PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

31/8/07

UM EMO APAIXONADO

 

     Douglas era o que hoje em dia chama-se "emo".

     Deixava a franja caída nos olhos, tinha os cabelos pintados de verde, usava roupas escuras, braceletes de tachinhas, cintos quadriculados e tênis "allstar", além de passar lápis preto nos olhos.

     Duglas ouvia bandas "emocore" e arriscava uns poeminhas sempre soturnos e taciturnos.

     No orkut, Douglas escrevia "XemPre aXim pR Us MiGuxiNhuS e MiGuxiNhaS", compartilhando com eles suas "emices".

     Um dia, Douglas se apaixonou por uma menina, também "emo".

     Ela era magra, tinha os cabelos pintados de pink e franja caída nos olhos. Sua pele era pálida e tinha vários piercings espalhados no corpo.

     Douglas, com sua introspecção que lhe era peculiar, não arriscou uma aproximação. Preferiu cultivar um verdadeiro amor platônico pela menina.

     A partir daquele momento, Douglas passou a escrever poemas sobre seu amor, sua solidão e a dor de não poder se declarar à sua amada.

     O tempo passou e a dor se transformou em angústia e aflição. Chegou o momento em que Douglas não suportou aquela situação e decidiu enfrentar sua timidez e se declarar de uma vez.

     Através de uma amiga em comum, Douglas conseguiu arranjar um encontro com a menina de seus sonhos. Douglas comprou um buquê de rosas, pensando que seria romântico mostrar-se cavalheiro logo no primeiro encontro. Pensou que causaria uma boa impressão.

     Finalmente chegou o grande dia em que Douglas se encontrou com sua amada no local indicado e na hora exata.

     Muito nervoso, da melhor maneira que pôde, Douglas disse tudo o que queria dizer sobre seu amor para a menina. Depois de se declarar, entregou-lhe o lindo buquê de rosas.

     A menina, impassível, pegou o buquê e jogou-o no chão, espalhando lindas rosas vermelhas pelo chão. Depois ela virou-se e começou a caminhar, indo embora sem dizer palavra alguma.

     Em estado de choque, tanto pela tensão do momento quanto pelo desfecho daquele encontro, Douglas, imóvel, verteu lágrimas de dor. Recolhendo as rosas que ofertara com tanto amor, jogou tudo no lixo e foi embora, com o coração partido.

     No trajeto de casa, começou a chover, como se os céus chorassem pela sua dor. Os pingos de chuva misturavam-se com as lágrimas e diluíam a maquilagem negra dos olhos, formando dois traços negros nas bochechas do pobre rapaz. Ficou parecendo até que Douglas estava pintado para alguma guerra.

     Mas Douglas sabia que aquela guerra já estava perdida, e só restava a ele voltar para casa e sofrer, sofrer e sofrer até não poder mais. E, em sua profunda tristeza, poderia até pensar em cortar os pulsos, encerrando assim de maneira perfeita sua trágica história de amor, como nas músicas que ouvia e nos poemas que ele lia ou escrevia.

     Mas Douglas não fez nada disso. Era covarde e medroso demais para pôr em prática tal plano. O jovem emo, no alto de seus 15 anos, sabia que era jovem demais para encarar os olhos lilases da morte.

     Por isso decidiu apenas pôr no papel em forma de versos sua história de amor, no melhor estilo emo, com muita lamúria e sofrimento.

     Um estilo de poesia que, sabe-se lá porque, os emos tanto amam…

criado por André Marcon    20:10 — Arquivado em: CRÔNICAS

30/8/07

LUCÉLIA

 

     Lucélia era menina que iniciara sua vida sexual muito cedo.

     Nunca se preocupara com métodos contraceptivos.

     Até que um dia, aconteceu: Lucélia estava grávida.

     Como era muito jovem e não queria assumir responsabilidades, Lucélia optou pelo aborto.

     Uma amiga indicou uma droga abortiva. 

     Lucélia usou, abortou e aprovou.

     A partir daí, sempre que Lucélia engravidava, apelava para o "santo remédio".

     Até que um dia caiu doente e foi levada para o hospital.

     Lá os pais de Lucélia descobriram o que a filha andava fazendo.

     Ficaram desolados.

     Devido o estado grave da doença de Lucélia, o médico não garantiu nada.

     O leito de hospital tornou-se o leito de morte para Lucélia.

     Foi enterrada naquela mesma tarde.

     Lucélia, que buscou aproveitar a vida, acabou encontrando a morte.

criado por André Marcon    20:02 — Arquivado em: CRÔNICAS

29/8/07

REMINISCÊNCIAS

 

     Naquele tempo, não se precisava de muito para se divertir. As meninas, com suas bonequinhas de plástico ou de pano, tornavam-se mamães corujas e, com suas panelinhas, fogõezinhos, pentes, estojos de maquiagem (quando podiam tê-los) e outros mimos de plástico, pareciam já ensaiar a vida doméstica que o futuro lhes reservava.

      Faziam roupinhas para as bonecas, penteavam os cabelos lisos ou encaracolados delas, mimavam como uma mamãe mima o seu filho. Aquela era a diversão de todas as horas de lazer. Simples, humilde, mas suficiente para consumir horas de entretenimento.

     E vejam vocês: as bonecas mais sortudas podiam até ter um "papai", quando algum moleque de muita boa vontade topava entrar na jogada! Quando isso acontecia, o "casal" simulava todo o cotidiano de uma família completa, espelhando-se na vivência de seus próprios pais, na vida real. Tudo aos olhos inocentes das crianças, é claro.

     Naquele tempo, o máximo de diversão eletrônica que se tinha era a TV, em UHF, com antena tipo "espinha de peixe". Quando ventava forte ou chovia, a imagem da TV se distorcia, chuviscava, o som ficava ruim ou simplesmente ficava "fora do ar". Aí era uma tristeza…

     Naquele tempo não tinha internet, DVD, iPod… Videogame tinha o Atari, que era só pra gente abastada. Para nós, nem pensar. Assim como o videocassete. E walkman. Para se ouvir música, só um rádio-toca-fitas do Paraguai que um tio "importou"…

     Sem aquela parafernália eletrônica, restava à criançada brincar na rua, com bola, boneca, joguinhos, amarelinha, esconde-esconde, "queimada", ou andar de bicicleta. caso tivesse, empinar pipa, etc. E naquela horas de diversão, não importava o quão humildes éramos. A satisfação de ter uma turma para brincar do que estivesse à mão bastava. Aquelas horas de lazer pareciam não ter fim.

     Uma simples bola, mesmo surrada, garantia uma diversão maior que qualquer brinquedo ou aparato eletrônico. Empinar pipa no morro valia mais a pena que jogar videogame. éramos felizes naquele tempo. Nada nos impedia de achar algo interessante para fazer. Era a primavera de nossas vidas em todo seu esplendor.

     Quando eu olho para trás, sinto saudades daquela simplicidade. Quando nós crescemos, os desejos afloram com mais intensidade, as necessidades e prioridades mudam e consequentemente tudo fica mais complicado. Aquela inocência, aquela simplicidade desaparecem. E resta o vazio. E assim, aos poucos, aproxima-se o inverno de nossa existência.

     Hoje, tudo o que resta são reminiscências. Flashes de um passado que não volta mais. Agora, já adulto, sinto uma inexplicável aversão por crianças. Não tenho um pingo de paciência para lidar com elas, e nem desejo de casar e ter filhos.

     Como será que as crianças se divertem hoje? Acredito que criança é criança em qualquer época ou era da humanidade. Posso pensar que, mesmo com tanta internet, tanto videogame, tantos brinquedos eletrônicos, iPod, VHS, DVD, CD, Shopping Centers, cinemas, etc., etc., ainda existem aquelas meninas com suas bonecas de plástico, ou outro material qualquer, com suas casinhas imaginárias, mobiliada com alguns objetos de plástico, e, quem sabe, até com um papai para suas bonecas. E também existem aqueles meninos que se divertem com suas bolas, surradas ou não, com suas pipas, e têm suas turminhas de brincadeiras e atividades em geral, se divertindo com aquelas brincadeiras e jogos com que seus pais, avôs e bisavôs se divertiram, um dia.

     Meninas, brinquem com suas bonecas. Meninos, brinquem com suas bolas de futebol. Um dia, vocês crescerão. E olharão para trás e lembrarão de tudo de bom que a infância lhes ofereceu, por mais humilde que ela possa ter sido.

     Porque o tempo não espera ninguém, e, mesmo as horas de diversão aparentemente intermináveis, um dia elas terminam.

     E, triste saber, essas horas nunca mais voltam…

criado por André Marcon    20:16 — Arquivado em: OPINIÃO

28/8/07

FOTOGRAFIA

 

     Dia desses, eu vi algumas fotos minhas do meu tempo de infância, lá nos anos 1980. Mais precisamente em Novembro de 1987.

     O que mais me chamou a atenção foi a paisagem: minha casa sem reboco, as roseiras e a caixa de força no quintal, a rua sem asfalto, o fim da rua sem casas e os morros vizinhos sem uma casa sequer, apenas ruas sem asfalto e postes de luz.

     Emoldurado por tudo isso, eu, segurando uma gaiola, no alto de meus 10 anos de idade. A simplicidade de uma infância humilde.

     Hoje, em 2007, minha casa está rebocada e pintada. No lugar do quintal com roseiras, uma garagem. A caixa de força mudou de lugar. Novas casas foram construídas até no fim da rua. Nos morros vizinhos, um novo bairro se ergueu. As ruas, tanto a minha quanto a desse novo bairro, estão devidamente asfaltadas.

     Naquele longínquo 1987, os numerosos terrenos baldios era nosso quintal. Lá se jogava bola, brincava de esconde-esconde… Era o nosso playground. O morro vizinho era ideal para empinar pipa em dias de vento.

     Naquele tempo, à noite, via-se o céu noturno em todo seu esplendor, pelo fato de não haver tanta iluminação artificial. Viam-se as estrelas nitidamente.

     Certa noite, algo estranho aconteceu: ao lado da lua cheia, que estava quase se pondo no horizonte, havia um ponto luminoso parecido com uma estrela. E, repentinamente, essa "estrela" circundou a lua em sentido anti-horário com uma precisão espantosa. Minha família e eu vimos aquilo e não entendemos nada. Apenas observamos. Nunca mais esqueci aquilo e até hoje esse acontecimento me intriga.

     Hoje, há postes demais, casas demais e luz artificial demais. A poluição do ar deixa tanto o céu diurno quanto o noturno com um tom opaco, sem cor nem vida.

     Naquele tempo, em noites de calor, a vizinhança saía de casa e ficava sentada em cadeiras na calçada, ou mesmo no chão ou no degrau da porta, conversando. Havia paz e tranqüilidade naquele tempo.

     Hoje, todos ficam dentro de suas casas. A TV faz o trabalho de manter as pessoas enrustidas no aconchego de seus lares. O distanciamento também ajuda a mantê-las apartadas umas das outras. A mudança de hábito fez com que aqueles tempos ficassem para trás.

     Tempos aqueles que se foram, com as noites estreladas, o céu tão azul, as brincadeiras, os vizinhos, o frescor da infância, enfim, com tudo o que as tornava tão belas. Tudo o que restou foi uma fotografia.

     Ainda bem que as fotografias existem. Nossa mente, com o tempo, tende a trair nossas memórias, embotando-as ou alterando-as. As fotos, não. Elas permanecem fiéis indefinidamente.

     E naquela foto, no alto dos meus 10 anos, eu parecia tão feliz em minha simplicidade…

criado por André Marcon    20:05 — Arquivado em: OPINIÃO

27/8/07

MÁXIMAS DO PENSAMENTO ATEÍSTA 9

Bertrand Russell

 

"Quando você entender porque rejeita todos os outros deuses exceto o seu, você entenderá porque eu rejeito todos os deuses"
(Stephen F. Roberts)

"Sempre que alguém pede algo a Deus e é atendido ou sofre um acidente depois de fazer algo ruim, dizem que é sinal de que Deus recompensa e castiga. Quando o oposto acontece, as pessoas fingem que não viram ou dizem que Deus tem suas razões"
(Richard Robinson, "An atheist’s values", 1964)

"De fato, vocês foram salvos pela graça, por meio da fé; e isso não vem de vocês, mas é dom de Deus. Isso não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho. Porque foi Deus quem nos fez, e em Jesus Cristo fomos criados para as boas obras que Deus já havia preparado, a fim de que nos ocupássemos com elas" (Efésios 02:08-10) Tradução: este trecho, que conflita com outros, diz que é perda de tempo lutar para melhorar o mundo. Basta ter fé (no deus cristão, é claro) e a salvação está garantida. O que realizamos neste mundo não é fruto de nossa iniciativa. Nosso destino já está traçado.

A fé não é racional, é emocional. Crentes reagem emocionalmente quando sua fé é contestada. No fundo de suas mentes, sabem que acreditam num mito e têm medo de que sua crença desabe na presença da lógica. É por isso que diferenças religiosas levam à guerra mas não a aritmética. Quanto menos evidência existe em favor de uma idéia, maior a paixão, maior a violência"
(Bertrand Russell)

Na igreja de S.Domingos, em Colfax, condado de Placer, Califórnia, uma mudança na posição das janelas fez aparecer na parede um reflexo dourado vagamente similar a um vulto humano, todas as manhãs, em dezembro de 1990. Peregrinos afluíram, acreditando ser uma visão da Virgem Maria. O "milagre" foi questionado mas o bispo Francis Quinn, da diocese de Sacramento, declarou que "Para os que acreditam, explicações não são necessárias. Para os que não acreditam, não é possível explicar".
Alguns dias depois, o céu estava nublado e o "milagre" não ocorreu, causando pânico entre os fiéis.

Jesus morreu na cruz para nos salvar dos problemas que ele mesmo criou ao nos jogar neste mundo. E que ele já sabia que ocorreriam mesmo antes de nos criar. O problema não é nosso. Não é nossa culpa. Somos apenas as vítimas de escolhas que não fizemos.

"Se não fossem culturalmente aceitos, a maior parte de nossas crenças e ritos religiosos seriam considerados distúrbios mentais"

(John F. Schumaker, "Corruption of Reality, Unified Theory of Religion, Hypnosis and Psychotherapy")

"Se Deus é infinitamente bom, por que temê-lo? Se ele sabe de tudo, por que precisamos informá-lo de nossas necessidades e aborrecê-lo com orações? Se está em toda parte, por que construir templos? Se ele é justo, por que temer que ele castigue as criaturas que ele encheu de fraquezas? Se ele é todo poderoso, como ofendê-lo, como resistir a ele? Se ele é razoável, por que ficaria irritado com os pobres ignorantes a quem deu a liberdade de não serem razoáveis? Se ele é imutável, por que a pretensão de querer que mude suas decisões? Se ele é inconcebível, por que perder tempo com ele? Se ele já falou, porque o universo não se convenceu? Se conhecer sua vontade é tão importante, por que ele não se faz claro e evidente?
(Percy Byssche Shelley, poeta inglês, 1792-1822, "The necessity of atheism")

O cristianismo não tem nada a oferecer a gente feliz num universo compreensível. Para motivá-las, é preciso condenar a felicidade e o prazer, criar a idéia de pecado e enchê-las do sentimento de culpa. Convencê-las de que estão condenadas ao inferno e então vender a salvação em outra vida em troca da submissão a Deus e da renúncia à auto-estima
(adaptado de George H. Smith, "Atheism: The Case Against God")

"Religião e moral acabaram tão entrelaçadas na cabeça das pessoas que elas acreditam que o ateísmo destrói a ética, a felicidade e o amor. O que o ateísmo combate, na verdade, é a idéia de que a moral só é possível através de Deus, é a idéia de que amor e felicidade só podem ser conseguidos em um outro mundo"
(adaptado de George H. Smith, "Atheism: The Case Against God")

O universo não foi cuidadosamente concebido nos mínimos detalhes para um dia nos abrigar. Pelo contrário, ele aconteceu de ser assim - e nós acontecemos de ser como somos. O oxigênio não existe para podermos respirar. Nós respiramos oxigênio porque é o que estava disponível. Se houvesse cloro, teríamos evoluído para respirar cloro. A queda fortuita de um meteoro extinguiu os dinossauros e muitas formas de vida e abriu caminho para outras, entre as quais nossos antepassados. Apenas o acaso, não um desígnio divino.

criado por André Marcon    20:12 — Arquivado em: CITAÇÕES

26/8/07

DIÁLOGO SEM SENTIDO

 

Diálogo sem sentido

Perpassa meu ouvido

Desejo não atendido

Dilema estendido

A vida passa sem sentido

Lixo na TV aqui assisto

É tudo um mal entendido

Só tem razão o bandido

***

Nesta vida fugidia, é triste de fato

Ver bandidos agindo de dia no ato

Travestidos de cordeiros mansos

Embolsando alheios ganhos

Dizem que fazem a obra de um deus

Que precisam do dinheiro, ó céus

Para garantir que na morte futura

No paraíso recompensem a usura

Mas não me lembro de algum dia

Nem de alguma época eu diria

Em que um deus com bons propósitos

Assinou procuração de depósitos

Nem desejou que seus subalternos

Vistosos e garbosos em seus ternos

Implorassem no púlpito abençoado

Dos fiéis seu dinheiro tão suado

Para que tanto dinheiro e tanta riqueza?

Seria para caridade? Amenizar a pobreza?

Nada vejo nesse sentido, nem boa ação

Só vejo bispo exibindo luxo e ostentação

Será que o medo do inferno, ou da enfermidade

Fala tão alto ao coração de toda cristandade

A ponto de sacrificar seu bem-estar e família

Para encher os bolsos da santa quadrilha?

É um caso deveras interessante

Da "salvação" bisca constante

Como se com dinheiro se comprasse

A eternidade com financeiro repasse

Se existir um paraíso (coisa que duvido)

Dinheiro não comprará lugar cativo

De nada serve ostentação e riqueza

No túmulo frio e úmido, com certeza

Resta apenas ter esperança insistente

De que a burrice dissipe da mente

Daqueles que na ilusão mergulham

De cabeça e ainda se orgulham…

criado por André Marcon    20:17 — Arquivado em: POESIA

25/8/07

UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS DE AMOR

 

     Na escuridão da noite um vulto paira sobre a rua deserta.

     Caminhando lentamente, o vulto cessa os passos em um determinado ponto da rua, agacha-se e começa a traçar linhas no asfalto.

     No dia seguinte, pela manhã, os primeiros transeuntes notam algo inusitado no meio da rua.

     Eles param, olham, e não entendem bem o que vêem.

     No meio da rua, algo que se parece com uma página de histórias em quadrinhos destoa do asfalto cinzento.

     Não há nada escrito nos quadrinhos, apenas desenhos que parecem contar uma história, porém, sem conclusão ao final da "página".

     A bela arte encanta algumas pessoas, confunde outras, é despercebida por outras tantas, é, ainda, manchada pelas rodas dos automóveis que passam sem sequer notá-la.

     O dia termina se novidades. À noite, depois da meia-noite, o vulto torna a aparecer na mesma rua. Um pouco abaixo da arte que fizera na noite anterior, ele inicia outra pintura.

     O dia nasce, e as pessoas vêem uma nova "página" desenhada logo abaixo da anterior. Parece ser a continuação da história e, como a outra, não possui texto e nem conclusão ao final da "página".

     Nas noites seguintes o vulto apareceu sempre à mesma hora e em cada noite desenhava uma nova "página" de sua história, sempre uma embaixo da outra, cobrindo, por fim, toda a extensão daquela rua.

     Naquela altura, a novidade já se espalhara pelos outros bairros, atraindo uma horda de curiosos. Jornais e TVs locais vinham testemunhar e registrar o ocorrido, preparando matérias sobre o assunto. Todos se perguntavam quem teria feito aquilo e como conseguira passar despercebido.

     Nos quadrinhos, via-se o drama de um casal que se conhece, se ama e, fatalmente, é separado devido à morte da garota, ainda jovem, vítima de atropelamento por um motorista bêbado que foge sem socorrê-la. No último quadrinho, aparece o rapaz com uma expressão muito, muito triste ante o túmulo de sua amada.

     Pensou-se até em proibir o tráfego de veículos naquela rua, para preservar a obra de arte. Mas como isso parecia ser inviável, os carros continuaram passando impiedosamente sobre aquela triste história de amor, que, fatalmente, com a ação do tráfego e do tempo, foi sumindo, até desaparecer por completo do asfalto e da memória de todos aqueles que puderam ver a obra ao vivo ou através da TV e jornais.

     Depois daquele acontecimento, nada parecido ocorreu mais na cidade. O que se soube é que em uma das casas daquela rua, um jovem foi encontrado pendurado com uma corda no pescoço presa a um caibro no meio da sala. Como morava sozinho e não se conhecia nenhum parente, o rapaz foi enterrado como indigente.

     As pessoas que o encontraram sequer imaginariam o motivo do suicídio. Eles nunca saberiam que aquele rapaz perdera toda a razão de viver no dia em que a menina que mais amava morrera atropelada por um motorista bêbado que não parou para socorrê-la.

     E também nunca saberiam que foi ele que, cuidadosamente, retratou sua triste história de amor no asfalto da rua em que passeou de mãos dadas com sua amada nos dias felizes em que viveram juntos.

criado por André Marcon    20:03 — Arquivado em: CRÔNICAS

24/8/07

PAPO DE BOTECO

 

     No boteco do bairro da periferia estavam os dois amigos a conversar:

     — Cara, você nem imagina quem eu tô comendo…

     — Quem?

     — A Carminha

     — Aquela gostosona do fim da rua?

     — Essa mesma.

     — Mas ela não é casada?

     — Ah, é amigada com um trouxa aí…..

     — Então como é que tu fez pra traçar a mulher?

     — Foi fácil: parece que o trouxa não anda comparecendo. Aí já viu, né?

     — Sei…

     — A mulher fica com a periquita pegando fogo…

     — Doida pra dar…

     — Aí é só o papai aqui chegar, jogar um lero encima dela, dar uma de migué…

     — Que a mina tá no papo…

     — Cara, aquela mulher pula, hein? Acho que fazia meses que ela não dava pra ninguém.

     — Só na siririca!

     — Só. Comecei a jogar uns plá pra cima dela, como quem não quer nada, ela foi se abrindo, contou os problemas dela com o trouxa…. Aí já sabe, né?

     — Você não perdeu tempo.

     — Nem. Joguei um charme pra cima dela, ela me convidou pra entrar, tomar um cafézinho, aí já era.

     — Traçou a mulher na hora.

     — Nem deu tempo de tomar o café.

     — Conta os detalhes. Agora a conversa ficou boa.

     — Bom, pra começar ela estava com um vestidinho curto que deixava tudo à mostra.

     — Ô delícia!

     — Aí já viu… Na cozinha, ela virou de costas pra mim, pra pegar o café e as xícaras, e foi aí que joguei meu charme fatal…

     — Conta aí.

     — Me aproximei de mansinho e comecei a elogiá-la falando bem baixinho no ouvidinho dela…

     — Vixi….

     — Cara, ela virou pra mim e pensei: "Putz, me fodi. Ela vai me xingar, e com razão. Ataquei antes da hora e tal"….

     — E aí, cara? Conta o que aconteceu.

     — Ela me olhou nos olhos, me abraçou e tascou "aquele" beijo.

     — Caralho, véio!

     — Foi. Aí não teve mais jeito. O "meninão" começou a crescer dentro das calças e ela percebeu…

     — Putz!

     — Ela deslizou uma das mãos até minha virilha e alisou o bicho. Aí fodeu tudo!

     — A mina tava querendo! Safada!

     — Querendo? Ela se agachou, abriu o zíper das minhas calças, botou o bicho pra fora e fez uma chupeta fenomenal…

     — Issa! Ah, ah, ah!

     — Chupou, chupou, chupou… Mas como ela estava sedenta de porra, véio! Quase gozei ali mesmo, na cara dela.

     — Ah, ah, ah!

     — Aí eu não agüentei: levantei ela e fomos pro quarto. Tiramos toda roupa e nos enroscamos na cama dela. Aí o resto você já sabe, né?

     — Tirou o atraso da gostosa.

     — Atraso? Parecia que a mulher não fodia há séculos. Na cama eu me garanto, mas confesso que aquela lá me deu trabalho. Que rabo enorme que ela tem, véio… Ela em cima de mim e eu agarrando aquela bunda enorme com as duas mãos… Rapaz do céu…

     — Mas, também, você só comeu ela dessa vez?

     — Que nada. Tô passando a vara nela quase todo dia!

     — E o corno?

     — O corno só vem na casa dela aos finais de semana e mesmo assim não dá um trato nela. Por isso ela tá nessa secura, ou melhor, estava….he, he, he…

     — Agora ela tem um "personal amante"….. Ah, ah, ah!

     — Nem. Agora ela tá feliz. É vara todo dia e se bobear toda hora…

     Nisso, um homem que estava sentado numa mesinha ao lado, bebedno sua cachaça em silêncio, levantou-se da cadeira, postou-se diante dos dois amigos que estavam conversando e disse, olhando fixamente para o que estava contando a transa com a Carminha:

     — Então você é o filha da puta que está comendo minha mulher? Seu lazarento, desgraçado!

     Os dois amigos olharam para o homem, brancos de susto, e, antes que entendessem o que estava acontecendo, o amante de Carminha levou três tiros a queima-roupa no peito, caiu pra trás e morreu. O amigo, apavorado, correu o mais que pôde rua acima.

     Os outros clientes do boteco saíram correndo apavorados e os vizinhos olhavam pelas frestas dos barracos o que estava acontecendo. O homem que tinha atirado, calmamente, sentou-se em sua cadeira e terminou de beber a cachaça. Foi até o balconista, que telefonava para a polícia, e pagou a conta. O balconista ficou pasmo. O homem voltou para a cadeira, sentou-se, e esperou a viatura, impassível.

     A viatura, junto com uma ambulância, chegou até o local do crime. A polícia prendeu o homem, que não ofereceu resistência alguma. Os enfermeiros colocaram o corpo do amante de Carminha na ambulância e levaram-no para o hospital, mas no caminho viram que não havia mais o que fazer. A vizinhança assistia aquela cena, embasbacada. Os boatos chegaram até Carminha que, desesperada, correu até o boteco. Chegando lá, viu seu amasiado sendo colocado na viatura. Correu até ele e falou, aflita:

     — Por que fez isso, homem de Deus? O que será de mim agora?

     Com uma frieza glacial, o homem respondeu:

     — Agora, você que se vire, filha. Se a barra pesar, apela pro teu próximo amante, pois esse aí já era!

     A viatura partiu levando o assassino e Carminha, a responsável por tudo aquilo, caiu de joelhos no chão e chorou um choro dolorido de quem perdeu tudo o que tinha na vida. Pelo menos o que tinha até aquele momento…

criado por André Marcon    20:32 — Arquivado em: CRÔNICAS

23/8/07

O CASO YOUTUBE

 

     O texto que segue abaixo foi publicado neste blog originalmente em 13/01/2007 em ocasião daquele bafafá causado por uma dessas celebridadezinhas de ocasião que se sentiu lesada por ter um vídeo nada abonador circulando na internet e exigiu, via ordem judicial, a retirada de um famoso site de vídeos. É claro que o caso foi (vá lá) resolvido e que tudo voltou, digamos, ao normal. Mas uma coisa não ficou clara. E é por isso que o presente texto volta à tona para relembrar o que aconteceu e lançar novamente uma questão que pode dar muito pano pra manga.

 

* * *

 

     Eu sei que é um pouco tarde para comentar, mas, foda-se.

     Nos últimos dias o Brasil foi alvo do que se pode chamar de uma das maiores manifestações de arbitrariedade, injustiça e abuso de poder no que concerne aos direitos de livre acesso do cidadão à informação.

     Em um supremo ato de abuso de autoridade, a Justiça brasileira bloqueou o acesso ao site YouTube (www.youtube.com).

     O motivo da decisão judiciária?

     Uma ação movida por uma celebridadezinha do quinto escalão e seu namorado, que se sentiram lesados pela divulgação maciça de um vídeo em que os dois aparecem trepando em uma praia da Espanha.

     Por causa de um motivo isolado, todos os internautas usuários do site foram punidos. Por quê? Pra que?

     Porventura a celebridadezinha e respectivo namoradinho, além da Justiça acharam que isso iria banir o vídeo da internet? Elas acreditaram mesmo que o flagrante deixaria de ser visto? Santa ingenuidade, Batman!

     Não só o vídeo continuou e continua rolando na net mundo afora como vai continuar rolando em uma escala maior, como desagravo à arbitrariedade de quem pensou que com uma canetada iria demolir a base frágil da democracia brasileira. Além do mais, existem formas simples de desbloquear sites que até crianças sabem fazer. E outra: não são apenas os sites compartilhadores de vídeo que publicaram o tal filminho. Blogs e sites se valem de outros dispositivos para publicar vídeos e para coibir isso, só bloqueando a internet como um todo no Brasil. E os internautas que têm o vídeo salvo no computador? Todos serão processados? Façam-me um favor…

     A medida drástica, que visava tirar de circulação o filminho, teve um efeito contrário: possessos, os internautas agora mais do que nunca vão publicar e divulgar o filminho em retaliação àqueles que quiseram usar do poder econômico para interferir no processo democrático de um País.

     Se a celebridadezinha tivesse ficado quietinha, nada disso teria acontecido. A poeira estaria abaixando e o filminho seria esquecido. Mas não: a dondoca quis aprontar e o resultado está aí pra quem quiser ver. E se analisarmos bem, que deveria responder processo é ela e o namorado dela, por atentado ao pudor ao se relacionar sexualmente em uma praia movimentada. Se transaram em lugar público, não têm nenhum direito de cobrar privacidade. Eles consumaram o ato em lugar visível a todos os transeuntes e não podem negar isso. Em um mundo de câmeras embutidas em celulares e câmeras de vídeo e fotos digitais, quere privacidade em locais públicos é o cúmulo do mau senso.

     Que essa vacilada da celebridadezinha sirva de lição. A maxi-exposição que sofreu na internet é mais que merecida. E os xingamentos que ela vem recebendo por essa nova mancada também. Se bem que é de se pensar na possibilidade de ser justamente isso que ela queria… Afinal, estrelas (de)cadentes necessitam de toda atenção possível para seu brilho não se extinguir nas brumas do esquecimento. Se foi essa a intenção, ela o conseguiu, só que da pior maneira possível.

     É inadmissível que no nosso País tenhamos que tolerar esse tipo de ação digna de censores preocupados não com a moral e os bons costumes, não com a preservação dos direitos do cidadão, mas única e exclusivamente com os meios mais rápidos, fáceis e preguiçosos de se resolver uma pendência.

     Todo o repúdio deve ser dirigido à celebridadezinha, ao seu namoradinho e à Justiça que endossou esse ato baixo, vil, desonesto e covarde para resolver um problema que poderia ser solucionado de modos mais democráticos, inteligentes, justos e efetivos, como a adequação do site para avaliar e restringir material de conteúdo duvidoso que possa infringir leis e direitos constitucionais. É claro que isso exigiria investimento maciço em tecnologia e em pessoal para que pudesse se concretizar e os responsáveis não estão lá muito a fim de gastar dinheiro com isso. Daí conclui-se que é mais fácil tirar o site do ar do que adequá-lo aos padrões de "moral" e "decência".

     Dessa palhaçada toda, constatamos o seguinte:

     - Nossa democracia, coitada, é frágil feito cristal e pode ser estilhaçada a qualquer momento.

     - Nossa legislação ainda não tem maturidade suficiente para comportar e solver problemas referentes ao meios de comunicação eletrônicos.

     - Os usuários de internet, em sua maioria, mais do que nunca, formaram uma massa de cidadãos esclarecidos que não admitiram a restrição ao acesso à informação e mostraram-se prontos para lutar ferrenhamente pelos seus direitos. O "levante" dos internautas e a repercussão negativa mundo afora foi tamanha que a Justiça não teve outra saída senão voltar atrás e liberar o acesso ao site no dia seguinte à sua decisão.

     Outro detalhe que saltou aos olhos foi que, quando a Justiça e a celebridadezinha se deram conta do tamanho da encrenca em que se meteram, trataram logo de criar o legítimo jogo de empurra-empurra, onde ninguém queria ser responsabilizado pela trapalhada que fizeram embora as provas fossem irrefutáveis. Muito curioso…

     Que fique bem claro que eu não estou defendendo a exibição do tal filminho. Limitei-me apenas a expôr minha opinião e relatar os fatos. E além do mais, eu vi esse filminho meses atrás e não achei nada de interessante nele. Aqui manifesto apenas meu repúdio à ação judiciária que, apenas por um motivo isolado, lesou o direito de milhões de internautas brasileiros de ter livre acesso à informação. O youTube, como bem se sabe, não se dedica a exibir videozinhos de celebridadezinhas que se acham o rei da cocada transando na praia. O site faz uma verdadeira prestação de serviços hospedando vídeos divertidos, educacionais, curiosos, e, o mais importante, permite resgatar momentos históricos da TV do Brasil e do mundo, além de outras qualidades.

     Depois deste triste episódio, não me admirarei nem um pouco se aparecer algum infeliz para bloquear o orkut, os blogs e outros meios de manifestação popular, uma vez que foi aberto um precedente. Por isso devemos pressionar o governo para que este estude melhor este caso e não permita que juízes, desembargadores e celebridadezinhas de ocasião usem e abusem do poder financeiro e judiciário para lesar os direitos dos cidadãos brasileiros.

     Acorda, Brasil! Senão tu vai à puta que o pariu!

criado por André Marcon    20:22 — Arquivado em: OPINIÃO

22/8/07

FUGINDO DA ROTINA

 

     Depois de dez anos de casados, aquele casal já não se amava como antes.

     A rotina, a mesmice, a falta de entrosamento na cama causava uma sensação de tédio e estupor tanto no homem quanto na mulher.

     Não saíam de casa para passear, não faziam nenhum programa diferente juntos.

     Todos os dias era sair de casa para o trabalho e do trabalho para a casa.

     A mulher, apesar de não ser mais tão jovem, ainda dava pro gasto.

     O homem, apesar de não ser nenhum tiozão saradão, ainda despertava os olhares femininos.

     O fato é que o homem e a mulher arranjaram um caso extraconjugal.

     A mulher cedeu aos encantos de um boa-pinta do trabalho e o homem, por sua vez, arrastou asa para uma mulher que trabalhava com ele.

     Aos poucos, os dois foram encaixando suas aventuras no horário em que se ausentavam de casa para trabalhar.

     O tempo passou e o horário de "trabalho" foi se prolongando gradativamente, assim como as desculpas para chegar tarde em casa.

    Apesar do relacionamento conjugal continuar frio, o humor do casal havia melhorado muito. E ambos procuravam esconder esse bom humor um do outro.

     Um dia, o homem disse a sua esposa que iria viajar a negócios.

     A mulher, tentando esconder a felicidade, fingiu oferecer resistência à idéia do homem viajar "sozinho".

     O homem disse que a viagem era inadiável e partiu no dia seguinte, levando a amante para curtirem um ao outro sem preocupações com horários e compromissos.

     A mulher, feliz da vida, comemorou a viagem do marido. Agora poderia se relacionar com o amante sem preocupações com horários e nem inventar desculpas.

     O homem e sua amante transaram mais do que nunca onde foram a "trabalho".

     A mulher chamava seu amante para sua casa todos os dias e transava furiosamente com ele.

     Foi aí que aconteceram duas fatalidades:

     O homem e sua amante, passeando à beira de um penhasco, começaram a se agarrar num ímpeto de paixão. A lindíssima paisagem e o pôr-do-sol emolduravam aquele romance. A amante perdeu o equilíbrio e escorregou no despenhadeiro. O homem tentou puxá-la de volta mas perdeu o equilíbrio e caiu junto com sua amante ribanceira abaixo, topando com força em pedras e galhos, quebrando vários ossos, e, por fim, caindo pesadamente sobre tocos pontiagudos no fundo do precipício, onde encontraram a morte.

     Distantes dali, a mulher e seu amante se enroscavam sofregamente na cama de casal da mulher. Suados e corados pelo tesão e pela paixão ardentes, não notaram os ruídos estranhos vindos do outro quarto. Quando estavam prestes a se unirem no ato sexual, um pontapé brusco arrombou a porta do quarto. Surpresos e confusos, os dois amantes não sabiam se escondiam suas vergonhas ou permaciam imóveis, ante a ameaça dos revólveres apontados para eles.

     — É um assalto! Mão pra cabeça todo mundo!!! — berrou um dos assaltantes.

     A mulher gritou e o amante reagiu tentando desarmar os bandidos. Foi morto com três tiros à queima-roupa. A mulher, alucinada, gritava mais ainda.

     — Cala a boca, vagabunda!! — Berrou um dos bandidos, metendo a mão na cara da mulher, fazendo-a revirar sobre a cama.

     Mirando o revólver na nuca da mulher, o bandido começou a atolar o dedo na vagina dela, úmida e quente. Os bandidos resolveram tirar uma casquinha antes de roubarem tudo e ir embora.

     A mulher foi sodomizada pelos três assaltantes. Uma mordaça e o cano do revólver encostado na cabeça não davam outra opção senão ceder aos malfeitores.

     Terminado o bacanal, os bandidos obrigaram a mulher a entregar todo o dinheiro e todas as jóias, assim como outros objetos de valor da casa. Terminada a "limpeza", antes de ir embora, os bandidos dispararam suas armas contra a mulher. Não podiam deixar testemunhas do crime.

     E foi assim que aquele casal outrora entediado com sua vidinha monótona viveu uma das maiores aventuras de suas vidas. E também a última.

criado por André Marcon    20:41 — Arquivado em: CRÔNICAS
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