6/12/08
“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXX
HERANÇA ANTECIPADA
Nos tempos de estudante do bioquímico suíço Johann Friedrich Miesscher (1844-1895), seus professores já sabiam que os genes tinham a ver com a hereditariedade. Mas não faziam a menor idéia de como eles transmitiam características de pai para filho, até porque não sabiam do que eram feitos.
Em 1868, estudando o pus de feridas, o jovem Miescher isolou uma substância que chamou de nucleína, porque desconfiava que era proveniente do núcleo das células. Cinco anos mais tarde, o cientista mostrou que ela era, na verdade, um ácido, hoje conhecido por ácido desoxirribonucléico, o popular DNA, que forma os genes.
Apesar de ter conseguido prestígio na carreira, Miescher morreu aos 51 anos, muitos anos antes de ver a substância descoberta por ele ser responsabilizada pelas características herdadas.
Afinal, isso só ficou provado em 1946 por cientistas americanos do Instituto Rockfeller em Nova York.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 116. São Paulo: Editora Abril. Maio de 1997. p. 98.
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BOMBEIRO DO AR
Tudo o que o engenheiro francês Louis-Sebastien Lenormand (1757-1839) queria era criar um dispositivo antiincêndio para as pessoas escaparem de edifícios em chamas. Ele sonhava vê-las saltando pelas janelas e chegando sãs e salvas ao chão. Por isso, em 1783 Lenormand se dedicou a estudos de aerodinâmica.
Chegou à conclusão de que algo como um guarda-chuva gigante poderia vencer a força da gravidade e resolveu provar sua tese. Por garantia, usou dois guarda-chuvas desses, um em cada mão, para pular do alto de uma árvore diante de outros cientistas. Como a experiência deu certo, decidiu ousar mais. Em dezembro do mesmo ano, saltou de uma altura de 4,3 metros do Observatório de Montpellier. Lenormand aterrissou sem nenhum arranhão.
Isso entusiasmou a Academia de Ciências da França a investir em sua invenção, o pára-quedas, que, no final, acabou não sendo usado em incêndios, mas foi incorporado ao avião, inventado mais de 100 anos depois.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 117. São Paulo: Editora Abril. Junho de 1997. p. 106.
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RÁDIO PIRATEADA
Em 1939, o americano Edwin Armstrong (1890-1954) gastou suas economias construindo uma emissora experimental só para provar a qualidade do rádio de freqüência modulada, ou FM, que havia inventado seis anos antes.
Na época, uma música ou uma voz só eram transmitidos em ondas de rádio que variavam de amplitude ou força. É o sistema das emissoras AM, sujeito a ruidosas interferências. Para produzir um som de alta fidelidade, Armstrong mostrou que o melhor era variar a freqüência, o número de ondas por segundo.
Ninguém se interessou, a não ser o Exército, que usou as ondas de Armstrong durante a Segunda Guerra Mundial. Depois disso, o rádio FM se popularizou nos anos 50 sem que seu inventor recebesse um tostão. Sua família acabou faturando 20 milhões de dólares, graças a uma longa briga judicial com as emissoras de FM.
Armstrong, porém, não viu a cor do dinheiro porque, desgostoso com a pirataria, se suicidou em 1954.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 118. São Paulo: Editora Abril. Julho de 1997. p. 106.
criado por André Marcon
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