O animal tinha uma estrutura óssea que deveria abrigar bolsas de ar, que funcionavam como um fole, bombeando ar para os pulmões.
 
Fonte: Folha de S. Paulo, 30 de setembro de 2008
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8/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXVI

 

DEMISSÃO INJUSTA
 
Em 1860, em uma das alas da maternidade do Hospital Geral de Viena, na Áustria, 30% das grávidas morriam de febre. Em outra ala, porém, a taxa de mortalidade era dez vezes menor.
 
O médico húngaro Ignaz Semmeloweis, que trabalhava ali, matou a charada quando examinou o corpo de um colega, que havia morrido depois de ter se cortado em uma autópsia.
 
Semmelweis lembrou que a ala problemática era atendida por estudantes, que iam para lá depois de dissecarem cadáveres. Concluiu que eles traziam consigo algum agente de doença. Então, obrigou que lavassem as mãos antes de visitarem as grávidas.
 
Os casos de febre diminuíram e Semmelweis, entusiasmado, passou a exigir a desinfecção dos instrumentos, algo que nenhum hospital praticava. Foi demitido.
 
Voltou para a Hungria, onde morreu de infecção após cortar o dedo, aos 47 anos, em 1865, ano em que o cientista francês Louis Pasteur provou a importância da assepsia para evitar contaminações.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 104 São Paulo: Editora Abril. Maio de 1996. p. 90.
 
* * *
 
BERROS DE EINSTEIN
 
Georges Lemaître (1894-1966) era um padre e físico belga que em 1925 foi estagiar nos Estados Unidos.
 
De volta ao seu país, em 1927, criou uma fórmula para calcular a velocidade de afastamento das galáxias, expostas em uma conferência em Bruxelas. No final dessa apresentação, o gênio alemão Albert Einstein, que estava presente, gritou:
 
— Sua Física é abominável.
 
Sem desanimar, Lemaître continuou na carreira, estudando a origem do universo.
 
Três anos depois, formulou a hipótese de que todas as galáxias já tinham estado unidas em um único ponto, chamado átomo primordial. A explosão desse átomo seria o Grande Barulho. Foi outra vez ridicularizado por colegas que apelidaram sua teoria de Big Bang. Hoje ela é uma dos pilares da Cosmologia.
 
Em 1933, ao ouvir uma nova palestra de Lemaître, Einstein aplaudiu de pé.
 
— Belo trabalho — berrou da platéia.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 105 São Paulo: Editora Abril. Junho de 1996. p. 90.
 
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RÃS DE CUECAS
 
Entre os séculos XVII e XVIII surgiram vários estudos sobre a reprodução das espécies. Mas, para os cientistas da época, o esperma do macho era um reles coadjuvante no processo. Ele no máximo detonaria o crescimento do embrião já existente no óvulo da fêmea, liberando cheiros fortes e vapores.
 
Quem desfez a confusão foi o fisiologista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-1799). Em 1770, ele próprio costurou cuecas de couro preto sob medida para rãs. A vestimenta retinha o esperma dos machos que tentavam fecundar as fêmeas. Com essas amostras, o cientista realizou a primeira fecundação artificial.
 
Nos cinco anos seguintes, Spallanzani tentou fecundar outras rãs com várias substâncias com cheiro forte. Testou desde suco de laranja até essência de açafrão. E concluiu que nada, a não ser o esperma, causava a reprodução. E não bastava o esperma estar por perto, liberando supostos odores, mas era preciso o contato direto entre ele e o óvulo.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 106 São Paulo: Editora Abril. Julho de 1996. p. 106.
criado por André Marcon    12:39 — Arquivado em: ciência — Tags:, , ,

EVOLUÇÃO EM DESTAQUE XXV

Não é ilusão: a evolução pode favorecer os genes da esquizofrenia
 
Nova pesquisa revela que os genes relacionados à doença debilitadora podem trazer também vantagens para o desenvolvimento
 
Após analisar o DNA humano de várias populações em todo o mundo e examinar genomas de primatas até o ancestral em comum do homem e do chimpanzé, os pesquisadores chegaram à surpreendente conclusão de que muitas variantes gênicas ligadas à esquizofrenia na verdade foram selecionadas ao longo da evolução e permaneceram praticamente inalteradas, o que indica que devem trazer algum tipo de vantagem.
 
 
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Pioneiro na migração da África foi Homo erectus, diz cientista
 
RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo
 
Depois de crânios, foram achados outros ossos dos mais antigos humanos a viverem fora da África, no sítio de Dmanisi, Geórgia. O esqueleto mais completo mostra, no entanto, que esses pioneiros não eram tão humanos como se pensava.
 
Os fósseis de Homo erectus de 1,77 milhão de anos de Dmanisi têm características primitivas que lembram os ancestrais "homens-macaco", os australopitecinos –como corpo e cérebros pequenos, ou a forma dos braços. Tinham em média 1,5 metro de altura.
Mas também têm uma morfologia moderna das pernas e "indicativa da capacidade de viajar longas distâncias", afirmaram os autores da descoberta, relatada na edição de hoje da revista científica "Nature" por David Lordkipanidze, do Museu Nacional da Geórgia, e mais 17 colegas.
 
O Homo erectus é a primeira espécie conhecida do gênero humano a migrar da África para a Ásia e a Europa.
 
Leia mais em:
 
 
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Velociraptor tinha penas
 
21/09/2007
 
Agência FAPESP – Há tempos se sabe que muitos dinossauros tinham penas, mas agora a semelhança com as aves acaba de ser estendida a um dos mais famosos dos extintos animais, o velociraptor.
 
Diferente da besta feroz que aterrorizou as platéias do filme O parque dos dinossauros, o velociraptor em questão era menor e plumado. Pelo menos em parte, como aponta um artigo publicado na edição de 21 de setembro da revista Science.
 

1/11/08

“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXV

FALTOU AR
 
O químico Carl Wilhelm Scheele (1742-1786), morando no interior da Suécia e trabalhando sozinho no fundo de uma farmácia, descobriu, em poucos anos de vida, dezenas de substâncias importantes, como a vitamina C, o ácido lático e a glicerina.
 
Mandava seus trabalhos para a Real Academia de Ciências, em Estocolmo, mas publicou apenas um livro. Nele, fica claro que Scheele havia chegado muito perto de uma outra descoberta fundamental.
 
Em 1772 ele desenvolveu um gás que, colocados em um recipiente fechado junto com uma madeira, tornava possível queimá-la. E, quando o gás acabava, o fogo se extinguia.
 
Dois anos depois, trabalhando sem conhecimento das experiências de Scheele, o físico inglês Joseph Priestley identificou o tal gás como sendo nada menos que o oxigênio.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 101. São Paulo: Editora Abril. Fevereiro de 1996. p. 90.
 
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E DARWIN NEM LEU…
 
O monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884) observou que, cruzando um pé de ervilha alto com outro alto, o resultado era uma planta grande. Já plantas baixas geravam pés pequenos. Mas a combinação dos dois tipos criava ora descendentes baixos, ora descendentes altos.
 
A partir disso, ele afirmou que as características eram herdadas por dois fatores, masculino e feminino. No caso, um dos fatores seria dominante, inibindo o outro que chamou de recessivo.
 
Hoje o conceito de genes recessivos e dominantes é uma das bases da Genética mas, em sua época, Mendel foi solenemente ignorado. Ele escreveu até para Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies, e recebeu a resposta de que o naturalista inglês estava “ocupado para examinar suas idéias”.
 
O monge publicou o artigo em 1865. Ninguém deu atenção. O trabalho só voltou à tona em 1910, graças ao biólogo americano Thomas Morgan, que o usou para explicar sua teoria de que os cromossomos eram os responsáveis pela hereditariedade.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 102. São Paulo: Editora Abril. Março de 1996. p. 90.
 
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RAIOS QUE O PROVEM
 
O físico e químico dinamarquês Hans Christian Oersted (1777-1851) descobriu que uma corrente elétrica criava um campo magnético como o dos ímãs. Em sua época, achava-se que a eletricidade não tinha nada a ver com o magnetismo. Mas, no final de 1820, Oersted passou a duvidar disso.
 
 Sua suspeita começou quando dava uma aula na Universidade de Copenhague. Ele queria ensinar como provocar eletricidade juntando dois pólos opostos. Mal fez isso, viu mexer o ponteiro magnético de uma bússola que estava na mesa por acaso.
 
A reação dos outros professores foi de zombaria quando Oersted lhes contou o ocorrido. Mas, curioso, o cientista repetiu a experiência, tirando proveito das tempestades, freqüentes no inverno e seu país. Várias vezes, saiu na chuva com uma bússola e sempre que caía um raio — que é uma corrente elétrica — o ponteiro se movia.
 
Assim, provou a existência de campos eletromagnéticos.
 
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 103 São Paulo: Editora Abril. Abril de 1996. p. 90.
criado por André Marcon    15:35 — Arquivado em: ciência — Tags:, , ,
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