PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

28/12/07

FRASES e IDÉIAS XI

Friedrich Dürrenmatt

 

"Alguns críticos me parecem com os astrônomos que só aceitam as estrelas bem formadas, como o Sol, mas negam uma supernova porque não compreendem como ela existe."
Friedrich Dürrenmatt
(1921-1990)
Dramaturgo alemão

"Para os físicos e os químicos, a chuva na Irlanda, o Mar Vermelho, o lago Titicaca e o orvalho nos parques têm algo em comum: sempre H2O."
Michel Tournier
(1924)
Escritor francês

"O caráter de um homem é seu destino."
Heráclito
(540 a.C. - 460 a.C.)
Filósofo grego

"A única coisa que se pode fazer para não envelhecer é não pensar que se está envelhecendo."
Katharine Hepburn
(1907-2003)
Atriz americana

"Sim, pode-se aniquilar um homem interiormente livre e que vive segundo sua consciência, mas não se pode reduzi-lo ao estado de escravo ou de instrumento cego."
Albert Einstein
(1879-1955)
Cientista alemão

"Não temo nossa extinção. O que realmente me assusta é que o homem arruíne o planeta antes de partir."
Loren Alseley
(1907-1977)
Antropólogo americano

"A humanidade tem uma moral dupla: uma que prega, mas não pratica, outra que pratica, mas não prega."
Bertrand Russell
(1872-1970)
Filósofo e matemático inglês

"O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma."
Stanislaw Jersy Lec
(1909-1966)
Escritor polonês

"O homem é um milagre químico que sonha."
Alfredo Conde
(1945)
Escritor espanhol

"O insignificante é tão importante quanto tudo o mais."
Walt Whitman
(1819-1892)
Poeta americano

criado por André Marcon    7:28 — Arquivado em: CITAÇÕES

24/12/07

FELIZ FERIADO!

 

Natal é aquela baixaria:

Ceia reunindo toda a família!

O cunhado quebrado e desempregado,

O tio que bebe e fica chato pra cacete,

As tias matraqueiras e fofoqueiras,

As primas gostosas que não dão mole pra ninguém,

A criançada, que bota a casa abaixo,

E a comilança e beberança desenfreada….

Pra terminar, sobra a bagunça pro anfitrião arrumar…¬¬

Mas apesar dos pesares, não é hora pra desanimar

Abra um sorriso e deseje a todos….

 

São os votos sinceros deste que escreveu merda desde Abril de 2006 e pretende escrever mais merda ainda em 2008!

Felicidades a todos!

André Maurício Marcon,

o Dark Night Hunter.

criado por André Marcon    22:23 — Arquivado em: HUMOR

ERA DEZEMBRO…

 

     José e Maria se conheceram na igreja.

     José flertava Maria discretamente. A cada culto, os dois trocavam olhares furtivos entre uma oração e outra.

     Finalmente, por intermédio de um amigo em comum, ambos foram apresentados. Sorrisos, gentilezas e alguns percalços depois, começaram a namorar.

     Era daqueles namoros ingênuos, embalados por ensinamentos bíblicos de conduta moral que não permitia libertinagens. Enfim, era daqueles namoros de contos de fadas, onde tudo é puro e belo.

     O tempo passou e José e Maria tornaram-se noivos, após cinco anos de namoro, os quais José não tocou Maria para mantê-la casta e pura para o matrimônio, que dizia ocorrer em breve, provavelmente em Dezembro.

     Foi aí que o inesperado aconteceu faltando poucas semanas para o casamento.

     Sentindo enjôos constantes, Maria parecia estar doente. Seus pais, preocupados, levaram-na ao médico, para fazer exames. Foi aí que uma bomba caiu sobre as cabeças daquela família.

     Maria estava grávida!

     Angustiados e cheios de vergonha, os pais de Maria pegaram a menina pelos braços e arrastaram-na até a casa de José. Bradavam que iriam exigir satisfações imediatas ao noivo, que faltara com o respeito para com Maria e, pior, violara a santa Lei de Deus.

     Maria, envergonhada e desesperada, guardava doloroso silêncio.

     Chegando à casa de José, a família de Maria reuniu-se à família de José para discutir sobre o ocorrido e decidir o futuro dos filhos.

     À medida que o pai furioso de Maria narrava os acontecimentos, os pais de José derramavam lágrimas angustiadas. José escutava estupefato a todas aquelas barbaridades.

     Quando o pai de Maria terminou a narrativa, José, com voz firme, disse:

     — Eu juro pela minha honra que esse filho que Maria, minha noiva, carrega em seu ventre, não é meu. Conforme a educação que recebi de meus pais e de nossa igreja, cumpri com os preceitos da decência e da moral e respeitei Maria em todos os momentos de nosso namoro desde o primeiro dia em que nos conhecemos.

     — Então está insinuando que minha filha é prostituta? Bradou o pai de Maria, furioso.

     — Dada as devidas circunstâncias, sim. — Disse José, surpreendendo a todos — Se Maria for mulher de bem confirmará que não faltei com o respeito em momento algum.

     Nesse ínterim, Maria permanecia calada, com as mãos cobrindo o rosto rubro de vergonha.

     — Isso é um absurdo! Quem mais além de você seria o pai dessa criança? Maria foi criada para ser uma mulher cristã em toda a acepção da palavra. Nunca descuidamos de sua criação e agora vem você insinuar que minha filha é adúltera?!

     — Sim, é um absurdo e estou tão pasmo com essa novidade quanto o senhor. De Maria essa era a última coisa que eu poderia esperar. Ainda mais faltando poucos dias para nosso casamento. Só Deus sabe o que passei para manter a pureza e a castidade de minha noiva e eis a recompensa que eu recebo! Grávida antes do casamento. E grávida de outro!

     Um silêncio que pareceu durar um século tomou conta daquela sala.

     Enfim, Maria, com voz trêmula, disse a José:

     — José, meu noivo, lembra que outro José, há muito tempo, teve por noiva uma outra Maria, que engravidou antes que se casassem e ambos passaram pela mesma angústia que passamos agora, mas ambos se uniram e tornaram-se o casal abençoado que criou o nosso Salvador?

     Essas palavras surpreenderam todos. José, com lágrimas nos olhos, falou:

     — Sim, Maria, eu me lembro. Mas aquela Maria engravidou do Espírito Santo de Deus porque fora predestinada a gerar o Verbo de Deus que naquele momento se faria carne. E sei que José passou pela incerteza de desposar Maria ou não, pois desconfiava que fora traído pela noiva. O anjo do Senhor apresentou-se a ele em sonho e o esclareceu sobre a gravidez de Maria. Assim, José desposou Maria e ambos criaram Jesus como se fosse seu filho legítimo.

     A essa altura todos choravam copiosamente. José continuou:

     — Mas isso aconteceu há muito e muito tempo atrás e nas Escrituras Sagradas nada consta de que isso voltaria a acontecer. Portanto, diferente daquele José que aceitou aquela Maria grávida antes de coabitarem, eu não poderei aceitar você, pois você não está grávida de nenhum Salvador e tampouco foi concebida sem pecado, como a Maria que gerou Jesus.

     Maria, quase desfalecendo, balbuciou:

     — Então, você…

     José completou:

     — Sim. Está tudo acabado entre nós. Você mostrou não ser digna de minha afeição e deve carregar seu fardo por toda a sua vida. E espero que essa terrível experiência sirva como um sinal de Deus para corrigi-la em seus atos e daqui pra frente ser, de fato, serva do Senhor e bênção para os seus. Agora saia da casa de meus pais. Nada mais tenho eu contigo.

     Cobertos de vergonha e ignomínia, Maria e seus pais saíram da casa de José, cabisbaixos. Deveriam, daquele dia em diante, pensar no herdeiro que estava por vir e decidir como contornar aquela situação embaraçosa.

     Nas ruas, as decorações natalinas e o tradicional presépio na praça da igreja matriz deixavam a cidade mais bonita e alegre, encantando os moradores e os turistas, exceto aquela família desventurada pelo triste destino que a aguardava.

     Para aquela família, assim como para a família de José, aquele Natal seria o mais triste de todos.

criado por André Marcon    11:35 — Arquivado em: CRÔNICAS

19/12/07

É LA PIOGGIA CHE VA

 

     Todo ano é a mesma coisa: é só chegar época das chuvas para que as enchentes tomem conta de centros urbanos como a capital paulista. Na televisão, imagens de ruas submersas, bairros inteiros alagados, enxurradas pondo em risco a vida de pedestres e motoristas, casas com o chão coberto de lama, famílias desoladas por perder os móveis e eletrodomésticos devido a enchente, pessoas amaldiçoando as águas que levam o pouco que têm embora… Todas as mazelas da sociedade exibidas no horário nobre.

     Quando isso acontece, vemos apresentadores de telejornais cobrando das autoridades providências, indignados com o “descaso das autoridades” e toda aquela ladainha que todo mundo já ta careca de saber. Em parte, talvez, tenham razão, mas, o problema é que sempre se esquecem de que não depende só do Estado o bem-estar da população. Depende também da própria população.

     Não adianta nada o Estado suprir todas as necessidades da população se esta não zelar pela manutenção desse suprimento. Ou seja, não adianta o Estado formar toda a infra-estrutura necessária para o bem-estar do povo se este não zelar pela manutenção dessa infra-estrutura. E como isso é feito? Através da conscientização e da educação desse povo. A base de toda sociedade é a educação. Se cada cidadão tiver plena consciência do seu papel na sociedade, certamente este cidadão zelará pelo que mantém seu bem-estar e exigirá que os outros também o façam.

     No caso das enchentes, qual o principal fator que as provocam? É o acúmulo de sujeira nos esgotos, bocas-de-lobo e demais escoadouros de água. Não é raro ver até móveis inteiros jogados em córregos e rios, bloqueando a passagem da água. Sacos de lixo são inescrupulosamente jogados das pontes, como se eles fossem sumir numa espécie de buraco negro. Até uma simples embalagem de chiclete ou uma latinha de alumínio ou um copinho de papel são causa de entupimento das bocas-de-lobo. Qualquer tipo de lixo jogado em lugar inapropriado pode provocar transtornos à população.

     “É só um papel de bala” dirá o cidadão despreocupado. Mas esse papel de bala junto com o palito de sorvete, a embalagem do chocolate, o papel de chiclete, a sacolinha de plástico da venda, o saquinho plástico do cachorro-quente, a caixinha de papel do hambúrguer, o copinho plástico, etc., etc., etc. forma um bolo de lixo suficiente para entupir o escoadouro de água e impedir que essa siga seu fluxo normal, gerando, em dias de tempestade, as tradicionais enchentes que tanto atrapalham a vida do cidadão das grandes cidades e (por que não?) das pequenas também.

     Não jogar lixo em lugares inapropriados é uma questão de educação. Educação esta que vem de casa. Jogar lixo no lixo é ter educação para com o seus familiares, com seus semelhantes, com as pessoas de sua cidade. Zelar pelo patrimônio público é zelar pelo futuro das crianças, é zelar pela saúde das pessoas, é zelar pelo bem-estar geral da população.

     Antes de perguntar o que o Estado está fazendo na hora das tragédias, pergunte o que você fez para evitar essas tragédias. Depois que o ladrão arrombou a porta, não adianta mais trancá-la. Como diz o velho ditado: “é melhor prevenir do que remediar”.

     A melhor prevenção contra esse estado de calamidade pública que é a enchente é o zelo em manter a cidade limpa através da conscientização e um trabalho intenso para garantir a coleta de lixo e um sistema de reciclagem eficiente. É dar garantia de que o esforço de cada um em direcionar seu lixo doméstico para os lugares certos e a manutenção da limpeza das vias públicas resolverá o problema das enchentes.

     Como pode ver, é um trabalho hercúleo que deve ser feito a partir da base. Ficar remediando o problema toda vez que chover não resolve nada e só perpetua o problema. Se medidas efetivas forem tomadas visando à participação integral da sociedade na manutenção da cidade onde vivem, certamente o prenúncio de tempestade deixará de ser motivo de preocupação e voltará a ser a benção do céu para com a terra sedenta por gotas de vida derramadas em forma de chuva.

criado por André Marcon    19:10 — Arquivado em: OPINIÃO

17/12/07

NO SHOPPING CENTER

 

     Enfim chegara Dezembro e com ele a necessidade de se fazer as tradicionais compras de fim de ano.

     Thais combinou de ir com as amigas ao shopping num sábado. A idéia era passar um dia todo perambulando pelas centenas de lojas do lugar, olhando tudo muito calmamente.

     Chegando o dia combinado, Thais se encontrou com suas amigas, Leila e Priscila na porta do shopping. Fazia um dia lindo e nada parecia atrapalhar o plano das três amigas.

     Entrando no shopping, as três meninas tiveram uma surpresa: diferente do que elas imaginaram, o local estava quase deserto, embora todos os estabelecimentos estivessem funcionando normalmente.

     Caminhando pelos corredores do shopping, elas viam que os vendedores e os poucos clientes que se encontravam lá permaneciam imóveis, como se estivessem em alguma espécie de transe ou coisa do tipo.

      Isso as intrigou bastante.

      Entrando numa loja, Thais tentou falar com uma balconista. A moça, estática, nada respondeu. 

     Em outras lojas, aconteceu o mesmo. As três amigas, à esta altura, já pensavam em abandonar aquele lugar rapidamente, quando todas as luzes do lugar se apagaram e um breu inexplicável tomou conta do shopping, apesar de ser dia.

     Assustadas com aquela situação inesperada, Thais, Priscila e Leila trataram de correr até a saída, mas não a encontraram.

     Correram por todos os lados e nada. Pareciam andar em círculos sem sair do lugar.

     Com lágrimas nos olhos, elas ouviram murmúrios vindos das lojas e tiveram a impressão de ver vultos se moverem na escuridão. Medo.

     Leila, que procurava aguçar os ouvidos para entender o que diziam os murmúrios, foi surpreendida por uma mão gelada que pousou pesadamente sobre seu ombro esquerdo.

     Um berro desesperado preencheu o ar e as quatro garotas viram-se cercadas pelos balconistas, clientes e demais funcionários do shopping, todos apresentando um aspecto cadavérico horripilante.

     Berros, cotoveladas, chutes e muito medo fizeram as quatro se esquivarem daquele tumulto horroroso. Correndo loucamente sem rumo, elas trataram de achar uma saída a todo custo.

     Topando com uma porta, espancaram e chutaram-na até que finalmente ela cedeu. Do outro lado da porta, viram apenas os banheiros. Elas entraram ali para se esconder e se recompor.

     “O que era aquilo?” pensavam “Como isso pode acontecer?”.

     Um silêncio tumular envolvia o interior dos sanitários. Parecia que o shopping todo estava deserto, e somente elas estavam lá.

     De repente, um estrondo na porta de acesso aos sanitários.

     “São eles!”

     Pancadas rudes e poderosas pareciam tentar pôr a porta abaixo. As garotas, desesperadas, tentavam bloquear a passagem a todo custo com o que tivessem à mão. Mas finalmente a porta cedeu.

     Uma avalanche de vultos invadiu o corredor de acesso aos sanitários e agarrou as quatro mulheres sem dar chance de fuga. Aquele mar de faces descoradas com seus olhos vítreos parecia o pior dos pesadelos possíveis. Thais e suas amigas não puderam nem gritar, sufocadas pelo aperto de tantos corpos num corredor que, embora largo, ficara estreito dado o acúmulo de pessoas nele.

     Depois disso, a escuridão.

     Depois de muito tempo, que parecia uma eternidade, Thais abriu seus olhos.

     Como chegara mais cedo do que o horário combinado com as amigas, sentou-se num banco em frente o shopping e, como suas amigas demoravam a chegar, fechou os olhos e cochilou um pouco. E sonhou.

     Logo que abriu os olhos, viu suas amigas chegarem, pedindo mil desculpas pelo atraso, culpando o trânsito ou outros pretextos.

     Após os cumprimentos, as três amigas adentraram o recinto do shopping.

     Apesar de todos os estabelecimentos abertos, o shopping estava quase vazio, para surpresa de Thais, Leila e Priscila.

     Nas lojas, clientes e balconistas pareciam imóveis, petrificados.

     Vendo aquilo, Thais disse às suas amigas: “Vamos embora. Isto aqui está muito chato”.

     “Mas está tranqüilo, com pouca gente. Poderemos ver as lojas com mais calma” tentaram argumentar Priscila e Leila.

     “Pode ser, mas shopping vazio não tem graça. Vamos a um com mais gente. É mais divertido” respondeu Thais, girando nos calcanhares e indo para a saída. As amigas acompanharam-na, confusas.

     Enquanto as quatro se distanciavam do shopping, um vulto que as acompanhava com o olhar balançou a cabeça em sinal de reprovação e retornou ao escuro e lúgubre interior daquela Meca do consumo moderno, o shopping center.

criado por André Marcon    9:44 — Arquivado em: CRÔNICAS

FRASES e IDÉIAS X

Sebastien-Roch Nicolas Chamfort

 

“Temos capacidade para fazer a universidade brasileira eficiente e adaptada à realidade do País de que precisamos; mas para isso devemos reconhecer que o que temos hoje não é.”
José Henrique do Carmo
(1932)
Professor brasileiro

"A maioria dos leitores põem seus livros em sua biblioteca; a maioria dos escritores põem sua biblioteca em seus livros.”
Sebastien-Roch Nicolas Chamfort
(1741-1794)
Escritor francês

“A guerra é uma coisa tão absurda e incompreensível que, quando se registra um combate de amplas proporções, até as baixas são altas.”
Aparício Torelly, Barão de Itararé
(1895-1971)
Jornalista e humorista brasileiro

“Não se pode esquecer que para se dar um grande alto para a frente é sempre preciso dar uma corridinha para trás.”
Paco Rabanne
(1934)
Estilista espanhol

“Sempre que o curso da vida do homem é governado pelo acidente ele se torna mais supersticioso.”
David Hume
(1711-1776)
Filósofo escocês

“Se perco o controle da imprensa não agüentarei nem três meses no poder.”
Napoleão Bonaparte
(1769-1821)
Imperador francês

“À glória dos mais famosos se junta sempre um pouco de miopia de seus admiradores.”
Georg C. Lichtenberg
(1742-1799)
Escritor satírico alemão

“Nunca odiei um homem tanto a ponto de devolver-lhe os diamantes que me deu.”
Zsa Zsa Gabor
(1923)
Atriz americana

“As penas e as preocupações não se afogam em álcool, elas sabem nadar.”
Anônimo

criado por André Marcon    9:37 — Arquivado em: CITAÇÕES

9/12/07

A VISITA ESPERADA

 

     Alzira era uma cristã fervorosa.

     Missionária, Alzira já tinha viajado por diversos países levando a boa nova de sua crença religiosa.

     Seu grau de instrução e esclarecimento era notório.

     Certo dia, após anos de dedicação à evangelização, Alzira se encontrou em uma situação financeira pouco abonadora.

     Casada e mãe de duas meninas, uma de sete e outra de onze anos, a situação de sua família não era das melhores. O marido, outrora um exemplo para todos, tornara-se um beberrão sem emprego fixo, gastando no boteco o pouco que ganhava em seus subempregos. Ele passava a maior parte do tempo fora de casa e, quando retornava ao lar, era apenas para arrumar confusão.

     Então Alzira meteu em sua cabeça uma idéia, que, para ela, seria a solução de deus problemas.

     Ela reuniu as duas filhas e se trancou dentro de casa, tendo o cuidado de vedar portas e janelas com alguns cobertores espessos, a fim de impedir a entrada de luz natural.

     Chamando as duas filhas, Alzira lhes explicou que ela havia tido uma visão divina, que lhe revelara que, se ela realizasse um ato de penitência dedicando orações fervorosas e praticando jejum, um homem enviado por Deus apareceria na casa delas e as conduziria a uma vida melhor, em um bairro de gente rica da cidade onde moravam. O homem de Deus as instalaria numa casa grande e confortável e todas as dificuldades da família desapareceriam por completo.

     As meninas, que tinham na mãe um exemplo de boa conduta e elevação moral, não pestanejaram em obedecer à mãe e também alimentaram a esperança de que o homem de Deus viria lhes tirar da miséria.

     Foi assim que, dali em diante, Alzira e suas filhas não foram mais vistas. A casa de Alzira permanecia sempre fechada. Os vizinhos, no início, estranharam. Porém, logo esqueceram do assunto. O marido de Alzira, sempre bêbado, nem se dera ao trabalho de voltar pra casa.

      Dentro de casa, Alzira instigava as filhas a fazer jejuns cada vez mais extensos, racionando o alimento, que era pouco e o pouco que tinha foi se estragando com o passar do tempo. Já fazia um mês que Alzira e suas filhas estavam confinadas em casa, jejuando e orando pela vinda do homem de Deus que lhes salvaria daquele sufoco.

     Com a falta de pagamento das contas de água e luz, as respectivas companias providenciaram a interrupção do fornecimento. Agora não havia água potável nem luz elétrica na casa de Alzira.

     Passaram-se dois meses desde que Alzira iniciara seu confinamento. Sem alimento na casa, ela e suas filhas passavam os dias em constante oração, jejum e estudos da Bíblia, e oravam a Deus para que o homem enviado para levá-las a uma vida melhor viesse. Tanto mãe quanto filhas estavam muito magras e fracas devido à desnutrição. Toda comida havia se estragado e não havia mais água na torneira.

     Passou-se o terceiro mês e, enfim, vencida pela desnutrição, Alzira não mais abriu os olhos, deitada em sua cama. Suas duas filhas, esqueléticas e muito fracas, tentaram reanimar a pobre mãe, mas já era tarde.

     Passaram-se cinco dias da morte de Alzira. Enfim, as duas meninas saíram de casa, caminhando pelas ruas como dois zumbis assustadores. As feições encovadas, os olhos injetados em meio a olheiras profundas, os membros finos e as costelas expostas sob a pele fina e pálida da um ar fantasmagórica àquelas que outrora gozavam de boa saúde apesar da vida difícil que levavam.

     A primeira coisa que fizeram foi ir a um bar que havia por perto. Pediram ajuda ao balconista, chamado Alfredo e que era também dono do bar, um senhor que estava estabelecido naquele bairro há muito tempo e conhecia a todos da região. Quando aquele senhor viu os dois vultos que lhe chamava com um fio de voz, ficou horrorizado. Seriam aqueles farrapos de gente as filhas de Alzira?

     As meninas disseram, com voz muito fraca, que a mãe estava morta em casa. Alfredo sentiu gelar a espinha. Afinal, o que acontecera com aquelas crianças para ficarem naquele estado?

     Alfredo quis perguntar várias coisas, mas as meninas quase que desfaleciam de cansaço e fome. Ele tentou dar algo para elas comerem e beberem, mas elas não conseguiam engolir os quitutes. Só restou a Alfredo acionar a ambulância e levá-las ao hospital. Ele também ligou para a polícia, para averiguar o que havia acontecido na casa de Alzira.

     Com a chegada da polícia, Alfredo conduziu os guardas até a casa de Alzira. Chegando á, encontraram a casa toda fechada, exceto pela porta da frente, que se encontrava entreaberta. Alfredo e os policiais entraram na casa e sentiram o odor característico de mofo e abafamento que denunciava que aquele recinto permanecera fechado por muito tempo. Um outro odor exalava próximo ao quarto de Alzira: seu corpo defunto iniciara o processo de decomposição.

     Todos ali presentes ficaram intrigados com aquilo tudo e tiveram a esperança de que as duas crianças, quando recuperadas de seu estado de inanição, pudessem esclarecer o mistério.

     Mas, infelizmente, isso não foi possível.

     As duas filhas de Alzira, após darem entrada no hospital, vieram a falecer devido à anemia profunda causada por aquela série de jejuns que não trouxeram o homem de Deus que iria lhes dar uma nova vida, mas, sim, uma senhora de olhos lilases que, invariavelmente, um dia, vem visitar a cada um de nós: a MORTE.

criado por André Marcon    20:33 — Arquivado em: CRÔNICAS

2/12/07

FRASES e IDÉIAS IX

Max Planck

 

“Uma guerra nuclear sem dúvida resultará na ruína da atual civilização e ameaçará a vida, como tal, neste planeta que amamos.”
Alexander M. Kuzin
(1912)
Bioquímico russo

“Quem chegou tão longe que já não se confunde com nada, também já deixou de trabalhar.”
Max Planck
(1858-1947)
Físico alemão, prêmio Nobel de 1918

“Ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés.”
Provérbio africano

“Para a maioria das pessoas a experiência é como as luzes de popa de um barco, que só iluminam o caminho que ficou para trás.”
Thomas A. Edison
(1847-1931)
Inventor americano

“Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia; mas uma meia mentira não será nunca uma meia verdade.”
Jean Cocteau
(1889-1963)
Escritor, pintor, diretor de cinema e coreógrafo francês

“É mais fácil suportar a morte sem pensar nela do que suportar o pensamento da morte sem morrer.”
Blaise Pascal
(1623-1662)
Matemático e filósofo francês

“A esperança é um estimulante vital muito superior à sorte.”
Friedrich Nietzsche
(1844-1900)
Filósofo alemão

“Ninguém deve cometer a mesma tolice duas vezes. A possibilidade de escolha é muito grande.”
Jean-Paul Sartre
(1905-1980)
Filósofo francês

Os buracos negros são paraíso para os teóricos e o inferno para os observadores.”
Escrito na parede de uma sala de aula de universidade americana, 1976

“Talvez este mundo seja o inferno de outro planeta.”
Adous Huxley
(1894-1963)
Escritor inglês

“Efetivamente, o mundo progride lentamente. Há apenas trezentos anos eu teria sido queimado.”
Sigmund Freud
(1856-1939)
Médico e psiquiatra austríaco

criado por André Marcon    20:36 — Arquivado em: CITAÇÕES
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