PAPÉIS AVULSOS

BLOG DE AFORISMOS E “DESAFORISMOS” EM GERAL!

31/5/07

AS CORES DO SONHO

    O rapaz caminhava sofregamente pelas vielas da boca-de-fumo. Olhava pros lados, suava frio, assustava-se com a própria sombra. Não era por menos. Havia dado um belo calote nos fornecedores de cocaína do pedaçõ e estes estavam em seu encalço, como cães de caça. O rapaz estava realmente encrencado.

    Dobrando uma "esquina", ele se enfiou numa fresta que separava dois barracos. Os capangas dos traficantes passaram reto. Parecia que o perigo havia acabado. De repente, dois braços volumosos agarraram o rapaz e puxou-o para a escuridão de umdos barracos. O rapaz sentiu o chão fugir-lhe aos pés e tudo rodopiar cada vez mais rápido. Depois tudo escureceu e ele não ouviu mais nada.

    Depois de um tempo que para ele parecia ser uma eternidade, o rapaz começou a ouvir sons distorcidos. Esses sons penetraram-lhe no cérebro, fazendo-o despertar. O que ele viu em torno de si parecia o cenário de um sonho: o céu era violeta, a grama, verde-limão fosforescente, as montanhas, alaranjadas e os seres vivos, que esquisitos: tinha uma galinha com pêlos de lobo, uma vaca com asas e rabo de pavão, um cavalo ostentando uma bela plumagem de águia, gatos multicoloridos perseguindo ratos voadores que tinham asas e cores de abelha! Tudo isso emoldurado por um sol que explodia em todas as tonalidades , alternando cores frias e quentes.

    Caminhando pelas ruas do que parecia ser uma cidade interiorana, o rapaz vislumbrou pessoas das cores mais improváveis e as aparências mais estranhas: cabelos, barbas, olhos, peles, tudo parecia ter saído de um imenso arco-íris. Era como se a Terra tivesse se transformado em uma paleta. Ruas, casas, postes, carros, motos… Tudo coberto com um leque de cores e tons berrantes.

    O rapaz estava embasbacado com o que via, sem saber se aquilo era realidade ou fantasia, quando se aproximou dele um cachorro que tinha crista de galo e crina de cavalo, além de uma plumagem que lembrava um canário-do-reino, e este lhe disse: "O que é que há, meu bom rapaz? Tome estas pílulas que você ficará bem!" O rapaz, pasmo ante o cachorro falante, pegou as bolinhas e engoliu-as sem pestanejar. Novamente tudo começou a rodopiar, cada vez mais rápido, até que todas as cores formaram apenas uma imensidão branca, límpida, pura, imaculada até. Novamente o silêncio tomou conta da mente do rapaz.

    Depois de um tempo, que para o rapaz parecia uma eternidade, ele ouviu um som distorcido. Este som penetrou-lhe o cérebro e o fez acordar. O som era do mais novo funk carioca que bombava num rádio próximo a ele. O rapaz olhou ao seu redor e viu apenas a miséria de um barraco sujo e abafado. Estava ditado sobre um projeto de cama. ao seu lado, uma baranga gorda e suada dormia aos roncos. O rapaz viu-se nu. Ela estava nua. Tudo começou a fazer um terrível sentido. Ele se vestiu rapidamente e caiu fora depois de pegar umas bolinhas que estavam encima de uma caixa de maças que vazia as vezes de um criado-mudo.

    O rapaz caiu fora o mais rápido que pôde e encontrou a morte na viela de baixo: os capangas dos traficantes estavam de tocaia desde que o rapaz havia sumido sem sequer sair da boca-de-fumo.

    Para o rapaz, naquele momento, tudo tinha escurecido e silenciado definitivamente. E as cores do sonho não tornaram a aparecer para ele.

criado por André Marcon    20:54 — Arquivado em: CRÔNICAS

30/5/07

COISAS DA PAIXÃO

    Ariovaldo amava Carmelinda que amava Lucineu.

    Ariovaldo era casado com Carmelinda. Carmelinda traía Ariovaldo com Lucineu.

    Ariovaldo era peão de obra e saía às quatro e meia da manhã para trabalhar. Carmelinda, desempregada, ficava sozinha em casa.

    Carmelinda conheceu Lucineu num churrasco na casa de um amigo de Ariovaldo. apaixonaram-se e, desde então, mantiveram um caso secreto. Ariovaldo, ingênuo, de nada desconfiava.

    Lucineu costumava aparecer na casa de Carmelinda por volta das duas horas da tarde e permanecia lá até pouco antes de Ariovaldo chegar do serviço, às sete da noite.

    Certo dia, algo inesperado aconteceu: Ariovaldo chegou bem antes do horário habitual e flagrou Carmelinda, sua esposa, e Lucineu, seu amigo, em pleno ato sexual, na cama do casal. Ariovaldo, em silêncio, mirou aquela cena or alguns instantes que pareceram uma eternidade para os amantes suados, ofegantes, confusos ao tentar se recompor cobrindo suas vergonhas desnudas.

    Quando Carmelinda, enfim, reuniu coragem para falar com Ariovaldo, este a interrompeu e perguntou algo inusitado: "Carmelinda, meu bem, você já teve fantasias de transar com dois homens?". Carmelinda corou de vergonha e não soube o que responder. Lucineu, lívido, acompanhava o desenrolar daquela cena sem dizer palavra alguma. Sem dizer nada, Ariovaldo começou a tirar a roupa, peça por peça, calmamente, até ficar totalmente nu. "Se você não tem essa fantasia; eu tenho. E quero realizá-la agora!" disse ele, juntando-se ao casal na cama.

    Tomando a esposa nos braços, Ariovaldo ordenou a um agora pasmo Lucineu que se deitasse de barriga pra cima. Depois mandou Carmelinda sentar-se sobre Lucineu, iniciando um coito vaginal com ele. Feito isso, Ariovaldo penetrou a esposa por trás, e teve início uma dupla penetraão que fez Carmelinda estremecer como nunca, sentidndo algo que jamais imaginara sentir. A sensação era indescritível, assim como o prazer quase mórbido por ser penetrada por dois homens ao mesmo tempo.

    Os três amantes fizeram sexo durante horas, explorando todos os mistérios do "ménage à trois", embora nem fizessem idéia do que fosse isso. Gozaram como nunca. "Uma experiência única", diriam eles.

    Após o ato sexual, Ariovaldo, Carmelinda e Lucineu tomaram um banho demorado, cheio de mão boba e excitação. Vestiram-se e foram para a cozinha. Tantos "exercícios" enchera os três de apetite. Enquanto Carmelinda preparava algo para comer, os três conversavam, riam e consolidavam uma bela amizade. A refeição foi simples, mas cheia de fraternidade e amor. Carmelinda estava feliz por ver Ariovaldo alegre e descontraído. Ariovaldo olhou para a esposa com o olhar mais terno que se podia esperar de um cônjuge e Lucineu, aliviado, dava graças aos céus por não ter o mesmo destino que muitos amantes vítimas de maridos traídos furiosos.

    Hojem Carnelinda e Ariovaldo mantém um relacionamento aberto e sincero. Ariovaldo confessara que já tinha dado umas "escapadas" antes daquele episódio com Lucineu. logo, não tinha moral para condenar a esposa. Apesar dos "deslizes", amava sua esposa mais do que qualquer outra mulher. E pasou a amar mais ainda depois da boa receptividade que esta teve às suas fantasias eróticas.

    "E quem um dia irá dizer que existe razão para as coisas feitas pelo coração e quem irá dizer que não existe razão?" dizia a antiga canção. De fato, quem poderá dizer? Eu é que não!

criado por André Marcon    21:12 — Arquivado em: CRÔNICAS

29/5/07

MONTFORT O SITE MAIS COMÉDIA DA NET

    Tem um sitezinho por aí,de uma tal de "associação cultural", que visa divulgar e esclarecer questões da fé católica. Bom, pelo menos parece ser esse o objetivo. Digo "parece", pois o que se vê em semelhante endereço é um festival de prepotência, arrogância, sectarismo, elitismo, pedantismo e toda a sorte de desvios de caráter que a igreja católica, pressupõe-se, visa corrigir no homem.

    Quem freqüenta as salas de bate-papo de catolicismo na internet já deve ter se esbarrado com alguém comentando sobre os "valorosos ensinamentos" de tal site. É fácil identificá-lo: se o cidadão começar a repetir insistentemente frases onde considera isso ou aquilo uma "heresia" e este ou aquele cidadão como "herético", não tenha dúvida: é mais uma pobre vítima desse site empedernido.

    Realmente é engraçado ver como alguém, que se diz "comprometido com a verdade" e "fiel à verdadeira igreja de cristo", pode ser tão virulento, arrogante, soberbo, pedante, mentiroso e embusteiro, além de se portar como dono absoluto da verdade, pondo-se à direita do deus dele para julgar, com empáfia, os vivos e os mortos, mesmo sem ter conhecimento de causa, limitando-se ao vulgar "ouvi dizer" ou "li a respeito" (se é que leu mesmo e, se leu, foi sempre em fontes mais do que duvidosas).

    De duas uma: ou aquilo tudo não passa de uma grande brincadeira de mau gosto, ou estamos testemunhando as sandices de um louco perigoso que não difere nada de um Adolf Hitler. Pelo tom de seus discursos, nota-se a tendência ariana, elitista, ditatorial e opressora desse grupinho de homens (se é que podemos chamá-los assim) não comprometido com a pretensa " verdade" que tanto apregoam, mas sim com idéias pessoais muito longe dos ideais cristãos. são pessoas com sério desvio de caráter, que se escudam numa instituição milenar para divulgar suas insanidades travestidas de ideais católicos. Esse site, assim como essa "associação cultural", não passa de um antro de maldade e mentira pronto para enganar e iludir jovens curiosos e fiéis desavisados da igreja católica e outras seitas cristãs.

    Diante desse estado de coisas, apenas pude mandar uma singela mensagem parabenizando os responsáveis pelo site por fazer aquilo que nem os maiores "adversários" da igreja católica conseguiram: derrubá-la e reduzi-la a um mero clubinho fechado cujo acesso seria restrito apenas a alguns poucos privilegiados. Eis o mérito que esse site merece. Esta mensagem foi enviada já há mais de um ano. Nunca foi publicada no site. E nem será. Pois a maioria das mensagens publicadas lá, sabe-se bem, é inventada pelo próprio "chefão" da tal "associação" em conluio com seus comparsas. Apenas as mensagens elogiosas escritas por pobres coitados iludidos são publicadas, de fato.

    Os artigos desse site, assim como seus "estudos", não passam de chorumelas pra enganar trouxa e seu objetivo, nada mais é do que criar um cisma dentro da própria igreja que defende, atacando concílios, papas, bispos, padres e toda sorte de iniciativas que consideram "heréticas". Os textos denotam uma generalização de tudo e dá a impressão que tais pregoeiros vivem num mundo à parte do nosso.

    Um mundo de trevas, de intolerância, de ignorância, de centralização, de tortura, dor e morte àqueles que apenas tentam pensar com suas próprias cabeças. Um mundo de autos-de-fé, de inquisição, de abuso de poder, de toda sorte de crimes hediondos, sempre ocultados sob o manto da outrora temida "santa madre" igreja. Enfim, um mundo de pesadelo onde essa corja que comanda esse site seria o inquisidor de tocha acesa na mão e os demais (pobres diabos!), seriam os "hereges", os "infiéis", os "gentios" a serem "catequizados" por semelhante chusma.

    E é por isso mesmo que o site é engraçado: ele se propõe a trazer de volta os valores cristãos, mas ao mesmo tempo se perde num labirinto de vícios e psicoses dos mais vergonhosos. E tudo à vista do público. Por isso que temos mais é que rir da gentalha dessa "associaçãozinha" de araque: seus membros otários e seus seguidores imbecis.

    Haja papel higiênico pra limpar tanta merda!!!

criado por André Marcon    20:45 — Arquivado em: OPINIÃO

28/5/07

PARA LER O TIO PATINHAS

    Neste ano de 2007, um personagem muito conhecido no mundo todo apaga 60 velinhas: trata-se do velho unha-de-fome, muquirana, mão de vaca, pão duro… Ops! Bem, do bom e velho Tio Patinhas, o Uncle Scrooge McDuck, personagem das histórias em quadrinhos de Walt Disney.

    Tio Patinhas apareceu pela primeira vez nos quadrinhos no longínquo ano de 1947, no número 178 do gibi Donald Duck Four Color Series, que circulou em Dezembro daquele ano, nos Estados Unidos. Criação do talentoso cartunista Carl Barks, que escrevia e desenhava HQs do Pato Donald desde 1943, o Tio Patinhas ainda não apresentava as principais características que o tornariam famoso: em "Christmas on Bear Mountain", a HQ de estréia, ele aparece apenas como um tio rico de Donald, que quer testar a coragem dos sobrinho medroso. O visual do tiozão também era muito diferente: usava um casaco pesado, óculos com hastes e costeletas enormes, que pareciam uma barba separada ao meio, sob o bico.

    Como a idéia de Carl Barks era usar o velho tio apenas naquela história, ele não se preocupou muito com detalhes. A editora que publicava o gibi também não deu nenhum parecer a respeito. Mas o bom cartunista viu que incluir o velho tio seria útil para desenvolver enredos futuramente e decidiu incluir o Tio Patinhas na trama que seria publicada na edição seguinte de Donald Duck: "The Castle’s Secret" apresentava aos leitores o clã McPato e um pouco da história do personagem, que descobre-se ser escocês de uma linhagem nobre no passado que que em decadência no século 19. Lendo essa HQ, sente-se logo de cara que o personagem principiante tinha muita lenha para queimar, e foi o que aconteceu.

    Carl Barks foi inserindo aos poucos o novo personagem nas HQs, como coadjuvante do Pato Donald, ao mesmo tempo em que ia traçando sutilmente um perfil mais detalhado do personagem, mas nãoo suficiente para se ter uma idéia de como o velho tio juntara toda aquela fortuna e o por quê dele estimar tanto cada moedinha de sua Caixa-Forte.

    Foi daí que, em 1952, apenas cinco anos depois de sua criação, o Tio Patinhas ganhou revista própria, ainda que em caráter experimental, na série Four Color, do selo Dell Comics, da editora Western Printing & Publishing, de Nova York (EUA), que possuía os direitos de publicação de gibis com os personagens de Walt Disney. Naquela época, esta editora lançava novas revistas nessa série genérica, sem periodicidade definida, a fim de testar a popularidade dos personagens. Caso a nova revista vingasse, passaria a ser uma revista independente e com periodicidade fixa. No caso do gibi Uncle $crooge (ilustração acima), o sucesso foi imediato e, já a partir do número 4, deixou a série Four Color para trilhar seu próprio caminho. De 1952 a 1967, praticamente todas as HQs presentes na revista foram escritas e desenhadas por Carl Barks, o criador do personagem.

    No Brasil, o Tio Patinhas apareceu já em 1950 na HQ "O Segredo do Castelo", no número de estréia da revista O Pato Donald. Em 1963, ganhou revista própria, que circula até hoje. Para comemorar os 60 anos do personagem, foi relançada por aqui a HQ "The Life and Times of $crooge McDuck" ("A Saga do Tio Patinhas", no Brasil), biografia do pato mais rico do mundo, assinada pelo excelente cartunista americano Keno Don Rosa, discípulo direto de Carl Barks e maior responsável pela divulgação e manutenção do legado desse que foi o melhor desenhista que os Estúdios Disney já tiveram.

    Dono de um traço peculiaríssimo, Carl Barks escrevia e desenhava suas HQs magistralmente, levando em conta cada detalhe a fim de produzir a melhor HQ possível, sempre respeitando as inteligência e a sensibilidade de seus leitores. Foi graças a ele que o Pato Donald ganhou profundidade nos gibis e alçou-o à categoria de lenda, dotando-o de qualidades que não eram exploradas nos desenhos animados. Além disso, Carl Barks presenteou o pato não com um ou outro detalhe, mas com uma cidade inteira. Foi Barks quem criou a cidade de Patópolis e eu vida a vários de seus personagens hoje ilustres: o Prof. Pardal, o primo Gastão, os Irmãos Metralha, o Tio Patinhas e toda uma galeria de personagens secundários que aparecem aqui e acolá nas mais de 500 HQs deixadas pelo artista ao longo de 25 anos.

    Com relação ao Tio Patinhas, Barks não poupou esforços e criatividade para deixá-lo literalmente rico, não apenas no aspecto financeiro, mas também no aspecto pessoal. O Tio Patinhas é um personagem que tem forte ligação com o passado e a história, sem deixar de lado o presente e o futuro. Empreendedor, aventureiro, corajoso e destemido, Tio Patinhas segue fiel a seus objetivos sem abater-se pelas dificuldades. Apesar de mostrar-se durão, guarda sentimentos doces de um amor do passado, apesar de independente, sempre conta com a ajuda de seus quatro sobrinhos, que encaram qualquer parada, mesmo que, às vezes, contrariados: Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho.

    O Tio Patinhas é um exemplo de coragem, determinação e perseverança. Suas HQs clássicas, as maravilhas criadas por Carl Barks, e as jóias lapidadas por seu discípulo, Don Rosa, formam um tesouro inigualável no mundo dos gibis. Suas HQs, repletas de aventura, sonhos e uma humanidade que muitas vezes falta aos próprios humanos de carne e osso, fazem a gente rir, se emocionar, sonhar e revigorar nossos ânimos.

    Parabéns, Tio Patinhas, e que estes sejam apenas os primeiros 60 anos de uma jornada rumo ao infinito!

criado por André Marcon    19:51 — Arquivado em: OPINIÃO

26/5/07

CANÇÃO DO MUNDO NOVO

    Que maravilhoso seria ver um mundo onde fundamentalismos baratos, preconceitos morais, palavras de ordem arbitrárias e injustas, castigos divinos, supersatições, segregações, e outras quinquilharias herdadas da pré-história não existissem.

    Seria ótimo viver num mundo onde a ordem do dia fosse apenas viver bem cada dia, não guardar mágoas do passado e vislumbrar o futuro não como uma fatalidade, mas sim como mero resultado do agora. Viver bem o hoje para depender menos do dia de amanhã.

    Eu adoraria ver um mundo em que os homens não temessem esenvolver suas idéias e opiniões próprias acerca de assuntos de seu interesse, que não precisasse pedir perdão a um deus imbecil e cretino o qual gente mais imbecil e cretina ainda diz que esse deus "castiga" quem pensa diferente de quem segue essa suposta divindade.

    Um mundo onde a ética não dependeria de religião, e o certo e o errado seriam pesados não mediante castigos divinos, mas sim pelas conseqüências acarretadas por um e outro aqui na Terra, mesmo. Um mundo onde cada um seria responsável pelos seus atos e consciente de que tudo de bom ou de ruim que acontece consigo é culta toda de quem procedeu para que isso acontecesse, e não atribuísse sua boa ou má sorte a seres imaginários como deuses e demônios, assim como não dependesse de uma justiça divina imaginária que substituísse a justiça da Terra.

    Eu queria ver um mundo onde o homem assumisse realmente seu papel de senhor da terra, do céu e dos mares, agindo com responsabilidade, sabedoria e respeito para com o ambiente em que vive, despojado de preconceitos, superstições e limitações ideológicas, sociais, políticas e religiosas. Um mundo onde o homem tivesse consciência de que faz parte de tudo o que existe e deve respeitar o todo como respeita a si mesmo. Um homem integrado com o meio onde vive e comprometido a garantir o equilíbrio fundamental desse meio.

    Eu queria ver um mundo onde a vida fosse mais importante que o dinheiro, status e poder. Um mundo onde o bem-estar, as oportunidades e as necessidades básicas de cada indivíduo viessem em primeiro lugar e que os administradores de todos os recurso minerais, vegetais e animais realmente se empenhassem para que isso fosse possível. Um mundo igualitário e justo com todos. Um mundo fraternal sem barreiras físicas e ideológicas. Um mundo realmente irmão.

    Pena que esse mundo sá exista em papéis empoeirados de arquivos sombrios de entidades milionárias que se dizem humanitárias só de fachada ou em discursos políticos em época de campanha eleitoral, assim como nas disposições dos adeptos da chamada "Nova Ordem Mundial" ou "Nova Era", que não diferem em nada dos ditadores de outrora, apresentando ideais de igualdade e fraternidade apenas para atender, ocultamente, seus próprios interesses mesquinhos.

    Esta minha canção do mundo novo ecoa na cabeça da humanidade desde tempos imemoriais. A cada nova geração, ela torna a se espalhar pelo vento, mas, fatidicamente, retorna às névoas do esquecmento para aguardar que uma nova geração surja e, talvez, ouça suas palavras de sabedoria e atinja um novo patamar. Talvez algum dia a canção seja ouvida e cantada por todos os que realmente precisem ouvi-la, e entendam seu significado.

    Enquanto esse dia não chega, cabe a nós, mais sensatos, manter nosso próprio ponto de vista sobre as coisas e ser fiel a ele. Mesmo vivendo em um mundo onde todos dizem que um deus "de amor" vai nos castigar e nos jogar no inferno por causa disso…

criado por André Marcon    21:40 — Arquivado em: OPINIÃO

25/5/07

VIDA DE CRISTO

    Uma das minhas diversões favoritas na net é entrar em salas de bate papo católicas para incitar os presentes ao debate de algumas questões pendentes sobre a vida de jesus cristo. Questões estas, ao meu ver, fundamentais para a edificação do espírito:

    1. Jesus, qaundo adolescente, era "pegador"? Ou era um nerd que nem catar mulher sabia? Ou, ainda, era viado, mesmo?

    2. Jesus teria tentado abandonar a baitolice paquerando a Samaritana à beira do poço de Jacó? (Jo 4:1-42)

    3. Se a Samaritana não deu um jeito, Maria Madalena, profissional na área, teria dado (literalmente)?

    4. Jesus, na puberdade, era punheteiro? Ou ele gostava mesmo era de pegar na dos outros e balançar?

    5. A santa ceia foi mesmo santa ou foi uma bacanal digna de Baco?

    6. Se fosse feito um novo filme sobre a vida de cristo e você pudesse escolher o final, qual seria?

    A) O cristo morreria crucificado sem choro nem vela?

    B) Jesus, num arroubo de audácia, fugiria para a França com Judas e toda a grana dos fiéis trouxas além dos 30 dinheiros?

    7. Quando jesus e seus discípulos Tiago, Pedro e João subiram numa alta montanha (Mt 17:1-13) e estes últimos viram a transfiguração de jesus e viram aparecer Moisés e Elias, seria porque os três fumaram um baseado "do bom" fornecido pelo "filho do homem"?

    8. E quando os discípulos viram o jesus andar sobre as águas (Mt 14:22-36), teriam eles fumado unzinho "do bom" também?

    9. O argumento que os cristãos usam de que devemos nos agarrar à cruz de cristo, banharmo-nos no sangue dele, carregarmos as dores do dito cujo entre outras manifestações de devoção se deve ao fato de que incoscientemente os cristãos são um bando de sadomasoquistas psicopatas e porcos? Não seriam eles sádicos de não querer ver seu cristo fora da cruz, sadomasoquistas por acharem que a dor redime alguém de seus pecados e porcos por quererem se banhar em sangue?

    10. E, por fim, a pergunta-chave: Você acredita mesmo naquele dramalhão todo apresentado nos evangelhos e nos bilhetinhos de Paulo de Tarso (chamar aquilo lá de "epístolas" é superestimar demais o suposto autor)?

    Há muitas outras nuances dessas questões, que aparecem no decorrer do bate-papo. O que está acima é uma pequena amostra do que a fábula cristã nos leva a indagar e serve como ponto de partida para acaloradas discussões on-line!

criado por André Marcon    20:16 — Arquivado em: HUMOR

24/5/07

CONTRA TUDO E TODOS

    Pois bem, vamos dar uma pausa em nossa programação pra falar de um troço sério: suponho que um maldito blog, como anunciam os prestadores desse tipo de serviço, seja uma espécie de diário virtual onde as pessoas podem publicar textos contando histórias de suas vidas, suas idéias, seus sonhos, suas bobagens e comentários sobre assuntos que lhes interessam. Sendo assim, nada mais natural do que escreverem a respeito de si mesmas.

    Ora, que isso tem um quê de narcisismo, é óbvio que tem. Está na cara. Só não entendo o porquê de certa gentalha se melindrar com isso. Se a idéia de um blog em geral é essa, por que haveria de se criticar tal expediente? O que tais críticos buscam agindo assim? Eles querem, porventura, moldar com suas críticas os blogs, para que estes últimos fiquem conforme seu gosto? Ora, pois…

    Este meu blog, particularmente, nasceu não para ser um espaço forido e bonitinho de idéias gentis e agradáveis aos olhos e ao intelexto, a fim de fazer média com tais críticos e ficar "bem na fita". Este espaço foi criado a fim de comportar toda sorte de idéias, bobagens, pensamentos, loucuras, neuroses, euforias, confidências, venenos, cutucadas e doses cavalares de ironia e sarcasmo.

    Aqui ninguém é santo e demagogia é pra político e pastor safado. Não somos bonzinhos. não somos os queridinhos da mamãe. somos sujos, sórdidos, doentios. Chutamos cachorro na rua, espancamos velhinhas indefesas, quebramos vidraças, levantamos o dedo médio para as autoridades vigentes e rimos da cara ensebada de todos os líderes religiosos. Passamos a mão na bunda de freiras, blasfemamos contra todos os deuses e achamos o jesus cristo um mala sem alça e o "espírito santo" uma piada.

    Rimos da cara de paspalho dos mistificadores, dos ufólogos, dos apologéticos, dos teósofos idiotas, dos espíritas cretinos e iludidos, dos militantes de shopping centers e suas idéias pseudo-revolucionárias, dos politizados, dos apolíticos, dos ateus, dos crentes, dos satanistas burros, idiotas, animais que só porque ouvem Iron Maiden e vestem "pretinho básico" se consideram "do mal" (só rindo desses merdas, mesmo!), os defensores das minorias, que são um bando de hipócritas mascarados e falsos, dos "cidadãos conscientes", dos alienados, dos sérios, dos escrachados, dos filósofos, dos astrólogos, dos profetas, dos agitadores culturais, dos artistas "engajados" nas causas sociais, de mim, de você, de todo mundo!

    Se tem algo pior que uma pessoa demasiado escrachada é uma pessoa demasiado séria. Tudo o que é demais perde o encanto. Por isso que o melhor a fazer é: não ser partidário de nada. Não se fanatizar por nada. Ser livre para olhar tudo ao redor e ponderar de modo idôneo cada coisa, sem se limitar a um só aspecto da vida. Ampliar horizontes, contemplar um mundo cheio de perspectivas. Quem só tem olhos para uma causa não enxerga o todo. Aliena-se sem perceber. Filiar-se a um partido é deixar-se escravizar por ele, limar nossas potencialidades e nossa visão de mundo.

    É chato só ter olhos para um aspecto da vida. Por isso decidimos olhar para todos os aspectos. O resultado? Isso me fez rir de tudo e de todos. Isso me fez contemplar a imbecilidade humana em todo seu esplendor.

    Não me julgue demasiado azedo. Foi só uma impressão que eu tive. E, como é peculiar aos espíritos livres, essa impressão pode mudar. Damo-nos este direito. Nada é definitivo. Nenhuma verdade é absoluta ou conclusiva. Por que seríamos a exceção deveras?

    Por que?

criado por André Marcon    20:46 — Arquivado em: OPINIÃO

23/5/07

INTERESSEIROS

    Sabe o que mais irrita este escriba no que diz respeito a essa lenga-lenga religiosa de "salvação da alma", "céu, "paraíso", "vontade de deus" (em minúsculas, mesmo) e "recompensas" em vida ou além-vida que esses crentes cretinos que pipocam por aí tanto gostam de alardear aos quatro ventos? É o interesse oculto contido em tais "evangelizações".

    Interesse esse não em ser pessoas melhores por seguir os ensinamentos do suposto jesus cristo ou dos supostos autores dos livros "sapiençais" do antigo testamento bíblico, mas sim interesse em bens materiais, em status, em poder. As "recompensas" prometidas em ome de seu deus são apenas chamariz para os trouxas que têm que pagar para receber as "graças" de que tanto precisa.

    Assim é criado todo um aparato psicológico a fim de convencer os trouxas, digo, fiéis de que se ele obedecer pastor tal, missionário tal, bispo tal, padre tal, etc., ele terá paz, alegria, prosperidade, sucesso profissional, afetivo, etc., além, é claro, da "vida eterna" no "paraíso", mas, caso contrário, será um pária no mundo, desprovido da bênção divina, condenado ao purgatório ou ao inferno e por aí vai. Ou seja: antes de serem religiosos, os "evangeizadores" têm de ser grandes psiquiatras e saber lidar com todos os sentimentos íntimos de cada trouxa, digo, fiel.

    Alguns "evangelizadores" se portam como os "cordeiros" de seu deus, mansos, de fala suave, muito receptivos e, com sua simpatia, gaham a confiança de seus "clientes" (fiéis). Já outros, num ímpeto de auto-confiança e fanatismo, proclama suas "boas novas" aos berros nas praças, nos púlpitos e na mídia com direito a todo aquele teatrinho de mal gosto, com direito a exorcismos ao vivo, "libertações", "descarregos" e "muita unção em nome do senhor". Tudo isso permeado de caretas, gestos largos, urros, respiração ofegante , etc.

    Mas, no fim, todos seguem a mesma cartilha do mercado, a fim de apresentar um mesmo produto, só que de maneira mais convincente para atrair um número maior de consumidores ávidos pelos "benefícios" que tal produto supostamente oferece. Neste caso, os "evangelizadores" fazem às vezes da "oferta" e as pessoas incautas, coitadas, correm desesperadas à "procura" de algo que preencha suas carências.
   
    Mediante isso, ante à procura dos "fiéis" por algo que lhes conforte, os "evangelizadores" oferecem diversas soluções, como, por exemplo, a fórmula "crer em jesus, ler a bíblia, ser fiel à igreja que frequenta, pagar o dízimo, para que se possa ter o cantinho do céu garantido". E com que expressão de gozo tais "evangelizadores" dizem isso! Eles realmente crêem que, só porque seguem essa fórmula, já estão garantidos na "vida eterna" e que os "outros" (aqueles que não são como eles) já estão "condenados" a fritar no mármore do inferno. Porque "deus é amor".

    E como tais "evangelizadores" gostam de antecipar o destino da alma daqueles que não compactuam com seus conceitos! Como é repugnante o seu orgasmo em pensar que eles, só porque lêem a bíblia deles, crêem no jesus mítico deles, "aceitam" o mito deles, já estão no céu e, como se não bastasse, sentados à direita do deus deles aonde, com empáfia, se acha no direito de julgar quem vai para o céu ou para o inferno! É claro que tudo isso baseado não na palavra deles, dos "evangelizadores", mas na "palavra de deus".

    Covardes! Prestam-se ao papel de juízes e algozes para depois tirar o seu da reta dizendo "foi deus quem disse na palavra"! Párias! Víboras! Ou, usando um termo do livro "sagrado" lá deles: FARISEUS!

    A essa gentalha só posso dirigir meu escárnio e desprezo pelo papel ridículo a que se prestam ( se bem que eles, muito hipócritas, se rejubilam por serem "perseguidos por causa de sua fé"[!]… Que coisa esdrúxula!).

    Se eu fosse religioso, diria que essa súcia de hipócritas iriam, eles sim, queimar no fogo do inferno, devido às sua soberba e empáfia por se julgarem melhor que os outros, mas, como não sou religioso, eu digo apenas:

    Vocês crentes, não passam de palhaços dignos da chacota a que são mundialmente alvos fáceis. Continuem nos divertindo com suas ameaças, micagens, trambiques, mentiras e toda sorte de idiossincrasias que fazem a alegria de céticos como eu!

    Afinal, o que seria do humor sem a política e a religião?

criado por André Marcon    23:31 — Arquivado em: OPINIÃO

22/5/07

UMA CONVERSA INCONSEQÜENTE

    Numa mesa de bar, dois amigos, Aristeu e Gervásio, jogam conversa fora:

    — É como eu te dizia, Gervásio, o problema do governo…
    — Porra, Aristeu, la vem você com esse papo de socialista!
    — Tá bom, então, cê viu a seleção? O técnico…
    — Que saco, meu! Lá vem você dando uma de técnico de futebol!
    — Certo, certo, as você ficou sabendo do Vaticano? O papa…
    — Olha o que vai falar, hein? Deus tá olhando…
    — Deixa pra lá, então. Mudando de assunto, cê viu a Carminha?
    — Chiu! A Carminha tá namorando o meu primo. Se falar mal dela…
    — Ah, quer saber de uma coisa? Vai tomar no cu!
    — Quiéisso, Aristeu? Falar de sexo aqui, em lugar público, é indelicado!
    — Sexo o caralho! Vai se fuder, porra! Cuzão! Monte de merda!
    — Tá bom, não está mais aqui quem falou. Sossega aí e toma uma breja.

    (Silêncio)

    — Aristeu?
    — Quié?
    — Nada.
    — Falaí, porra!
    — "Porra!".
    — Lazarento…

    E os dois amigos caíram na gargalhada….

criado por André Marcon    20:44 — Arquivado em: CRÔNICAS

21/5/07

PASSEANDO PELAS RUAS

    Passeando pelas ruas eu vejo gente, vejo carros, prédios, casas, fábricas, escolas e vejo sonhos, anseios, esperanças e desejos ao redor de mim.

    Com passos rápidos e urgentes, cada um busca seu sonho: estuda, trabalha, pensa, sente, a cada dia, a cada hora, sempre em frente, sem parar.

    Horas, minutos, segundos vão passando, passam rápido. O relógio não perdoa a omissão: tempo perdido não volta: essa regra é para todos, sem exceção.

    A criança, que agora está no colo da mãe chorando pelo leite que o sustenta, logo começará a falar, a engatinhar, a andar, a sonhar, a desejar, crescendo dia-a-dia até se tornar adulto, e depois envelhecer, e, por fim, perecer.

    Passeando pelas ruas, eu vejo os templos, vejo igrejas, mosteiros, conventos, todos os eleitos, que querem pela graça de seu deus ser felizes e, em nome desse deus, fazer a guerra, matar gente, deplorar os que não crêem que toda essa maldade é feita em nome do amor de seu deus. Mas tambpem vejo que no meio dessa turba, há aqueles que compreendem a mensagem, vivem, assim, a caridade, e ajudam a quem precisa, dá pão a quem tem fome e agasalho a quem tem frio, vivendo dessa maneira, de fato, a comunhão, formando uma corrente um a um; transformando vidas homem a homem.

    Passeando pelas ruas, eu vejo longas avenidas, eu vejo vielas, becos, ruas, calçadas e esquinas, cheias de gente a passar. Cada um segue o seu rumo, com um objetivo pra alcançar, tendo nos olhos a esperança de quem sabe que seu dia vai chegar.

    E assim vai passando um a um.

    Vai passando o patrão e o empregado; a dona-de-casa e o pai de família; a mãe, o pai e o filho; a mulher e o marido; o vovô, a vovó e o netinho; os namorados, os amigados, os separados, os solitários.

    Todos passam, um a um.

    Vão passando um a um.

    Passeando pelas ruas, eu vejo tudo ao meu redor, e vejo também o oculto, à espreita nas sombras da lembrança de um passado já esquecido por aqueles que, na pressa do dia-a-dia, nem percebem a riqueza diante de seus olhos.

    Toda a história, sentimento, anseio e esperança de uma época em que estava tudo por fazer e que, agoa, estando tudo feito, só resta esquecer.

    Pois aqueles que sonharam, desejaram, lutaram e conquistaram já passaram, um a um.

    E meus passos, calmos, lentos, seguros, eu os dou um a um.

    Rumo ao futuro, sempre em frente, vivendo cada dia, um a um.

criado por André Marcon    20:16 — Arquivado em: CRÔNICAS
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