25/4/08
AJUDA MÚTUA

Em um bairro comum da zona leste da grande cidade, vivia Beatriz, linda morena de longos cabelos encaracolados e que era cobiçada por todos os rapazes do pedaço.
Mesmo sendo cortejada todos os dias, Beatriz não namorava ninguém.
Nesse mesmo bairro, na mesma rua em que Beatriz morava, vivia um moleque de 14 anos chamado Pedro.
De boné virado pra trás na cabeça e um skate surrado sob os pés, causava sensação entre a garotada do bairro com suas manobras ousadas e talento para xavecar qualquer um com sua lábia.
Pedro tinha amizade com praticamente todo o bairro, e foi essa peculiaridade que fez com que Beatriz se aproximasse dele para pedir-lhe um favor.
Beatriz sabia que Pedro era “chegado” de um rapaz boa-pinta chamado Augusto, que morava na rua logo abaixo da deles.
Beatriz estava gostando muito de Augusto, mas tinha vergonha de se aproximar diretamente dele. Por isso pediu ajuda a Pedro para que intercedesse por ela.
Pedro coçou a cabeça e disse que bancar o cupido não era o forte dele.
Beatriz insistiu e chegou a implorar para que Pedro a ajudasse.
“Ta bom” disse o rapazola “mas só faço se você me dar algo em troca”.
“Aí tem coisa” pensou Beatriz. Mas aceitou a proposta. “O que você quer?”
“Quero que me fale pra sua irmã Sueli que eu gosto dela e quero namorar ela” disse Pedro, sem pestanejar.
Sueli era a irmã mais nova de Beatriz.
“Sei, então terei que bancar o cupido de vocês dois” disse Beatriz.
“Uma mão lava a outra, filha. Eu banco o cupido de você e do Augustão e tu banca meu cupido com a tua irmã. Uma troca justa” conclui Pedro, com ar resoluto.
Beatriz cede e concorda com a proposta de Pedro. Feito isso, tudo dependeria do desempenho do moleque.
No final da semana seguinte, Pedro trás as boas novas: Augusto topara conhecer Beatriz e pediu para saber quando poderiam se encontrar.
Beatriz, num misto de nervosismo e empolgação, disse que podia ser naquela tarde, mesmo, em uma pracinha ali perto.
Mas, em compensação, conforme havia sido combinado, Beatriz teve que “vender o peixe” de Pedro para sua irmã caçula, Sueli. Para sua surpresa, a menina disse que já estava a fim de Pedro e que ficara muito feliz em saber que ele também gostava dela.
E foi assim que, num desses acasos que, de tão oportunos, chega a causar uma ponta de medo de que dure pouco, que cada um conseguiu se arranjar conforme desejavam.
Beatriz conquistou Augusto (ou foi conquistada por ele, vá lá) e Pedro pôde namorar Sueli, a irmã de Beatriz.
E ambos só não viveram felizes para sempre porque a vida é dura e, em tempos de só “ficar”, não há namoro que dure muito nem amor que nunca acabe.
criado por André Marcon
20:33 — Arquivado em: 













