29/11/08
“CAUSOS” DA CIÊNCIA XXIX
DENTRO DO ARMÁRIO
Em 1930, o físico americano Chester Carlson (1906-1968) estava endividado. Não conseguia emprego em sua área. Até porque tinha sido um dos piores alunos de sua turma. Vivia sonado porque passava os dias fazendo faxina para sustentar os pais tuberculosos.
Sem saída, aceitou a vaga de auxiliar de escritório em uma firma de eletrônica nova-iorquina. Então, percebeu a necessidade de um aparelho para copiar documentos. Na época, os textos eram copiados com papel carbono ou eram fotografados por meio de um processo caro.
Motivado, Carlson transformou o armário embutido de seu apartamento de um cômodo em um laboratório reduzido. Ali, criou a máquina xerográfica em 1939, mas ficou até 1944 tentando convencer alguma grande empresa a fabricá-la. Até que uma pequena firma, a Companhia Haloid, deu crédito para a engenhoca.
Mesmo assim, como os jornais chamavam o invento de brinquedo, a primeira fotocopiadora só seria lançada em 1947.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 113. São Paulo: Editora Abril. Fevereiro de 1997. p. 90.
* * *
TIJOLOS CELULARES
O jovem advogado alemão Matthias Jacob Schleiden (1804-1881) andava deprimido com a sua profissão. Tentou o suicídio com um tiro. Como sobreviveu, decidiu mudar de carreira. Aos 27 anos, começou a estudar ciências naturais. Acabou se tornando um eminente botânico descobrindo que os vegetais são constituídos de células.
Hoje isso parece óbvio. Em 1838, quando Schleiden anunciou o fato, foi o maior auê. As células eram conhecidas desde o século XVII, mas achava-se que elas só faziam parte dos animais. Os cientistas diziam que as plantas eram formadas por tecidos contínuos. Schleiden contestou essa idéia, afirmando que os vegetais são inteiramente formados por tijolos microscópicos, as células.
Muitos botânicos duvidaram. A turma a favor de Schleiden passou duas décadas fazendo pesquisas até provar que ele tinha razão. Esses estudos foram o embrião da Citologia, a área da ciência que investiga as células.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 114. São Paulo: Editora Abril. Março de 1997. p. 90.
* * *
CÉREBRO A PRESSÃO
Na época do engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858-1913), o motor a vapor simbolizava o progresso. Mas só 10% do calor liberado na queima do carvão virava energia mecânica para uma máquina trabalhar.
Desde 1878, quando estudava na Escola Técnica de Munique, Diesel ficou obcecado pela idéia de criar um motor que aproveitasse quase 100% do calor. Passou a dormir só três horas por noite. Apesar da dedicação absurda, só em 1897 foi que ele chegou ao protótipo do motor que leva o seu nome, o diesel.
Foi um sucesso. Nele, o ar é comprimido em um cilindro até alcançar temperatura suficiente para provocar a ignição do combustível injetado ali. A queima desse combustível faz o ar se expandir novamente, movimentando o pistão do motor.
Depois dessa vitória, Diesel passou quase um ano em uma casa de repouso. Foi a primeira de cinco internações, já que sempre parava no sanatório depois de um ou outro aperfeiçoamento em sua invenção.
FONTE: Seção Dito e Feito. In: Superinteressante. nº 115. São Paulo: Editora Abril. Abril de 1997. p. 98.
criado por André Marcon
12:10 — Arquivado em: 

