PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

30/6/07

AVISO AOS NAVEGANTES

    O texto que segue abaixo foi publicado em 2006, logo após o post "06 06 06 Diabo de Cu É Rola" e amplia, de maneira didática, as bordoadas distribuídas no post anterior. Reedito aqui o presente texto na íntegra.

* * *

    No último post, eu simplesmente desanquei os idiotas que adoram espalhar crendices estapafúrdias como o satanismo. Fui deveras contundente, é verdade, mas eu não estou nem aí. Quando é pra falar o que eu penso, eu falo mesmo e foda-se quem achar ruim.

    Quem leu o post, certamente ficou indignado com o meu tom agressivo e o meu preconceito explícito a certa gentalha existente em nosso País (e de quebra, no mundo). Acontece que não estou nem aí para essas convenções caretas e para essa praga do "politicamente correto", que não passa de uma hipocrisia imposta por aqueles que são os primeiros a tomar atitudes politicamente incorretas.

    Meu objetivo aqui não é incitar um debate para decidir quem está certo ou errado nessa história toda. apenas expresso aqui minha opinião de modo peculiar e certamente desagradável para aqueles de estômago mais sensíveis e que estão acostumados a um debate franco, onde ambas as partes apresentam seus respectivos pontos de vista e, assim, buscam a concórdia e o respeito mútuos. Tudo isso é muito lindo, tudo é maravilhoso, mas, na realidade, as coisas não são bem assim.

    Dizem que a regra de ouro de um debate é a apresentação de argumentos sólidos que justifiquem o ponto de vista defendido por determinado grupo ou pessoa. Um pensamento sistemático que leve o interlocutor a compreender o que leva tal grupo ou pessoa a pensar e agir de determinada maneira e, assim, buscar o entendimento entre as partes interessadas. Não é o caso deste blog. Aqui, não há partes interessadas. Aqui não defendo nenhum grupo ou indivíduo. Aqui não sobreponho nenhuma linha de pensamento nem faço proselitismo para arranjar "adeptos" de nenhuma idéia nova ou antiga. Este blog é apenas um sanatório. Um sanatório onde desfilam os tipos mais abjetos e hediondos. Um lugar sombrio, tétrico, confuso, que só os espíritos mais ousados aventuram-se a desbravá-lo. O ar é rarefeito, o chão ora escorregadio ora pantanoso (ele pode sumir sob seus pés, cuidado!), o clima transcende do silêncio tumular ao barulho insuportável (acho que estou superestimando esta humilde página… Não é nada tão sério assim…).

    Certamente, escrever e publicar uma página na internet é uma responsabilidade muito grande. É preciso pensar que milhões de pessoas no mundo todo terão acesso a essa página e não se sabe que tipo de reação pode-se obter ao divulgar uma idéia, uma opinião ou um singelo texto despretensioso qualquer. Cada pessoa que ler aquilo vai interpretar o texto à sua maneira particular. Às vezes, o que parece inofensivo torna-se um grande transtorno. É até contraditório pensar que se tem a liberdade de expressar sua opinião, mas, que se precisa tomar uma série de precauções antes de publicar determinada opinião, levando em conta o risco que se pode correr ao ser mau interpretado por alguém. as conseqüências podem ser desagradáveis. É o preço da liberdade.

    O que me levou a escrever este texto foi uma visita que fiz ao site de um filósofo que, há alguns anos, entrou em atrito com um professorzinho de um site vagabundo dito católico que tem por aí a respeito de uma filosofia que só eles lá sabem do que se trata. Picuínhas à parte, trata-se de "conversa de gente grande" de um pessoal que possui anos de estrada e que leciona filosofia, logo, possui uma bagagem cultural extraordinária. Lendo os respectivos artigos, com todos os seus argumentos, citações de autores dos quais nunca ouvi falar, réplicas, tréplicas e o escambau, comecei a pensar sobre a importância de se ter um embasamento sólido para sustentar um ponto de vista. Comecei a pensar no quanto se deve estudar e analisar todos os ângulos de uma questão antes de concluir qual vai ser nossa posição a respeito de determinada questão. Pensando nisso, eu vi o quanto sou imaturo nessa área e o quanto preciso melhorar antes de espalhar meus pontos de vista por aí…

    Bem, acho que há me estendi muito com a "sessão neurose". Melhor parar por aqui. Mesmo porque, apesar de ter ciência de que sou um merda e de que não escrevo nada que preste nesta página, ainda prefiro fazer as coisas do meu jeito, portanto, não retiro nada do que escrevi até agora e quero que todos os idiotas que leram e não gostaram de alguma coisa ou de tudo o que está aqui vão até a feira, comprem uma mandioca bem grande e, quando chegarem em casa, arriem as calças, fiquem de quatro e enfiem a mandioca em seus respectivos orifícios anais.

    Depois dessa, acredito que coloquei tudo em pratos limpos, cambada. Não fiquem bravos, não. Esta não foi a primeira e nem será a última comida de rabo que darei em quem me enche o saco, leitor amigo. Portanto, em caso de dúvida, não se engane: o que está ruim sempre pode ficar pior. Não se esqueça disso. Até logo mais, galera.

    P.S.: A briga entre o filósofo e o professorzinho a que eu me referi trata-se nada mais na da menos do que a peleja entre o filósofo Olavo de Carvalho e o "professor" Orlando Fedeli, do site-comédia Montfort (leia artigo a respeito AQUI). Apesar da idade e (vá lá) sabedoria de ambos, eles parecem dois moleques brigando… Ridículo! Como bom ateu e inimigo do "professor" Fedeli que sou, obviamente dei razão ao Olavo de Carvalho, e por isso passo aqui a página onde ele desanca esse arremedo de Torquemada e santo-do-pau-oco que é o "professor" da Montfort. São nove textos apresentando a verdadeira face do adorado "professor" Fedeli. Vão lá e divirtam-se:

http://www.olavodecarvalho.org/fedeli.htm  

    Ah! Pra terminar: Deus e Diabo de cu é rola: não passam de superstição e crendice de gente burra e idiota que acredita nessas coisas! Amém!

criado por André Marcon    20:24 — Arquivado em: OPINIÃO

29/6/07

06 06 06 DIABO DE CU É ROLA

    Este texto foi publicado originalmente em 06 de Junho de 2006 e, embora ele esteja datado e desatualizado em parte, seu conteúdo continua deveras interessante e muito divertido por sua contundência. Por isso, apresento-o novamente, na íntegra.

* * *

    Andou meio que rolando um bafafá na internet a respeito da data de hoje, 06/06/06, que, segundo aqueles que se preocupam com bobagens religiosas, teria um quê de demoníaco, uma vez que seus dígitos formam o famoso "número da besta" relatado no apocalipse de João.

    Eu, obviamente, como bom cético, só tenho a dizer que essa cambada que gosta de mistificar tudo não passa de um bando de imbecis supersticiosos e que diabo não existe e que não passa de crendice de gente idiota como esses que, só porque ouvem um pretenso hardcore e usam pretinho básico, se acham os legítimos adoradores das trevas. Pobres coitados!

    Não é muito difícil identificar essa estirpe: se o fulano usar camisetinha pretinha básica com logo de bandas como AC/DC ou Metallica (há quem use até camisetinha da Legião Urbana!), cultivar longos cabelos, ter a cara cheia de espinhas e ostentar alguma tatuagem tribal ou de caveirinha (que medo…), de qualquer tamanho e em qualquer lugar do corpo, além do proverbial piercing, não tenha dúvidas: é um desses imbecis padrão que se amarram nesse tipo de idiotice que é o satanismo.

    Os moleques vibram ao som de suas bandas de heavy metal, hard metal, black metal, trash metal, pseudo-metal, débil metal, isso metal, aquilo metal e não abrem mão de fazer "chifrinhos" com os dedos indicador e mindinho e gritar abrindo bem a boca e com a lingua de fora: "Yeeeeeeeehhhhhaaaaaaaa!!!" ou o altamente boiola "Uuuuuuhhhhuuuu!!!" e cantar de cor as letras-chavões das músicas. E dá-lhe cemitérios, infernos, paraísos perdidos, demônios, paisagens sombrias, cruzes de ponta-cabeça, número da besta, dor, medo, aflição, angústia, morte e outros temas análogos demonstrando toda a "rebeldia" dos compositores e intérpretes de tais canções.

    As capas dos discos dos artistas do gênero "metal" também dão um show à parte: apresentam todas as imagens que fazem a alegria da família cristã: demônios, monstros, a Morte, paisagens horripilantes e, nas capas mais bem-comportadas, blasfêmias explícitas a tudo o que é mais sagrado para os cristãos, em especial: demônios matando padres, imagens do cristo crucificado ora com tentáculos no lugar dos braços ora em avançado estado de putrefação, apresentando uma face deveras horripilante e repulsiva, ou ainda cristo com aspecto de demônio com direito a chifres, rabo e pés de bode. Enfim, a ordem é ilustrar as capas dos discos com as imagens mais ultrajates possíveis para mostrar que a galera da banda é "do mal".

    O rock sempre foi um gênero musical transgressivo por natureza. O rock nasceu marginal, "do contra", e chegou para derrubar barreiras e mostrar ao mundo o que os jovens realmente queriam. O rock dita a moda, a gíria, o comportamento, a atitude ante as convenções sociais… Enfim, é a "música do diabo" que faz a cabeça da moçada. E, com o metal, que nada mais é do que a evolução disso tudo, não poderia ser diferente. Nada contra. Curto rock e gosto de algum metal, mas não muito. Mesmo assim, acho esse blá-blá-blá todo de diabo uma estultície, uma palhaçada. História digna dos contos da carochinha. Pode ser tema relevante de letras de canções, roteiro de filmes, tema de livros, peças de teatro e que tais como material meramente cultural e lúdico. O problema é que os moleques do metal, os cristãos idiotas e satanistas idem acreditam nessa idiotice como se fosse real. E alguns até prestam culto a essa imbecilidade.

    Por isso, neste dia dito "satânico", só tenho a dizer:

DIABO NÃO EXISTE!

DEUS NÃO EXISTE!

É TUDO CRENDICE DE GENTE BURRA E IDIOTA QUE ACREDITA NESSA IMBECILIDADE DE RELIGIÃO QUE SÓ PREGA MENTIRAS DE BEM E MAL, CÉU E INFERNO, ETC.

    Se você não é burro e idiota e sabe distinguir a realidade da fantasia, parabéns.

    Se você acredita em todas as bobagens escritas na bíblia, acredita em deus e em diabo e acha que eu estou blasfemando e que vou para o inferno caso eu não me arrependa e me converta, só posso dizer que lamento muito, mas você é um idiota alienado manipulado pelo sistema e que você é marionete daqueles que estão pouco se lichando para você só querem mesmo é te manter na linha para não causar problema para eles, otário(a)!

    Ah! Só pra concluir: Se o capeta de vocês crentes e metaleiros idiotas vier me encher o saco, enfio-lhe uma mandioca no cu dele com terra e tudo e meto-lhe um pé no rabo que vai fazê-lo voltar de quatro lá pra casa dele, o inferno de vocês. Vão se foder vocês, crentes idiotas e o seu diabo de merda, cambada de lazarentos!

    Diabo não existe. Inferno não existe. É tudo crendice de gente burra e idiota que nem vocês, crentes retardados e metaleiros espinhentos do caramba!

criado por André Marcon    20:45 — Arquivado em: OPINIÃO

28/6/07

MÁXIMAS DO PENSAMENTO ATEÍSTA


"O primeiro pecado da humanidade foi a fé. A primeira virtude, o primeiro passo em direção à verdade, foi a dúvida."

"Ubi dubium ibi libertas"
("Onde há dúvida, há liberdade")
Provérbio latino

"Não se deve explicar o que não se sabe por meio do que não se vê."

"Não rejeite a opinião de alguém só porque é diferente da sua. Os dois podem estar errados."

"O Evolucionismo é uma mistura de fatos e teorias. O Criacionismo não é nenhum deles."

"Por que aqueles que ridicularizam os adoradores do Sol não vêem nada de mais em adorar uma abstração?"

"As religiões são responsáveis pela lavagem cerebral de milhões de crianças jovens demais para distinguir entre a realidade e as fantasias de sua comunidade. Catedrais, procissões, cânticos e rituais podem deixar impressões duradouras em suas mentes ainda em formação. Mais tarde, o desejo de pertencer a um grupo e o medo do ostracismo e isolamento as mantêm fiéis, evitando que encarem as suas próprias dúvidas, descartando-as como um comportamento socialmente inaceitável."

"Fundamentalismo é nunca ter que admitir os próprios erros."

"Um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta."

"Dê um peixe a um homem e você o alimentará por um dia. Dê-lhe uma religião e ele morrerá de fome enquanto reza por um peixe."

"Duas mãos trabalhando fazem mais do que milhares unidas em oração."

"É o seu deus, os seus mandamentos e é você que vai para o inferno."

"Não importa qual absurdo, sempre haverá alguém para defendê-lo."

"O homem criou deus à sua imagem e semelhança."

"A função da fé é lhe permitir acreditar naquilo que sua inteligência rejeita."

"A mente do fundamentalista é como a pupila do olho: quanto mais luz você joga, mais ela se fecha."

"O cientista pesquisa até achar a verdade. O homem religioso quer que a verdade se adapte às suas idéias preconcebidas. O cientista muda de idéia conforme os fatos. O homem religioso tenta adaptar os fatos às suas idéias."

"Os cientistas não se consideram infalíveis. Os teólogos sim."

"A religião persegue, tortura e queima quem discorda dela. A Ciência e a Filosofia nunca mataram ninguém, apenas buscam descobrir as leis da natureza."
Robert G. Ingersoll

criado por André Marcon    20:35 — Arquivado em: CITAÇÕES

27/6/07

CUIDADO CÃO BRAVO

    Hermenegildo era o bombadão que gostava de passear pelas ruas do bairro onde morava ao lado de seu fiel cão rottweiler chamado Pitt Bull.

    Pitt Bull (o rottweiler) era desses cães bravos, que rosnam e tentam avançar em tudo e todos que encontra pelo caminho.

    A vizinhança simplesmente odiava o cachorro e seu dono, pois quando ambos estavam na rua, era sinal de confusão à vista.

    Quando Hermenegildo saía para passear com seu cão, todos ficavam em alerta: o bombadão não se preocupava em colocar uma coleira reforçada e focinheira no cachorro ("machucam o animal", costumava dizer).

    Apesar dos avisos e advertências, Hermenegildo dava risada e se gabava por ser muito forte e que seu cão não podia com ele. Dizia ainda que, se caso o cachorro escapasse da coleira, poderia segurar o cachorro sem problema nenhum.

    Certo dia, num passeio de rotina, Pitt Bull, ao ver uma criança correndo, ficou louco: latiu, rosnou e forçou a coleira de todas as maneiras possíveis, dando um trabalhão para Hermenegildo conter a fera. Num dos impulsos do animal, a correia da coleira partiu-se e Pitt Bull avançou em direção à criança feito um raio, abocanhou-lhe a canela e jogou-a no chão, com força.

    A criança, apavorada, chorava e berrava desesperadamente. Seus gritos e gestos bruscos só faziam o cachorro  ficar mais furioso. A criança tentava se libertar, mas Pitt Bull investia contra ela e não dava trégua.

    Hermenegildo, paralisado de medo, nada podia fazer. Apenas olhava embasbacado a cena tétrica.

    A barulheira atraiu imediatamente os vizinhos, que, horrorizados, tentaram de tudo para afastar o animal da criança e assim salvá-la. Porém, nada adiantava: gritos, ordens, desespero e aflição tomavam conta de todos, até que ouviu-se um estampido no ar. Depois mais um. Depois mais outro.

    O cachorro tombou com a cara toda ensagüentada e três perfurações de bala no lombo. Os vizinhos socorreram a criança que estava estirada no chão sobre uma poça de sangue, suspirando baixinho e apresentando os membros superiores e inferiores dilascerados pelos dentes do animal. Àquela altura, a ambulância e a polícia já estavam à caminho.

    Hermenegildo, depois de ouvir os estampidos, saiu de seu transe e deu-se conta do que estava acontecendo. Quando viu seu cachorro Pitt Bull estirado no chão, imóvel, correu até ele, ajoelhou-se, tentou reanimá-lo inutilmente e, por fim, com lágrimas nos olhos, começou a berrar como um louco, perguntando quem tinha sido o filhadaputa que matara seu querido cachorro.

    Aquele escândalo abalou os presentes, que faziam de tudo para socorrer a criança gravemente ferida.

    Logo apareceu um dos vizinhos, que morava na casa logo em frente que que tinha sido o autor dos disparos. Trazia a espingarda numa mão e um pedaço de pau na outra. Ele olhou fixamente para Hermenegildo e falou: "Sou eu o filhadaputa que matou o seu cachorro vira-latas". Depois de dizer calmamente estas palavras, o vizinho entregou a espingarda para sua esposa, que estava ao seu lado, e, com o pedaço de pau, deu uma pancada certeira no lombo de Hermenegildo.

    A essa altura, outros homens também haviam se munido de paus, pedras, cintos e outros objetos e iniciaram ali mesmo um verdadeiro linchamento público. Sem dúvida, aquela foi a maior surra que alguém já tomara na vida, naquelas redondezas. Hermenegildo foi alvo de socos, pontapés, pauladas, pedradas, tapas, arranhões, catarradas e toda sorte de agressões físicas e morais que se poderia imaginar. Hermenegildo apanhou até ficar estirado no chão, coberto de hematomas, vergões, lesões múltiplas, ossos quebrados, rosto irreconhecível e vários dentes perdidos.

    A ambulância chegou e levou a criança ferida ao hospital. Logo depois chegou a viatura da polícia, que averigüou o ocorrido e levou Hermenegildo até a delegacia, onde foi autuado e apanhou mais um pouco na cadeia até ficar inconsciente e ir parar num hospital.

    A criança, felizmente, se recuperou aos poucos dos ferimentos e do trauma psicológico por que passou.

    Depois daquele dia, ninguém mais se atreveu a passear com cachorro bravo sem as devidas medidas de segurança por aquelas bandas: sabiam que, mais bravos do que os cães, os moradores daquele bairro também podiam ser extremamente raivosos…

criado por André Marcon    20:29 — Arquivado em: CRÔNICAS

26/6/07

O CONCURSO DE PALAVRÕES

    Zezinho, o moleque travesso, estava sentado na calçada da frente de sua casa, junto com seu amigo Juca.

    Os dois estavam fazendo um concurso de falar palavrões.

    Era mais ou menos assim: cada um tinha que falar um palavrão, sem repetir o palavrão dito anteriormente. Perdia quem não soubesse falar mais nenhum palavrão.

    E os dois começaram.

    Cada um falava um palavrão mais cabeludo que o outro. a disputa estava acirrada.

    Depois de algum tempo e muitas broncas da mãe de Zezinho depois, na vez do Juca falar seu palavrão, ele emudeceu. Não sabia mais nenhum palavrão.

    Zezinho tirou sarro e cantou vitória, pois havia sido o último a falar palavrão.

    Depois de mais uma bronca da mãe de Zezinho, Zezinho e Juca foram para o campinho ali perto junto com os moleques mais velhos do bairro.

    Juca foi esperançoso de ali aprender novos palavrões para conseguir vencer o concurso da próxima vez.

criado por André Marcon    20:33 — Arquivado em: CRÔNICAS

25/6/07

NÃO RESTOU MAIS NADA

    O casal de velhinhos morava num casebre em um bairro afastado do centro da cidade.

    Eles vivam modestamente com suas aposentadorias.

    Certo dia, um ladrão entrou na casa dos velhinhos, prendeu-os no banheiro e revirou a casa toda a procura de dinheiro e objetos de valor.

    A casa era miserável, pobre, não tinha nada de valor que se pudesse roubar.

    O ladrão encontrou apenas alguns reais na gaveta da cômoda, no quarto do casal.

    O ladrão ficou furioso.

    Destrancando o banheiro com violência, o ladrão arrancou os velhinhos de lá de dentro e deu-lhes uma baita surra, até deixá-los estirados no chão, cheios de hematomas.

    O ladrão foi embora, bufando de raiva.

    Os velhinhos, já em idade muito avançada, não agüentaram os ferimentos e morreram.

    O casal só foi encontrado quando já estavam em adiantado estado de putrefação, com milhares de moscas voando em volta de seus corpos cobertos de larvas.

    O ladrão que havia espancado os velhinhos morreu no dia seguinte ao crime, alvejado por vários tiros à queima-roupa, numa briga de bar.

    O motivo foi que o ladrão apostou e perdeu numa partida de truco os reais que ele havia roubado do casal idoso. Como ele se recusou a entregar o dinheiro, os outros jogadores foram tomar satisfações.

    E assim, não restou mais nada do crime hediondo cometido naquele bairro afastado do centro da cidade.

criado por André Marcon    20:19 — Arquivado em: CRÔNICAS

24/6/07

A MORTE DO MOTOBOY

    Jônatas era o motoboy da cidade grande.

    Como todos os motoboys, Jônatas ralava para entregar as encomendas, muitas vezes se embrenhando no trânsito caótico da megalópole.

    A diversão de Jônatas e seus amigos motoboys era arrancar um dos espelhos retrovisores dos carros, chutando-o quando passavam por entre as filas de carros no engarrafamento.

    Até então, o máximo que suas "vítimas" haviam feito foi xingar as respectivas mães dos responsáveis pelo estrago.

    Um dia, Jônatas quis executar uma façanha: arrancar um espelho retrovisor de um carro em movimento.

    Na avenida central, com o trânsito relativamente calmo, Jônatas avistou sua futura "vítima".

    Jônatas acelerou sua moto e arrancou com tudo em direção ao carro. Chegando perto do carro, deu o primeiro chute no espelho retrovisor esquerdo.

    No interior do veículo, a mulher que estava na direção viu tudo e não teve dúvidas: esterçou o carro com tudo pra cima de Jônatas, lançando-o longe com moto e tudo.

    Jônatas rolou pela avenida, por entre os carros e foi acertado em cheio por um dos veículos.

    A mulher do carro em que Jônatas quis arrancar o espelho retrovisor estacionou seu veículo próximo do acidente e, sacando seu celular, chamou a polícia e uma ambulância.

    O carro que atropelou Jônatas após a queda deste sumiu de vista.

    Quando a polícia e a ambulância chegaram, a mulher, uma advogada, contou tudo o que ocorrera. A polícia checou as marcas de chute no retrovisor esquerdo do carro dela e constararam o crime.

    Não era o primeiro caso do gênero. Vários motoboys já haviam sido auturados por vandalismo e as respectivas empresas para a qual trabalhavam, multadas.

    Jônatas foi socorrido, porém, tarde demais.

    Estava morto.

    Infelizmente, a encomenda que ele levava não pôde ser entregue no prazo estipulado…

criado por André Marcon    20:35 — Arquivado em: CRÔNICAS

23/6/07

ZULEIKA

    Zuleika espera seu namorado, que está uma hora atrasado para o encontro que marcaram na pracinha.

    "Ele sempre faz isso", pensa ela, irada.

    Zuleika decide acabar com aquilo e vai embora.

    Quando Zuleika passava em frente a uma lanchonete, ela vê seu namorado conversando e trocando baijinhos com outra mulher.

    Furiosa, Zuleika entra na lanchonete, aos berros.

    O namorado, surpreso, não sabe o que fazer.
   
    A outra mulher fica lívida de medo com a fúria de Zuleika.

    Zuleika, furiosa, exige explicações.

    O namorado gagueja, tenta improvisar uma história, mas só faz deixar Zuleika ainda mais irritada.

    Zuleika pega uma garrafa de cerveja que estava na mesa e espatifa-a na cabeça do namorado.

    Ele cai no chão, desacordado. A "outra" solta um berro de desespero.

    O berro lembra Zuleika de que ainda tinha contas a ajustar com a mulher que roubara-lhe o namorado.

    Zuleika parte pra cima da outra mulher, agarrando-lhe os cabelos com força.

    As duas mulheres rolam pelo chão da lanchonete, uma puxando os cabelos da outra e trocando vitupérios.

    Na confusão, cadeiras e mesas são derrubadas. Os outros clientes saem de fininho, sem pagar a conta. Petiscos, bebidas, pratos e talheres caem no chão. O dono do estabelecimento chama a polícia.

    O caso acaba na delegacia.

    E assim acaba o namoro de Zuleika.

criado por André Marcon    20:01 — Arquivado em: CRÔNICAS

22/6/07

A VINGANÇA DO AMADEU

    Amadeu trabalhava numa empresa de engenharia.

    Certo dia, Amadeu atrasou a entrega de um importante projeto que valeria bônus salariais e promoções para a equipe de sua repartição.

    Um mês de trabalho, horas extras, noites mal dormidas, tudo perdido. Todos se revoltaram com Amadeu.

    Amadeu levou um esporro homérico de seus colegas e superiores, pela sua incompetência, desleixo e falta de profissionalismo.

    Amadeu pediu desculpas e, de cabeça baixa, voltou à sua mesa.

    Certa hora, quando acabou o café, Amadeu se prontificou a ir à cozinha buscar outra garrafa térmica.

    Os colegas de trabalho zombaram de Amadeu, dizendo que subserviência não iria consertar a cagada que ele tinha feito.

    Mesmo assim, Amadeu foi buscar mais café.

    Alguns minutos depois, Amadeu retornou com uma garrafa térmica cheia de um café fumegante, feito na hora.

    Acompanhado de zombarias, todos na repartição foram beber o café e riram de Amadeu pelas costas.

    Pouco tempo depois, todos começaram a passar mal e a estrebuchar pelo chão. A enfermaria foi acionada. Confusão na firma.

    Amadeu, no meio da bagunça, saiu rapidamente do prédio, entrou em seu carro e arrancou com tudo. Pensou em fugir para bem longe. Afinal, cumprira sua vingança.

    O plano de Amadeu teria dado certo se, logo em frente, uma viatura não o tivesse parado e os guardas não tivessem pedido os documentos de Amadeu e vistoriado o carro dele.

    Amadeu, além de estar com a documentação vencida, o IPVA atrasado e esquecido a carteira de motorista em casa, o extintor de incêndio estava com o prazo de validade vencido…

criado por André Marcon    21:13 — Arquivado em: CRÔNICAS

21/6/07

ROBERVAL SE DEU MAL


   

    Roberval era o adolescente que gostava de andar na moda.

    Ele só usava roupas de grife e tênis transado.

    Os pais de Roberval davam um duro danado para manter a casa e pagar os estudos e as vontades do filho.

    Certo dia, Roberval pediu uma grana aos seus pais para comprar um par de tênis que custava muito caro. Ele alegou que iria passar o final de semana num churrasco em uma chácara com os amigos e que precisava de tênis novos.

    A mãe de Roberval negou-se a dar o dinheiro, alegando que o filho já tinha muitos pares de tênis, alguns até novos, devido ao pouco uso, e que o orçamento daquele mês estava apertado.

    Roberval insistiu e bateu o pé dizendo que precisava muito do dinheiro.

    Ante aquela manifestação de agressividade, a mãe de Roberval desconfiou dele e perguntou se o dinheiro seria mesmo para comprar tênis.

    Ela havia visto uma reportagem na TV sobre filhos drogados que chegavam a roubar os pais pra comprar drogas e o comportamento de Roberval era muito parecido com o que a reportagem dizia.

    A mãe começou a fazer mais perguntas a Roberval.

    Roberval irritou-se ainda mais, xingou sua mãe e saiu aos berros, esmurrando a parede e batendo a porta com força.

    Roberval entrou no carro e saiu a toda velocidade.

    Ao dobrar a esquina, Roberval colidiu violentamente com um caminhão que vinha em sentido contrário.
   
    Roberval sobreviveu, porém, hoje ele se locomove numa cadeira de rodas.

    As duas pernas tiveram que ser amputadas.

    Agora Roberval não precisa mais se preocupar em comprar tênis novos.

criado por André Marcon    20:25 — Arquivado em: CRÔNICAS
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