25/7/08
NA WEBCAM

Eleutério tem como hobby navegar na internet e conversar com garotas bonitas através de um desses programas de bate-papo instantâneo.
Como Eleutério sabe que o interlocutor é uma garota bonita e ainda se é mulher de fato?
Simples. Eleutério dá preferência para garotas que possuam câmera para internet e se disponham a mostrar como elas são através desse recurso, durante o bate-papo.
A coisa começa assim: primeiro Eleutério entra em uma sala de bate-papo pública à caça de garotas legais para conversar. Já no seu apelido ele deixa claro que está interessado em um bate-papo privativo com direito a imagem. Feita a sondagem e detectado o alvo, Eleutério parte para a abordagem usando de muita lábia. Atingido o objetivo, ocorre a troca de endereços de correio eletrônico e Eleutério adiciona a nova amiga em seu programa de bate-papo. Feito isso, finalmente ele entra em contato com a garota e, já no início da conversa solicita, na manha, que a garota transmita sua imagem para apreciação (é claro que tudo de modo carinhoso e cheio de cuidados). Em uma pequena janela no canto da tela, surge o rosto da garota que Eleutério só conhece através dos caracteres no monitor. “Essa promete”, pensa Eleutério consigo, após constatar os atributos da garota.
Permitam-me explicar: o jovem Eleutério não se contenta em apenas apreciar a tez da garota com quem conversa; ele quer sempre mais. Para isso, ele, também com uma câmera para internet, mostra a flor dos seus 18 anos e se insinua sensualmente para a garota, não imediatamente, é claro, mas em gotas, com sutileza, para não espantar a possível “presa”. E pra isso, dá-lhe chá de blá-blá-blá, galanteios, brincadeirinhas, caras e bocas, malícia para, enfim, quem sabe, ver os seios da garota ou, com muita sorte, o sexo.
Mas vale ressaltar uma coisa: apesar de que ver a garota nua seja o objetivo, Eleutério não dispensa o bate-papo em si, que, segundo ele, representa 80% da excitação que isso lhe proporciona.
Por quê? Ora, porque Eleutério considera a arte de despir uma garota à distância algo da mais alta distinção, uma vez que tal empreitada exige argúcia, perspicácia, paciência e um grande senso de oportunidade, sem as quais pode pôr tudo a perder. Enfim, este é um jogo onde vence quem tem mais capacidade mental. E isto Eleutério tem de sobra.
Foi usando de toda sua capacidade de persuasão que Eleutério convenceu Adalgisa a adicioná-lo em seu programa de bate-papo instantâneo e assim iniciar um bate-papo com imagem. E que imagem!
Adalgisa se revelou uma bela mulher de cabelos castanho-escuros e olhos igualmente castanhos e pele alva, como se nunca tivesse entrado em contato com Sol nenhum em toda sua vida. Seu modo de escrever denota cultura acima da média, mostrando que ela não é bonita só por fora. Sua mente revela-se à altura de beleza exterior. Eleutério fica animadíssimo com a nova descoberta.
Segue-se todo o ritual de envolvimento, visando contemplar aquela bela representante do belo sexo sem aqueles tecidos impertinentes que impedem a visão de um pedaço do paraíso, caso exista um. Eleutério dedica-se mais do que o habitual para atingir o objetivo. A nova presa mostra-se mais “antenada” e resistente que as demais com quem conversou, mas isso só deixa Eleutério mais motivado ainda.
Enfim, Adalgisa cede e insinua mostrar o bico de um dos seios. Faz charminho, mas enfim mostra. Depois mostra o outro seio. Tudo isso sem tirar a camiseta e o soutien.
Eleutério fica doido de tesão e, prodigalizando elogios, incita a bela garota a mostrar mais aquele belo corpo.
A garota se levanta, dá uma voltinha, exibindo o belo par de coxas e a bunda empinada com que a natureza lhe presenteou, e, súbito, com movimentos sensuais, desce o shorts e a calcinha, exibindo seu sexo depiladinho.
Eleutério não acredita no que vê. Neste momento ele pensa consigo mesmo o quanto valeu a pena tanto esforço. Aquela cena era a coroação de seu gênio e determinação. Mas, enquanto ele pensa nisso, convencido de que a garota pararia naquilo, eis algo que o deixa mais boquiaberto ainda:
Adalgisa, deitando-se languidamente na cama de frente para a câmera, arreganha as pernas e mostra seu sexo nitidamente para o agora totalmente atônito Eleutério. Depois, ela começa a alisar com a mão o seu sexo, fazendo movimentos ritmados e, por fim, introduz um dedo, depois dois, depois três dedos em sua vagina, em movimentos de vai-e-vem. Sentindo os dedos úmidos, ela os lambe voluptuosamente, como que saboreando fina iguaria.
A essa altura Eleutério já não digita nada. Está ocupado se masturbando freneticamente ante esta cena tão erótica, tão excitante. Ele não imaginava que esta garota, mostrando-se tão culta e reservada, lhe proporcionaria um espetáculo como aquele. Sem conseguir se conter, Eleutério ejacula e respinga esperma por todo seu abdômen.
Pegando a caixa de lenços de papel que deixa estrategicamente por perto para esses casos e começando a se limpar, Eleutério vê, na tela, algo estranho acontecendo com Adalgisa.
Parece que há mais alguém na tela, e esse alguém parece estar agredindo violentamente a pobre menina! Socos, tapas, puxões de orelha e de cabelos, movimentos bruscos impedindo que ela fuja, empurrões, gritos, e o rosto amedrontado de Adalgisa. O agressor, então, pega um pedaço de corda e laça o pescoço da garota e começa a estrangulá-la. Adalgisa põe a língua pra fora e reúne suas últimas forças para tentar se livrar do embaraço, mas, sem sucesso, perde a consciência e desaba no chão, sem vida.
Eleutério, branco que nem cera, não sabe o que fazer. “Seria o marido dela? Seria um marginal? Devo chamar a polícia?” torturava-se, aflito. “Mas não sei onde ela mora, nem seu nome verdadeiro. Neste meu jogo, dados reais não importam, logo, nada posso fazer. Chamar a polícia é inútil e, além do mais, me exporia, coisa que não quero”. Conclui e decide deixar aquilo pra lá. Buscando no cinismo o modo de se recuperar do susto, Eleutério arremata: “Cada um com seus problemas”.
Na tela, o assassino olha para a câmera, se aproxima e desliga o aparelho.
Do lado de lá, um riso até então represado explode e ocupa todo o cômodo. Adalgisa levanta-se, olha para seu cúmplice e, juntos riem num mesmo coro, fazendo chacota da cara de bosta feita por Eleutério na hora em que viu Adalgisa ser “morta”. Sentando-se diante do monitor, o homem checa a gravação do vídeo de Eleutério. Novamente racham o bico de dar risada com a cara dele na hora do “crime”.
Aquele seria mais um vídeo de reação ante o inesperado da coleção desse casal, cujo passatempo preferido é pregar peças nos desavisados da internet, principalmente nos tarados de plantão iguais a Eleutério, que, apesar de ter tal procedimento em alta conta, não passa de mais um punheteiro.
Checado o vídeo, o casal deixa o mundo virtual e se dedica ao mundo real, deitando-se na cama e praticando o sexo não dos sonhos, mas da realidade, tão vulgar e tão bela.
criado por André Marcon
20:43 — Arquivado em: 










